terça-feira, 5 de julho de 2022

Maui - Waiting for Lane.

A nossa estadia em Maui foi no minimo diferente e ficámos longe de fazer tudo o que tinhamos previsto. Não fosse andarmos a precisar de uma animação extra, no dia seguinte á nossa chegada houve um alerta de furacão e ficou todo o estado hawaiiano em alerta maximo. O furacão Lane prometia ser apenas e tão só o maior e mais forte furacao dos ultimos tempos a fustigar o pacifico. Poderoso, massivo, destruidor e tudo aquilo que um furacão categoria 5 pode ser. Claro que com uma noticia destas tudo se modifica. O aeroporto fechou de imediato e todo o espaço exterior do hotel foi desmantelado. Os corredores que eram abertos para o exterior foram apetrechados com sacos de areia para evitar enchentes, o mobiliario de exterior dos jardins foi armazenado e o das varandas foi todo recolhido e colocado no interior dos quartos. E, naturalmente, no meio de toda estas precauções, os hospedes foram também aconselhados a permanecer nos quartos. Por 3 dias esperámos Lane, o furacão. E eis que o Lane teimava em nao aparecer. A cada hora desviava rotas e fazia umas voltinhas extra so para esperarmos mais um pouco sob tensao e dar aquela animada. Enquanto isso não acontecia e entre momentos de alerta tentávamos descontrair levando a nossa estadia da forma mais normal possivel: com umas corridas á beira mar, mergulhos no mar, observar tartarugas na praia ou até apaziguar a alma numa aula de yoga no jardim. por vezes aventurávamo-nos até um shopping mall que havia proximo onde conseguiamos ir rapidamente buscar comida nos momentos de espera mas sem nos alongarmos muito nas horas. Queriamos sempre voltar rapidamente pois as noticias na televisao eram assustadoras,os papeis com as directrizes que nos faziam chegar mostravam medidas para o apocalipse e o nosso telemovel despertáva-nos com uma sirene arrepiante capaz de acordar um morto (mortinho mesmo há muito tempo). Pudémos usufruir das piscinas de toalhinha no chao mas com direito a copinho de vinho á mesma. A vida ainda assim era boa em Maui. Mesmo com o ceu a enegrecer e os ventos a tornarem-se mais fortes. Ainda assim era boa essa vidinha. Felizmente Wakea, Deus havaiano da chuva foi misericordioso e fez com que o furacão Lane desviasse pacifico dentro e nada nos aconteceu. Apanhámos inclusivamente o voo previsto sem qualquer atraso e sem muitos abanões graças a Deus e a Wakea. Por sorte, no primeiro dia, antes desta triste noticia se dar tivemos tempo de conhecer alguma coisa da ilha e priorizámos fazer a famosa road to Hana. E ainda bem que foi essa a prioridade pois foi mesmo a unica coisa que fizémos. Se tivessemos deixado isso para o segundo dia, sairiamos de Maui sem vem a principal atracção da ilha e seria uma grande perda.
A road to Hana nada mais é que uma estrada que parte da pequena localidade de Paia até á ainda mais pequena localidade de Hana e que é absolutamente deslumbrante e linda de morrer. Sao 83 km mergulhados num jardim encantado e ladeados da vegetação mais verde, mais densa e mais luxuriante. Sempre sob uma chuva miudinha que torna o caminho ainda mais mistico e contribui para manter a sua vida e beleza. Aqui e ali pequenas cascatas convidam a paragens para fotos trazendo um congestionamento ao percurso. Mas não faz mal. Ninguem tem pressa. Todos fazem o mesmo: avançam lentamente ao ritmo dos seus olhares observadores, sem pressa de chegar ao fim daquele jardim botânico a ceu aberto. No fim do percurso podemos ainda visitar a linda Pailoa Bay. Eu estava particularmente curiosa com esta enseada. É uma praia nao muito grande mas bem diferente do que já tinha visto pois tem a particularidade de no lugar da areia ter pedras roladas pretas. Estas lindas pedras reluzentes quais berlindes pretos trazem um visual á praia absolutamente diferente. A juntar a isso maravilhou-nos ainda o som da rebentação com as ondas a chocalhar as pedras á beira mar. Vale muito a pena este passeio. E vale muito a pena chegar até Pailoa bay. E sim a baía é linda. E o som das pedrinhas a rolar na praia é tudo.
Foi um dia pleno este que tivemos em Maui antes de ficarmos encurralados no hotel. Gostavamos de ter tido mais tempo para deambular pela ilha e conhecer os seus recantos. Porém sao só estas as memorias que temos de lá. Pouco mas bom. Pouca coisa vista mas tudo lindo.E Bom porque acabou bem. Finalizámos a viagem ao Havaii aqui e voltámos para Sao Francisco. Mas voltámos pouco tempo depois por termos gostado tanto e querermos logo repetir. Infelizmente da segunda vez fomos apenas a Oahu e por isso nao valeu haha. Queremos repetir ainda mais uma e outra vez porque adorámos a leveza de vida, os trilhos, a vibe surfista do north shore e os poke bowls ou açaí all over de place. Diz-se que a energia do Hawaii é poderosa. Diz-se que é um portal, que detem os chakras do nosso planeta e que é um dos locais mais espitituas da Terra. Nao sei se é isso tudo. Ou se é muito mais. Mas sei uma coisa: Há mesmo qualquer coisa de magico naquelas ilhas do pacifico.

