domingo, 2 de agosto de 2020

Oahu - a porta de entrada do paraíso

O arquipelago Hawaiano foi anexado aos Estados Unidos por volta do ano 1900 tornando-se o 50º estado americano. É composto de várias ilhas, inicialmente habitadas pelo povo Polinesio, mas apenas 7 delas permanecem habitadas. É em Oahu, a terceira maior que se encontra Honolulu, a capital do estado e foi precisamente por aí que entrámos.

Como toda a gente sabe, as ilhas têm origem vulcânica  e é exactamente nestas ilhas do pacífico norte que se encontram os dois  vulcões mais activos do Mundo: o Mauna Loa e o Kilauea.

Andávamos nós a braços com o drama de como encaixar as 4 ilhas que queríamos ver nos nossos míseros dias de férias quando o Kilauea resolveu dar um arzinho da sua graça e ficar particularmente mais activo numa das maiores erupções vulcânicas que alguma vez lhe tinham  registado. ( só para animar a coisa)

Cuspiu lava incandescente  de forma efusiva vários meses antes da nossa viagem, criou uma nuvem ácida imensa sobre a cabeça de todos e, assim, colocou o estado em alerta vermelho interditando o acesso á Big Island.

Porém, e como o Kilauea está localizado no extremo sudeste da Big Island, que por seu turno fica também no extremo sudeste do arquipélago a sua erupção acabou por não comprometer  a visita ás  restantes ilhas.

Claro que isto comprometeu a nossa visita á Big Island e ao Parque dos Vulcões que era algo que queríamos muito ver mas por outro lado resolveu-nos um grande dilema. O percurso ficou naturalmente delineado:  São Francisco-Oahu-Kauai-Maui-são Francisco.

Entretanto depois desta primeira viagem ao hawaii voltámos mais uma vez mas ainda não foi dessa que visitámos a Big Island e os seus vulcões cuspidores de fogo.  Dizem que á terceira é de vez. E Também dizem  que 3 é a conta que Deus fez.
Por isso, e só para não se dar o caso de Deus ou o Universo andar distraído, é só para avisar que estamos á espera que a terceira vez venha ;) .


Aterrámos finalmente no estado americano do Hawaii, na bela ilha de Oahu, e sentimos a temperatura quente abraçar-nos de imediato.

O aeroporto pareceu subitamente descontraído e percebemos logo que chegámos a um país tropical.

Não muito longe deste fica a cidade de Honolulu, a uns parcos 25 minutos de táxi. 
Perfeitamente americanizada, Honolulu tem tudo o que se espera de uma grande metrópole com tudo o que há de bom e de mau: restaurantes para todas as carteiras, lojas de griffe e animação mas também prédios com fartura,  e até bastantes sem abrigo.

Mas depois chegamos ao centro nevrálgico, Waikiki, adoramos o seu ambiente descontraído e a parte menos bonita da cidade relativiza-se rapidamente.
É impossível deixar de gostar deta capital que junta toda uma vida cosmopolita ao espirito relaxado dos trópicos.

Não conseguimos evitar uma invejazinha á vida local, onde a pausa para o almoço dá direito a pôr o pézinho na areia branca ou a umas braçadas num mar absolutamente transparente.

O hotel Alohilani Resort foi a opção escolhida. Perfeitamente situado no centro de Waikiki, junto á av Kalakaua, a principal artéria, que percorre toda a marginal.

A praia é logo do outro lado da estrada, uma enorme baía de areias claras e aguas cristalinas rematada pelo exlibris da cidade: a cratera do vulcão já extinto Diamond Head.

Ao longo da orla costeira circulam turistas descontraídos e locais de espirito livre e relaxado. Vive-se com uma prancha debaixo do braço numa rotina despreocupada, entre os calçoes e os chinelos.

Largámos as coisas e fomos saborear a enseada. Tocar o mar. Nem podíamos crer que estávamos de facto “ali”.

Para ficar tudo ainda mais cor de rosa, a musica instalou-se no ar,os sons do ukelele fizeram-se notar e acenderam-se os archotes á volta de um pequeno palco na praia. Em pouco tempo surgiu um grupo de dançarinas de hula umas com trajes floridos, outras de branco com leis (o tipico colar de flores) ao pescoço ou na cabeça.

É  bonito de ver como as culturas polinesia, japonesa e americana já são uma só após o conflito da segunda guerra mundial. Ali dançavam e cantavam, lado a lado, unidos por uma tradição que já pertence a todos.

Ficámos pela praia até ao pôr do sol. Temos essa mania que é ver o por do sol em cada sitio que vamos. É um espectáculo diário com entrada grátis que nunca perdemos em viagem pois é diferente em cada canto do globo. Mas, em Waikiki o céu estava em brasa e com uma intensidade de cores que me permite afirmar com toda a certeza que nunca (mas nunca!) tinha visto um por do sol assim.

No dia seguinte empaturrámo-nos com um pequeno almoço maravilhoso á beira mar, cheio de granola e açaí  (uma constante hawaiiana), alugámos um jeep e fizemo-nos á estrada.

A melhor forma de ver a ilha é mesmo essa: alugar um carro e correr a ilha de lés a lés. Mustangs descapotáveis ou jeeps wrangler fazem as delicias de todos os turistas e permitem sair da metropole e procurar um hawaii mais genuíno. Foi o que fizemos nos dias seguintes.

Começámos pela visita à cratera do vulcão Diamond Head á saída de Honolulu e seguimos até á famosa Hanaúma bay, uma enseada maravilhosa repleta de corais que atrai os amantes de snorkeling. Infelizmente, sendo uma reserva natural existe uma infinidade de processos até lá entrar: filas,  dificuldades para estacionar, entradas pagas e visualização obrigatoria de filmes para sensibilizar á preservação. Enfim, toda uma parafernália de coisas chatas mas que infelizmente são mesmo necessárias ou já não haveria Hanaúma Bay para ninguém.