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Kauai - O Hawaii nu e cru

Em boa hora decidimos vir a Kauai. A ilha luxuriante, é a mais velha ilha do arquipelago Hawaiano e sem duvida que a idade é um posto. Cheia de um verde exuberante e praias magnificas, Kauai é um ponto de passagem obrigatorio para quem procura encontrar o Hawaii mais intocado e mais puro. A nossa estadia foi muito curta mas ainda assim não invalidou que nos apaixonássemos pela pequena ilha. Alojámo-nos perto de Lihue, a principal cidade da ilha e feitas as diligencias com alojamento, carro e afins, largámos a bagagem e fizemo-nos logo á estrada. A ilha tem basicamente uma estrada principal que liga a zona oeste à zona norte da ilha. O norte é bem mais acidentado e por isso a estrada nao permite sequer circundar a ilha. Ainda assim o carro é essencial nem que seja para fazer essa estrada para a frente e para trás. No primeiro dia optámos por ver as Wailua falls, as bonitas cataratas que enfeitam o Wailua river e que se tornaram numa emblematica imagem da ilha e principal atração de Kauai. Trata-se de uma dupla queda de agua, como que duas cascatas gemeas que caem paralelamente numa bonita piscina natural. Essa piscina fica varios metros abaixo do nivel da estrada e é totalmente rodeada por vegetação densa o que faz parecer que a água mergulha num pequeno buraco no chao perdido nesse verde. O local é de dificil acesso e descer até lá é algo que leva bastante tempo, motivo pelo qual muitos optam por admirar da estrada. Infelizmente com o pouco tempo que tinhamos foi isso que fizemos também. Claro que a nosso ver, os trilhos no Hawaii sao uma atracção a não perder pois são um imenso parque de diversões para quem gosta de trekking. E a oferta é tão vasta que se torna dificil escolher em qual investir um par de horas. Quanto a nós, sem duvida queriamos fazer uns trilhos em Kauai mas tinhamos optado por fazer esse passeio no dia seguinte no maravilhoso Waimea canyon. Assim sendo seguimos caminho pelo Wailua state park,deliciando-nos com as maravilhosas vistas do rio ao longo da estrada e invejando aqueles que desciam prazenteiramente as suas aguas de kayak. Rematámos depois o dia em Poipu beach, onde chegámos através de uma linda estrada engolida por um tunel perfeito de árvores. No dia seguinte fomos então para o outro lado da ilha para o imponente Waimea canyon. A paisagem é de tirar o folego e mal podiamos esperar para fazer uns trilhos. O dia tinha acordado cinzentão e ,como a manha já ia avançada e prometia chuva, optámos por fazer um trail mais curtinho antes de almoço. Poderiamos depois ocupar a tarde com um mais longo quando abrisse um pouco mais o tempo.
na beira da estrada vimos umas placas a indicar o Kukui Trail, que concluimos ser um trail curto de uns meros 2.5km e que nos traria rapidamente de volta. Fomos por isso leves e ligeiros: nada de equipamento apropriado. Nem agua levámos. Afinal o trail era tao curto que nem valia a pena. Bebemos agua antes e beberiamos depois. 2.5km afinal de contas nao era mesmo nada. Claro que só podia dar disparate. Percebemos depois que não eram 2,5km e sim 2,5 milhas... para lá. E outras 2,5 para cá. Começámos o trilho. Poucos metros á frente começámos a descer. E assim continuámos mais um tempo. Iamos na conversa e tão distraídos na nossa galhofa que ninguem achou estranho que para serem 2,5km já teriamos de estar a voltar. mas o trilho descia e descia, não requeria esforço e era um passeio tao agradável que sem dar conta fomos continuando. Mas tudo o que desce tem de subir, certo? A certo ponto, quando finalmente nos caiu essa ficha achámos que algo estava errado e que não seria boa ideia continuar a avançar já que estavamos sem agua. Optámos assim por interromper o passeio e voltar para trás. Tinhamos muito, mesmo muito para subir. E nao bastando, a prometida chuvar esolveu não aparecer. Em vez disso as nuvens dissiparam-se e surgiu o sol, quente e abrasador que, impiedoso, nos fustigou toda a santa subida sem misericordia. Nao tardou para que se começasse a ouvir os queixumes e lamentos das miudas. e uns passos á frente a situação piorou e ja se arrastavam e desfaleciam sob o sol quente hawaiiano. Com isto demorámos uma eternidade para chegar ao carro, arranstando as miudas de sombra em sombra e pedindo agua a quem passava. o cenário era de filme e já nos sentiamos sobreviventes do "flight of the phoenix" a morrer á sede no deserto de Gobi.
O Luis , que corria ultratrails e estava mais que habituado a estas andanças, arrancou á frente para buscar a água e ficámos as tres a fazer o percurso a par e passo. A sua ausencia foi bastante curta mas ainda assim longa o suficiente para se dar uma situação caricata. Enquanto as miudas , um pouco mais recompostas subiam a passo lento o trail, eis que avistamos lá em baixo um homem...nu. E a bem dizer, devia de facto vir mais leve pois subia o kukui trail rapidamente atrás de nós. Também nao me pareceu que tivesse muita sede. Devia ter muita agua...nos bolsos. Ora bem: eu até achava que tinha uma mentalidade aberta. E na verdade nem tenho nada contra os naturistas tao pouco. Sei porém que devo ter muito a evoluir ate ter toda esta aceitação pelo corpo que tem quem anda nu por aí... Ainda não cheguei a esse nivel de evolução, la está. E ao confrontar-me com a situação de ter de cruzar com um homem nu num trilho fininho, estreitinho e apertadinho, achei que se calhar não tenho essa abertura de mentalidade toda e sou muito mais bota de elastico do que pensava. Mas, ainda assim, em minha defesa queria só elucidar que o trilho era de facto fininho. E estreitinho. E ainda apertadinho. Dqueles fininhos, estreitinhos e apertadinhos que se não nos desviarmos bem para a berma corremos serios riscos de cruzar com o outro e tocar-lhe em qualquer coisa ...( cruzes canhoto)
Ora dada a energia e leveza do senhor, e o nosso ar de sobreviventes do deserto de Gobi, não foi dificil ele aproximar-se para nos ultrapassar.E sabe Deus o que tentámos acelerar o passo com os resquicios de energia que tinhamos. La nos desviámos o mais que pudémos, espremidas na berma para lhe dar todo o espaço necessario. "Boa tarde e tal", olhar para baixo, evitar risadinhas parvas e todo o procedimento que se deve ter quando se cruza um desconhecido nu num trilho apertado do hawaii. E numa daquelas fracçoes de segundo desconfortávais que subitamente parecem uma eternidade eis que o Sr teve uns laivos de iluminação e achou por bem parar a pedir direcções. Really? E lá tinhamos ar de quem sabia onde estava? O trilho é so um, ok? ou vais para cima ou vais para baixo...(suspiro)! La despachamos o homem rapidamente, chegou o Luis com a agua e rematámos o trail com uma experiencia daquelas que nos envergonha contar: seja pela situação bizarra, seja pela nossa irresponsabilidade de nao levar agua, seja pela inexperiencia em calcular correctamente a distancia, ou pela nossa preparação fisica da treta. Enfim...o Kukui trail revelou-se uma aventura e já não houve nenhum trail da parte da tarde. Trouxemos esta experiencia do canyon e ficou algum arrependimento por nao termos tirado partido á seria dos melhores trilhos que ele oferece. Os trilhos no hawaii não sao para brincadeiras e merecem o devido respeito e atenção.Fica a promessa de voltar. Com a devida quantidade de água.

domingo, 2 de agosto de 2020

Oahu - a porta de entrada do paraíso

O arquipelago Hawaiano foi anexado aos Estados Unidos por volta do ano 1900 tornando-se o 50º estado americano. É composto de várias ilhas, inicialmente habitadas pelo povo Polinesio, mas apenas 7 delas permanecem habitadas. É em Oahu, a terceira maior que se encontra Honolulu, a capital do estado e foi precisamente por aí que entrámos.

Como toda a gente sabe, as ilhas têm origem vulcânica  e é exactamente nestas ilhas do pacífico norte que se encontram os dois  vulcões mais activos do Mundo: o Mauna Loa e o Kilauea.

Andávamos nós a braços com o drama de como encaixar as 4 ilhas que queríamos ver nos nossos míseros dias de férias quando o Kilauea resolveu dar um arzinho da sua graça e ficar particularmente mais activo numa das maiores erupções vulcânicas que alguma vez lhe tinham  registado. ( só para animar a coisa)

Cuspiu lava incandescente  de forma efusiva vários meses antes da nossa viagem, criou uma nuvem ácida imensa sobre a cabeça de todos e, assim, colocou o estado em alerta vermelho interditando o acesso á Big Island.

Porém, e como o Kilauea está localizado no extremo sudeste da Big Island, que por seu turno fica também no extremo sudeste do arquipélago a sua erupção acabou por não comprometer  a visita ás  restantes ilhas.

Claro que isto comprometeu a nossa visita á Big Island e ao Parque dos Vulcões que era algo que queríamos muito ver mas por outro lado resolveu-nos um grande dilema. O percurso ficou naturalmente delineado:  São Francisco-Oahu-Kauai-Maui-são Francisco.

Entretanto depois desta primeira viagem ao hawaii voltámos mais uma vez mas ainda não foi dessa que visitámos a Big Island e os seus vulcões cuspidores de fogo.  Dizem que á terceira é de vez. E Também dizem  que 3 é a conta que Deus fez.
Por isso, e só para não se dar o caso de Deus ou o Universo andar distraído, é só para avisar que estamos á espera que a terceira vez venha ;) .


Aterrámos finalmente no estado americano do Hawaii, na bela ilha de Oahu, e sentimos a temperatura quente abraçar-nos de imediato.

O aeroporto pareceu subitamente descontraído e percebemos logo que chegámos a um país tropical.

Não muito longe deste fica a cidade de Honolulu, a uns parcos 25 minutos de táxi. 
Perfeitamente americanizada, Honolulu tem tudo o que se espera de uma grande metrópole com tudo o que há de bom e de mau: restaurantes para todas as carteiras, lojas de griffe e animação mas também prédios com fartura,  e até bastantes sem abrigo.

Mas depois chegamos ao centro nevrálgico, Waikiki, adoramos o seu ambiente descontraído e a parte menos bonita da cidade relativiza-se rapidamente.
É impossível deixar de gostar deta capital que junta toda uma vida cosmopolita ao espirito relaxado dos trópicos.

Não conseguimos evitar uma invejazinha á vida local, onde a pausa para o almoço dá direito a pôr o pézinho na areia branca ou a umas braçadas num mar absolutamente transparente.

O hotel Alohilani Resort foi a opção escolhida. Perfeitamente situado no centro de Waikiki, junto á av Kalakaua, a principal artéria, que percorre toda a marginal.

A praia é logo do outro lado da estrada, uma enorme baía de areias claras e aguas cristalinas rematada pelo exlibris da cidade: a cratera do vulcão já extinto Diamond Head.

Ao longo da orla costeira circulam turistas descontraídos e locais de espirito livre e relaxado. Vive-se com uma prancha debaixo do braço numa rotina despreocupada, entre os calçoes e os chinelos.

Largámos as coisas e fomos saborear a enseada. Tocar o mar. Nem podíamos crer que estávamos de facto “ali”.

Para ficar tudo ainda mais cor de rosa, a musica instalou-se no ar,os sons do ukelele fizeram-se notar e acenderam-se os archotes á volta de um pequeno palco na praia. Em pouco tempo surgiu um grupo de dançarinas de hula umas com trajes floridos, outras de branco com leis (o tipico colar de flores) ao pescoço ou na cabeça.

É  bonito de ver como as culturas polinesia, japonesa e americana já são uma só após o conflito da segunda guerra mundial. Ali dançavam e cantavam, lado a lado, unidos por uma tradição que já pertence a todos.

Ficámos pela praia até ao pôr do sol. Temos essa mania que é ver o por do sol em cada sitio que vamos. É um espectáculo diário com entrada grátis que nunca perdemos em viagem pois é diferente em cada canto do globo. Mas, em Waikiki o céu estava em brasa e com uma intensidade de cores que me permite afirmar com toda a certeza que nunca (mas nunca!) tinha visto um por do sol assim.

No dia seguinte empaturrámo-nos com um pequeno almoço maravilhoso á beira mar, cheio de granola e açaí  (uma constante hawaiiana), alugámos um jeep e fizemo-nos á estrada.

A melhor forma de ver a ilha é mesmo essa: alugar um carro e correr a ilha de lés a lés. Mustangs descapotáveis ou jeeps wrangler fazem as delicias de todos os turistas e permitem sair da metropole e procurar um hawaii mais genuíno. Foi o que fizemos nos dias seguintes.

Começámos pela visita à cratera do vulcão Diamond Head á saída de Honolulu e seguimos até á famosa Hanaúma bay, uma enseada maravilhosa repleta de corais que atrai os amantes de snorkeling. Infelizmente, sendo uma reserva natural existe uma infinidade de processos até lá entrar: filas,  dificuldades para estacionar, entradas pagas e visualização obrigatoria de filmes para sensibilizar á preservação. Enfim, toda uma parafernália de coisas chatas mas que infelizmente são mesmo necessárias ou já não haveria Hanaúma Bay para ninguém.

Lanikai e Waimanalo são também praias maravilhosas que inclusivamente figuram entre as nossas favoritas da ilha. Recordo mergulhos á chuva, praias quase vazias e trekkings de cortar a respiração nas zonas envolventes.