Lanikai e Waimanalo são também praias maravilhosas que inclusivamente figuram entre as nossas favoritas da ilha. Recordo mergulhos á chuva, praias quase vazias e trekkings de cortar a respiração nas zonas envolventes.

Um desses trilhos, O Lanikai Pill Box Hike, ainda que bastante concorrido leva-nos ao topo de uma encosta com uma das vistas mais soberbas da ilha.

Para os amantes de trail e trekking o Hawaii é, aliás, um grande parque de diversões. Tem trilhos espectaculares  e desafiantes que serpenteiam entre uma vegetação luxuriante e cascatas para depois rematar invariavelmente em vistas incríveis.

Para nós um dos pontos altos da viagem é mesmo a possibilidade de poder fazer um trilho diferente a cada dia.

Outra das atracções que mais gostámos foi o maravilhoso jardim botânico de Ho'omaluhia. Mais do que um local onde se preservam as plantas nativas é lá que está o cenário das fotos mais famosas de Oahu: A estrada ladeada de palmeiras que leva até ás montanhas jurássicas cobertas de verde e nevoeiro.

É talvez das paisagens mais impressionantes que vimos. Entramos nessa estrada e parece que o tempo pára. Faz-nos sentir que há qualquer coisa de  mistico no ar. As montanhas ao fundo  desenhadas a preceito, os passarinhos minusculos que se afastam á nossa passagem e as palmeiras estrategicamente posicionadas ao longo do percurso fazem com que todo o local pareça mágico. Sentimo-nos a mergulhar num postal.

Durante as nossas voltinhas pela ilha não poderia nunca faltar uma ida á North Shore, a região de Oahu famosa pelas grandes ondas. Ali reside o paraíso dos surfistas: as famosas praias Waimea bay, Banzai Pipeline e Sunset beach onde se disputam as grandes competições da modalidade.

Longe do ambiente mais turistico de Waikiki, é em North Shore que o verdadeiro espirito Hawaiiano irradia. A tal vidinha natural e em harmonia com a natureza que eu idealizava ser a vida de surfista, ali sim, está mais próxima da realidade.

A cidade base dessa zona é Haleiwa, um simpatico aglomerado de casas com um centro pequenino mas cheio de charme e personalidade. Optimo local para umas refeições ligeiras, rematadas por um shave ice para quem gosta (Not me - gelado de gelo picado cheio de corantes coloridos) e para uma cervejinha Kona ( haha! love the name!).

O mar não é sempre agreste, sendo possivel gozar das praias em versão calma e cálida durante os meses de Verão. Já no inverno surgem as ondas gigantes e os tubos perfeitos. Chegam surfistas de todo o mundo e o espetáculo toma lugar. Tivemos oportunidade de ver as duas coisas: a calmaria de Waimea num sunset de verão e a agressividade de Pipeline com ondas gigantes que rebentavam junto á costa e varriam todo o areal.


Pudémos sentir de perto a sua força num por do sol de inverno enquanto brincávamos na praia. Com uma onda particularmente inesperada, o mar roubou e devolveu num ápice tudo o que tinhamos pousado na areia. E tudo isto só para nos expor ao ridículo de ter de andar de rabo para o ar a apanhar os nossos pertences. Shame on you, Pacifico Norte!

Foi um momento de adrenalina pura. Ou para quem viu de fora, foi certamente o momento cómico do dia. Não é a toda a hora que se apanha meia duzia de cromos a correr ás voltinhas na praia atras de mochilas, toalhas, sapatos,  telemoveis e gadgets. Felizmente recuperámos tudo em condições. Excepto a auto-estima.

Sabem quando vamos a um local super cool sem querer dar o flanco que somos outsiders e queremos parecer super integrados nesse ambiente? Esqueçam....Labregos do pior.
Acredito piamente que mais dia menos dia encontro um video nosso num site de apanhados qualquer.

Valeu-nos um jantar no food truck Giovanny shrimp, com uma cervejinha comprada no supermercado do lado, para repor a energia, apaziguar a alma e esquecer a humilhação.

A visita a Oahu não ficaria completa sem uma manhã passada na base Naval de Pearl Harbor onde é possivel agora visitar exposições memoriais e fotos diversas sobre aquele que foi um dos dias mais tristes da historia dos Estados Unidos da américa.

Foi nesse dia, 7 de Dezembro de 1941, que o Japão fez um ataque militar surpresa a esta base naval, bombardeando incessantemente por duas horas. O ataque destruiu  navios de guerra e da marinha, submarinos e mais de 300 aviões. Mas a maior perda foi humana com cerca de 2400 mortos.

Nesse ataque , cerca de 1100 militares americanos estavam no navio USS Arizona. O navio naufragou em apenas 9 minutos levando todos consigo para o fundo da enseada onde ainda permanecem.

Curiosamente e apesar de ser tambem um local onde houve grande sofrimento, o espaço é um jardim arranjado e arejado pelo que a visita não é tão dolorosa como em outros sítios em que se preserva o local como era ( como acontece com campos de concentração ou Alcatraz, onde prefiro não ir como já mencionei). Isto facilita a visita aos mais sensíveis.

Terminámos aqui a visita por Oahu. Muito mais poderia ser dito. Há muito mais coisas para ver e fazer que tivemos de deixar para trás por falta de tempo.
No dia seguinte voámos para Kauai e a expectativa de conhecer a  Garden Island era grande. 





















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