Um desses trilhos, O Lanikai Pill Box Hike, ainda que bastante concorrido leva-nos ao topo de uma encosta com uma das vistas mais soberbas da ilha.

Para os amantes de trail e trekking o Hawaii é, aliás, um grande parque de diversões. Tem trilhos espectaculares  e desafiantes que serpenteiam entre uma vegetação luxuriante e cascatas para depois rematar invariavelmente em vistas incríveis.

Para nós um dos pontos altos da viagem é mesmo a possibilidade de poder fazer um trilho diferente a cada dia.

Outra das atracções que mais gostámos foi o maravilhoso jardim botânico de Ho'omaluhia. Mais do que um local onde se preservam as plantas nativas é lá que está o cenário das fotos mais famosas de Oahu: A estrada ladeada de palmeiras que leva até ás montanhas jurássicas cobertas de verde e nevoeiro.

É talvez das paisagens mais impressionantes que vimos. Entramos nessa estrada e parece que o tempo pára. Faz-nos sentir que há qualquer coisa de  mistico no ar. As montanhas ao fundo  desenhadas a preceito, os passarinhos minusculos que se afastam á nossa passagem e as palmeiras estrategicamente posicionadas ao longo do percurso fazem com que todo o local pareça mágico. Sentimo-nos a mergulhar num postal.

Durante as nossas voltinhas pela ilha não poderia nunca faltar uma ida á North Shore, a região de Oahu famosa pelas grandes ondas. Ali reside o paraíso dos surfistas: as famosas praias Waimea bay, Banzai Pipeline e Sunset beach onde se disputam as grandes competições da modalidade.

Longe do ambiente mais turistico de Waikiki, é em North Shore que o verdadeiro espirito Hawaiiano irradia. A tal vidinha natural e em harmonia com a natureza que eu idealizava ser a vida de surfista, ali sim, está mais próxima da realidade.

A cidade base dessa zona é Haleiwa, um simpatico aglomerado de casas com um centro pequenino mas cheio de charme e personalidade. Optimo local para umas refeições ligeiras, rematadas por um shave ice para quem gosta (Not me - gelado de gelo picado cheio de corantes coloridos) e para uma cervejinha Kona ( haha! love the name!).

O mar não é sempre agreste, sendo possivel gozar das praias em versão calma e cálida durante os meses de Verão. Já no inverno surgem as ondas gigantes e os tubos perfeitos. Chegam surfistas de todo o mundo e o espetáculo toma lugar. Tivemos oportunidade de ver as duas coisas: a calmaria de Waimea num sunset de verão e a agressividade de Pipeline com ondas gigantes que rebentavam junto á costa e varriam todo o areal.


Pudémos sentir de perto a sua força num por do sol de inverno enquanto brincávamos na praia. Com uma onda particularmente inesperada, o mar roubou e devolveu num ápice tudo o que tinhamos pousado na areia. E tudo isto só para nos expor ao ridículo de ter de andar de rabo para o ar a apanhar os nossos pertences. Shame on you, Pacifico Norte!

Foi um momento de adrenalina pura. Ou para quem viu de fora, foi certamente o momento cómico do dia. Não é a toda a hora que se apanha meia duzia de cromos a correr ás voltinhas na praia atras de mochilas, toalhas, sapatos,  telemoveis e gadgets. Felizmente recuperámos tudo em condições. Excepto a auto-estima.

Sabem quando vamos a um local super cool sem querer dar o flanco que somos outsiders e queremos parecer super integrados nesse ambiente? Esqueçam....Labregos do pior.
Acredito piamente que mais dia menos dia encontro um video nosso num site de apanhados qualquer.

Valeu-nos um jantar no food truck Giovanny shrimp, com uma cervejinha comprada no supermercado do lado, para repor a energia, apaziguar a alma e esquecer a humilhação.

A visita a Oahu não ficaria completa sem uma manhã passada na base Naval de Pearl Harbor onde é possivel agora visitar exposições memoriais e fotos diversas sobre aquele que foi um dos dias mais tristes da historia dos Estados Unidos da américa.

Foi nesse dia, 7 de Dezembro de 1941, que o Japão fez um ataque militar surpresa a esta base naval, bombardeando incessantemente por duas horas. O ataque destruiu  navios de guerra e da marinha, submarinos e mais de 300 aviões. Mas a maior perda foi humana com cerca de 2400 mortos.

Nesse ataque , cerca de 1100 militares americanos estavam no navio USS Arizona. O navio naufragou em apenas 9 minutos levando todos consigo para o fundo da enseada onde ainda permanecem.

Curiosamente e apesar de ser tambem um local onde houve grande sofrimento, o espaço é um jardim arranjado e arejado pelo que a visita não é tão dolorosa como em outros sítios em que se preserva o local como era ( como acontece com campos de concentração ou Alcatraz, onde prefiro não ir como já mencionei). Isto facilita a visita aos mais sensíveis.

Terminámos aqui a visita por Oahu. Muito mais poderia ser dito. Há muito mais coisas para ver e fazer que tivemos de deixar para trás por falta de tempo.
No dia seguinte voámos para Kauai e a expectativa de conhecer a  Garden Island era grande. 





















terça-feira, 28 de julho de 2020

Hawaii - A escala na Califórnia




Há uns dois anos atrás resolvemos dar uma trégua nas nossas viagens á asia e fugir de ferias para o lado oposto do globo. A nossa filha mais nova como boa fã de youtubers americanas que é, massacrava-nos insistentemente para ir ao tal destino híper cool que via na net. Toda e qualquer influencer daquelas bandas já la tinha estado e as imagens que via alimentavam ainda mais essa vontade.

Tentamos sempre decidir os destinos com o apoio das miúdas e por isso, quando perguntámos para onde sugeriam uma próxima viagem a Rita não hesitou e disparou de imediato: Hawaii!

Claro que o entusiasmo estendeu-se aos restantes membros da família em pouco tempo. Não somos difíceis de convencer, é um facto.
E afinal, quem é que não sonha lá ir? Quem?

Sem dúvida é uma viagem que está no imaginário de todos os adolescentes. De quaisquer adolescentes. Dos adolescentes de agora (graças ás redes sociais que lhes preenchem a vidinha) e dos mais antiguinhos dos quais fiz parte há um par de anos (não mais :P)... e enfim, até dos adolescentes mais graúdos como  somos agora no auge dos nossos 45 aninhos.

Pois é…Não fui exceção. E certamente muita gente não foi. Certo que não havia redes sociais nessa época que agora parece tão distante. Mas havia revistas de surf maravilhosas que nos faziam sonhar. E as suas imagens transportavam-nos diretamente para essas ilhas idílicas perdidas no pacifico norte, onde cada local tinha nomes tão vibrantes como Honolulu, Waikiki ou Maui.

Não que eu fosse surfista. Não era, nunca fui, e qualquer pretensão que possa ter tido um dia de o ser, rapidamente ficou excluída depois de duas ou três tentativas frustradas. Lá está: Não era a minha onda (salve o trocadilho).

Porém, como uma boa teenager que era, admirava muitas vezes as paginas dessas revistas para ver fotos do Kelly Slater ou do Sunny Garcia bem como outros surfistas dos áureos anos 90, a desbravar uma bela esquerda em Banzai Pipeline ou uma das ondas gigantes de Waimea Bay.
Além disso acreditava em pleno que existia todo um suposto estilo de vida de surfista que incluía uma vida 100% descontraída, longe dos dramas dos adolescentes comuns, em perfeita comunhão com a natureza e num estreito relacionamento de respeito com o mar.

E muito embora tenha vindo mais tarde a constatar que muitos dos surfistas do meu ideal imaginário não seguiam esse conceito de vida á risca a verdade é que mantinha em mente a secreta esperança de que no Hawaii isso acontecia certamente.

Tinha por isso todo aquele entusiasmo reprimido de adolescente sonhadora em ver ao vivo e a cores o tal cenário do qual que guardei na memória as imagens que retirei directamente das capas das revistas.

Ficou esta vontade guardada lá no fundinho. Foi sendo um destino sempre utrapassado pelas viagens á Asia, que constam sempre no topo da minha bucketlist das viagens a fazer. Não que mereça menos protagonismo. Mas como é sabido por todos os meus amigos, a Asia em geral tem um lugarzinho especial no meu coração.

Mas, numa tentativa de buscar algo diferente do habitual, e por entre promessas á miúda mais nova, eis que num dia de entusiamo súbito, comprámos uns bilhetes para Honolulu.

Feitos todos os estudos para melhor encaixar o percurso pretendia nos nossos parcos dias de férias, escolhemos os voos para o seguinte percurso:

Lisboa- Los Angeles – São Francisco – Honolulu – Kauai – Maui –São Francisco – Lisboa.

Isto porque queríamos muito ver São Francisco que tinha ficado em falta numa outra viagem que fizemos anteriormente pelos estados do Utah, Arizona e Califórnia com perninha ao Nevada para ver Las Vegas. (a ver se escrevo sobre esta num futuro próximo).

E vai daí empacotámos a tralha e saímos para uma das viagens mais longas que fizemos.

         

Aterrámos Los Angeles por uns dias. Gostamos de fazer umas pausas nas escalas. Não só serve de merecida interrupção a voos que se apresentam demasiado longos e aborrecidos, como inclusivamente permite ir conhecendo locais novos, algo que considero crucial e entusiasmante numa viagem. 
Neste caso resolvemos primeiro matar saudades de locais onde já estivéramos, como um “voltar a casa” antes da largada final para mares nunca dantes navegados.

Soube-nos lindamente as corridinhas matinais a admirar a o magnifico bairro de Beverly Hills e relaxar entre os passeios para um copo de vinho, nachos e guacamole.
Voltámos ao pier de Santa Mónica e ás suas ruas repletas de animação que tanto gostámos. E voltámos a ficar desiludidos com o frenético quarteirão de Hollywood que não é mais que isso: um quarteirão. Aliás , um quarteirão estupidamente turístico.

E feito isso subimos as colinas circundantes em busca do local perfeito para a foto o mais instagramável possível com as letras de Hollywood. Obviamente isto era um dos pontos altos para as nossas filhas que não estando mais em idade de cabide estavam então com os dois pés juntos na idade instagram.



  
























Feitas essas diligências metemo-nosá estrada. Queríamos pelo caminho conhecer dois dos parques naturais mais bonitos dos estados unidos e do Mundo: Sequoia e Yosemite.
A imensidão dos parques dos Estados Unidos é absurda! Para o belo do tuga que habita neste país pequenino, em que todas os nossos “grandes” parques naturais estão a uma curta distância de qualquer zona habitada, as áreas destes parques deixam-nos perplexos.

A imensidão é mesmo qualquer coisa! O tempo que se despende no parque é sempre mais do que o esperado e ainda assim sempre menos fo que merece.  Desde o momento que entramos até chegar á floresta de sequoias podemos demorar bastante tempo. Mas ver estas árvores com mais de 80 m de altura vale cada segundinho do percurso.

Quando vislumbramos as primeiras sequoias gigantes não conseguimos conter um esgar de admiração. Estamos perante um dos seres vivos mais antigos do planeta, autênticos fosseis vivos. 


 


São árvores milenares que, quer pela sua altura ou diâmetro do tronco, deixam qualquer um boquiaberto.

Infelizmente durante anos foram dizimadas pela sua madeira e tiveram de ser feitos vários esforços no sentido de preservar a espécie. Hoje em dia, estão protegidas por lei nestes parques naturais que são autênticos museus vivos.

Todos sem excepção deveríamos visitar uma floresta de sequoias uma vez na vida que fosse.
Para que sentíssemos a sua imponência e a força majestosa que a natureza tem no seu estado mais puro.

Para nos podermos sentir pequeninos nem que seja por um momento. Talvez, se descêssemos á nossa humilde insignificância , nos fizesse respeitar um pouco mais o planeta em que vivemos.


                    

Mas lições de moral á parte já pela tardinha largámos do parque. Tínhamos uma viagem a fazer até á proximidade de Yosemite National Park para que pudéssemos visitar no dia seguinte.
Infelizmente o parque estava a ser assolado por um dos piores incêndios da sua história e não nos foi possível visitar.

O fogo de 2018 no Yosemite National park foi tão imenso que ficou na história pelos piores motivos. Foi tão grande que teve direito a ser baptizado. E este horror chamado Ferguson Fire assolou por um mês inteiro e as suas chamas devoraram cerca de 390km2. Inimaginável.

E foi desolador chegar á entrada do parque e constatar a tristeza nos olhos de quem vive próximo. O seu amor ao parque era tão óbvio que a cada palavra sentia-se a dor e o choque pelo que estava a acontecer.

Tivémos tanta pena de não ver Yosemite que prometemos voltar um dia para colmatar a falha.
Espero um dia poder ver o parque em todo o seu esplendor.

E assim, após uma noite mal dormida em Fresno (cidadezinha sem graça) lá chegámos a São Francisco (San Fran para os amigos).

Que dizer desta cidade senão que Adorei? Adorei!

É uma cidade giríssima, com uma geografia única, cheia de recantos simpáticos e repleta de vida e personalidade.

Não fizemos necessariamente os percursos mais turísticos. Acho que com o tempo perdemos o interesse em andar a correr atrás de toda e qualquer atração e entrar na azáfama louca de tirar um retrato em cada spot só pela obrigação desenfreada de fazer o top 10 de cada local. Obviamente tal como ninguém vai a Paris sem ver a torre Eiffel, ha sempre atrações cruciais a não perder mas hoje em dia deixamos fluir muito mais a nossa estadia para dar espaço para as surpresas aparecerem. E acima de tudo, eu em particular, aprendi a deixar de me sentir culpada de não ver isto ou aquilo. 


                                    
E por isso não vimos algumas das principais atracções. So what?

A golden gate estava coberta de nevoeiro e só lhe víamos as “partes baixas” e por isso nem
nos demos ao trabalho de atravessar. Também não fomos ver Alcatraz. Não tratámos do bilhete antecipadamente. Em todo o caso também não tivemos  pena de não ver.

Não sou muito adepta de ir a sítios muito sofridos. Sei que há determinadas zonas históricas que devemos sempre ir para não esquecer a desgraça que lá se passou. Para que as próximas gerações tenham sempre em mente os grandes erros da humanidade e não o repitam mais. 

Porém, e contraditoriamente, gosto de trazer das ferias um sentimento de paz. Não apeteceu ir a locais com uma energia pesada ou negativa pelo que até me soube bem dispensar este tipo de atracções turísticas.

Acho que já tinha feito este comentário no post de Ho Chi Mihn, onde saímos a meio de uma visita ao museu de Guerra :/  .

Mas sim andámos de electrico rua acima e rua abaixo, pendurados meio dentro e meio fora da carruagem  como manda a sapatilha. Também vimos as painted ladies, as casinhas coloridas com a traça típica da cidade e ainda tivemos tempo de descer a florida lombard street com as suas curvas e
contracurvas tão emblemáticas.

     


Visitámos o pier 39 e os seus leões marinhos, majestosamente espojados ao sol e que tirando o cheirinho a pexum vale sem duvida uma visita. E sem duvida passeámos muito pela cidade.
Perdemo-nos nas ruas entre muita subida e muita descida. Apreciámos as esplanadas na baixa  e vimos as ruas encherem-se de gente em china town.

E sim, viemos a amar a cidade. Viemos de barriguinha cheia para o pouco tempo que tínhamos, que no fundo foi só uma escala.

E apesar de adorar a cidade mal podíamos esperar para lhe voltar as costas. No dia seguinte as emoções estavam ao rubro. O voo partia cedo para Honolulu, capital de Oahu, no estado do Hawaii. E mal podíamos esperar.














terça-feira, 29 de agosto de 2017

Macau - Já cheira a Lisboa

Tal como foi divulgado por todo o Mundo, Macau foi fustigado pelo Tufão Hato de intensidade 10 que deixou um rasto de destruição bem como várias vítimas. Não bastando a imensa desgraca, passados poucos dias um segundo tufão nível 8 abateu-se novamente sobre a região. Foi graças a este segundo que ficámos retidos em Bangkok, com o nosso voo a ser cancelado como ja se esperava. 


Tínhamos o nosso voo de regresso a casa a sair de Hong Kong e vimos o caso mesmo mal parado. 
Felizmente á tarde o tufão foi perdendo força e finalmente deu tréguas baixando de nível de intensidade oito para o nivel três. E Assim depois de muitas horas no aeroporto lá conseguimos embarcar no primeiro voo da Air Macau. 
Tenho que referir que andar de avião é apenas algo que tolero para poder chegar a um destino. Consigo pensar em mil e uma coisas ao mínimo solavanco de turbulência. E sim, tenho uma imaginação fértil. Mas posso afirmar com orgulho que já consigo evitar agarrar-me com unhas e dentes aos braços do meu assento. E acho até que se olharem para mim durante a turbulência até pareço calma e civilizada. Mas não se iludam 😳. É só fachada.
 Claro que saber que ia no primeiro voo para Macau após a passagem do tufão Pakhar não ajudou á festa. 
Derreti a bateria do telemóvel a acompanhar o rasto do tufão nos sites oficiais de meteorologia e geofísica de Hongkong e Macau, melguei uma colega de faculdade que lá vive e vi todas as notícias que pude. E entrei aterrorizada á mesma.
Mas contrariamente ao esperado o voo correu bem. Não sacudiu mais que outro voo qualquer.
Porém á chegada fomos brindados por uma nuvem densa que parecia não ter fim e que escondeu as luzes da cidade quase até tocar o chão o que já foi o suficiente para rezar a todos os santinhos. Quando finalmente a cidade se tornou visível apareceram as rajadas de vento só para dar mais uma emoção extra... 
Aterrámos debaixo de uma enxurrada sem direito a manga de ligação ao aeroporto (ninguém merece!) e posso dizer que nos dois metros que separaram as escadas do autocarro ficámos que nem uns pintos e a Rita Ainda deu uns passos para o lado com a ventosga. 
Felizmente no dia seguinte o tempo estava mais simpático e pudémos conhecer a cidade. 
Isto com direito a chuvadas potentes de quando em vez. 
Escusado será dizer que Macau estava uma desgraca. Árvores partidas ao meio como palitos ou arrancadas pela raiz , vidros partidos e levados das fachadas envidraçadas dos hotéis, cercas de chapa retorcidas enfim...dava dó. 

Foi uma pena não podermos ver Macau em todo o seu esplendor. Esperávamos encontrar uma Las Vegas oriental cheia de espectáculos luminosos e em vez disso vimos uma cidade meia apagada. Foram tomadas  estas medidas de poupança energetica depois de se  ter ficado sem água e luz por bastante tempo após o tufão Hato. 
A população Ainda a recuperar do susto tentava limpar as ruas e recomeçar o seu dia a dia mas a catástrofe Ainda era muito visível. 
Ainda assim fomos aos principais pontos turísticos da península correndo as ruas onde se pode Ainda ver a passagem dos portugueses. Não deixa de ter a sua piada ler os letreiros do aeroporto ou os nomes das ruas em Português. Vagueando nas ruas de calçada portuguesa encontramos edifícios coloniais e por momentos abstraímo-nos das lojas chinesas em redor e sentimos que estamos num qualquer largo lisboeta. 


Conseguimos inclusivamente comer o belo do pastel de nata e beber uma super bock. Claro que precisámos de uma cicerone para nos levar aos locais certos. E tivemos a sorte de encontrar uma portuguesa muito simpática que se revelou a pessoa certa para descobrir os melhores spots portugueses. Caso contrário os pasteis de nata teriam sido um fiasco já que se assemelham mais a pudim mandarim dentro de massa folhada. Mesmo.


Á tarde enfiamo-nos  nos centros comerciais dos hotéis e casinos de Taipa. Até porque o nosso hotel também era lá. Depois de termos estado em Las Vegas é inevitável estabelecer comparações. Muito embora em menor número os Casinos que lá existem são igualmente gigantes e monstruosos. Aliás tão  grandes que nos perdemos dentro de um e tivemos certas dúvidas se sairíamos de lá algum dia. Tipo o Asterix nas pirâmides. 


Quando ao final do dia encontramos finalmente o acesso ao hotel caímos redondos na cama. No dia seguinte acordámos cedo para a epopeia até portugal: shuttle, ferry,avião, escala, novamente avião e uber para rematar. 
E sim já estamos em casa com o nosso Belchior. Gratos por tudo ter corrido bem e por termos tido a oportunidade de conhecer mais um pedacinho do Mundo. Pelo tempo passado em família cheio de momentos divertidos que vão ficar para sempre na nossa memória. E acima de tudo gratos por chegar a casa para junto de quem nos é mais importante. 


sábado, 26 de agosto de 2017

Koh Samui - Muay Thai e pouco descanso

Como é habitual rematamos a nossa viagem com uns dias de descanso , de papo para o ar na praia antes de voltarmos a casa. Este ano queríamos muito ir a El Nido nas Filipinas, um destino que desejamos há muito conhecer e que se tornava viável dada a proximidade do Vietname e de Hong Kong de onde partiria o nosso voo principal.  
Sabíamos que existia nas Filipinas um grupo terrorista, o Abu Sayyaf simpatizante do Daesh muito embora numa zona completamente diferente e muito distante geograficamente de El Nido. Mas este ano, o presidente das Filipinas Rodrigo Duterte decretou a lei marcial para acabar de vez com a onda criminosa que abala o país. Isto levou a um aumento dos confrontos entre militares e militantes islamicos e fez com que os EUA emitissem em Maio deste ano, um comunicado para que se evitasse viajar para a região. Claro que os confrontos são em Mindanao e nós queríamos ir para Palawan que é bastante afastado e segundo as autoridades muito seguro também. Mas depois de ouvir falar de alguns confrontos em Puerto Princesa, já em Palawan, pusemos definitivamente a ideia de parte e desmarcamos tudo. Muita gente continua a viajar para El Nido e garante que é seguro mas eu gosto de ir de férias para relaxar e não para estar em sobressalto a pensar que pode acontecer alguma coisa. Por isso acabámos á última da hora por desmarcar o que já estava marcado nas Filipinas e alterar a nossa praia para  Koh Samui, na Tailândia.


 Esta é a nossa terceira vez na Tailândia mas nunca tínhamos estado em Koh Samui e para dizer a verdade a Tailândia é um sítio onde gostamos sempre de voltar e um dos países que mais gostamos no sudeste asiático. A Tailândia já tem tudo o que se espera de um bom destino turístico: Bons resorts, Bons restaurantes e muitas actividades para todos os gostos. Mas não só. Mais que um destino de praia a Tailândia tem toda uma vertente cultural para conhecer. 


Em Koh Samui aproveitámos para relaxar nas piscinas do hotel e na praia. Não tivemos grande sorte com a praia que apesar de linda tínhamos água pelas canelas numa grande extensão. Isto na maré cheia 😩 porque quando vazava a maré o mar simplesmente desaparecia. Recuava mesmo muito. Mas Ainda assim a praia era linda. Pelo menos dava para olhar e babar. 😂 Alugar uma moto é sempre uma opção. Claro que também o fizemos pois tínhamos combinado ir a Pier Nathan visitar uns amigos que por coincidência estavam em Koh Samui na mesma altura. Mas tenho de confessar que não me senti tão confortável com a experiência como em Ninh Binh no Vietname. Em Tam Coc o trânsito é calmo e todos andam devagar. Na Tailândia nem por isso. Todos aceleram e não bastando conduz-se á direita. Ou seja: devia estar completamente parvinha de todo quando decidi aceitar que alugássemos duas motas. Sim, otária mesmo. 


O trânsito nas localidades é confuso . Todos se atravessam á nossa frente vindos de onde calha e Ainda por cima do lado errado da estrada. Hello???? 
Por isso quando atravessamos zonas como Bophut ou Chaweng só estamos desejosos que a localidade acabe de vez para ter algum sossego. Mas depois fora delas conduz-se muito rápido. Todos nos ultrapassam encostados como se estivessem prestes a roubar-nos o espelho retrovisor. E isto aplica-se a motas carros ou camiões e com uma velocidadezinha bastante razoável. Felizmente existiam bermas na estrada toda que rapidamente passaram a ser a minha faixa de rodagem. Saravá irmão.Adiante: a verdade é que graças á motoreta lá demos a volta á ilha, e ainda fomos almoçar no local com a vista mais bonita de Koh Samui: o jungle club. Claro que para lá chegar tivemos de fazer uma estrada horripilante, extremamente íngreme selva acima . Estrada essa que para dizer a verdade nem sei como consegui subir e descer sem me esbandalhar de mota por ali abaixo. Mas Ainda assim depois de rogar inúmeras pragas pelo caminho chegámos lá e achámos que a vista merece todo e qualquer esforço. Simplesmente maravilhosa. 




Não bastando Ainda acabámos por ficar com a bendita Mota durante o resto da estadia em Koh samui para mais facilmente nos deslocarmos entre o hotel e as localidades mais próximas : Lamai e Chaweng. 
Isso permitiu também que intercalássemos a lanzeira da praia (que me aborrece um pouco) com algumas actividades e passeios. 
Uma das opções que arranjámos foi frequentar aulas de Muay Thai numa academia próxima. Foi uma experiência maravilhosa. Já tinha alguma curiosidade neste desporto mas poder experimentar a praticá-lo aqui, onde é a sua origem, com um professor local e numa academia tailandesa foi deveras maravilhoso e sem dúvida o ponto alto da estadia na ilha. 


Entretanto conversa puxa conversa e soubemos que o filho do instrutor iria combater no dia seguinte no estádio de Muay Thai de Chaweng. Acabámos por ir ver o combate mesmo em vésperas de ir embora com a promessa de só pagarmos 2 bilhetes de adulto (para mim e para o Luis). A Rita não enquanto criança  não pagou  e a Margarida entrou á revelia como familiar do lutador... ( aliás é parecidissima. Principalmente nos olhos em bico). 
Definitivamente o que adorei na aula não gostei no combate. Não é mesmo a minha praia ver 2 homens a espancarem-se num ringue. Para mais  que o filho jogava no último combate e tivemos de ver outros 5 antes. 
Não bastando assistimos ao KO de um chinês ás mãos de um australiano. Para a nossa estreia na plateia não foi mau 😳😬. Ficou esparramado no chão após uma cotovelada com direito a pirueta e tudo por parte do adversário e  saiu de maca enquanto o outro rejubilava em saltos frenéticos.... ☹️ Mas saiu do estádio pelo seu próprio pézinho, fresco e fofo como se nada fosse. 
Quando finalmente o filho do instrutor subiu para o ringue percebemos que o adversário era duas vezes o seu tamanho. Muito embora o miúdo fosse um bom lutador acabou por perder ás mãos do gigantone. Toda a família saiu triste e o puto de braço ao peito. Enfim... not really my thing.
Mas valeu pela experiência de assistir a algo tão emblemático da Tailândia como são os campeonatos de Muay Thai. Tinha curiosidade, vi e está bonzinho assim. Não é preciso mais, muito obrigadinha. 
No meio disto tudo o melhor são as aulas. São mesmo top. Dispensa-se o resto. 
E Acabaram assim os nossos dias em Koh Samui. Quanto aos dias na Tailândia vamos ainda ver se acabaram ou não; novo alerta de tufão em Macau para onde seguiríamos. Resultado? Voo cancelado, obviamente. Pelo menos 1 dia inteiro enfiados no aeroporto de Bangkok já cá canta 😬. 


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Ho Chi Minh city - Saigão e o lado cultural do Vietname

Bem... que dizer de Ho Chi Minh? Ao contrário do expectável nós gostámos da cidade.  Das duas uma : ou entrámos por uma zona mais moderna e cosmopolita e por isso a primeira impressão até foi boa ou vínhamos com uma expectativa baixa e acabámos por nos surpreender positivamente . 
A verdade é que a cidade é bem mais ocidentalizada que Hanoi, com avenidas largas e organizadas e pontilhada por alguns edifícios de traça europeia, resultado da ocupação francesa. Claro que a confusão está sempre presente com motas  aos milhares, enchendo as ruas e Ainda circulando pelo passeio se necessário. Ainda assim achámos uma cidade bastante agradável para andar a pé. 

Quando chegámos optámos por correr o centro , apreciando a  catedral de Notre Dâme, construída pelos franceses em 1863, a antiga estação dos correios e o palácio da reunificação. Deixámos o museu da Guerra para o final da tarde para que pudéssemos despender de um par de horas por lá. Esta visita ao museu é como um mergulho no passado recente do país e permite um conhecimento mais profundo sobre a história de uma das guerras mais sangrentas do mundo. 


Á entrada pode logo ver-se algumas das máquinas de guerra utilizadas pelos Estados Unidos: helicópteros, caças, tanques de guerra e toda uma parafernália de artilharia pesada, nomeadamente um grande helicóptero chinook utilizado para transporte de soldados e armamento. 
Mais á frente existe uma representação da prisão de Cao Dao que se situava numa ilha com o mesmo nome a sul do país. Pode ver-se uma vasta coleção de cartazes onde se mostra as condições e torturas infligidas aos prisioneiros de guerra durante a mesma. As imagens são chocantes. Mas mais chocante Ainda são as salas no primeiro piso, repletas de fotos das atrocidades cometidas pelos americanos durante a guerra. Imagens sangrentas dos resultados dos ataques,  imagens de soldados ostentando troféus das suas missões sanguinárias, tais como os crânios das próprias vítimas. Imagens das torturas feitas aos rebeldes, a crianças, a todo e qualquer um. 


Imagens dos ataques químicos ( o chamado agente laranja) com que devastaram a região deixando um impacto horrível na população da época e nas gerações seguintes.  Ainda hoje o Vietname sofre os resultados da exposição a esse agente químico, tendo um número de nascimentos de pessoas com deficiência severa bastante elevado. 
Resumindo: o museu é um arrepiante conjunto de fotos que nos envergonha enquanto seres humanos. Como é que se deixou isto acontecer?
Claro que sendo este museu património do governo do Vietname, naturalmente mostra acima de tudo um lado da moeda. Mas Ainda assim nada justifica as torturas sórdidas, macabras e com requintes de malvadez infligidas pelos americanos. Chegam a tomar contornos maquiavélicos e é impressionante como as mentes de jovens soldados se transformaram em mentes de psicopatas aquando em contexto de guerra, depois de instigados. Acabei por sair a meio pois não fui capaz de prolongar mais a visita ao museu. 


Apesar de eu ser daquelas pessoas que acha q devemos ver este tipo de museus para que não se esqueça o que aconteceu e se possa manter consciente a necessidade de evitar estes conflitos no futuro, a verdade é que muitas vezes acabo por ser a primeira a não querer ir. Tenho de admitir que me incomoda bastante visitar locais onde tenha existido ou seja retratado um grande sofrimento. Alguns simplesmente não vou, como é o caso dos campos de concentração. Outros, quando vou só me apetece sair rapidamente.  E este museu não foi excepção. A visita acabou por ser mais curta do que o esperado. 
No dia seguinte fomos ver os Túneis de Cu Chi. A outra face da moeda. 
Cu Chi tinha uma localização estratégica dada a sua proximidade com Saigão, com o rio e com a fronteira do Camboja. Para se compreender o contexto e de uma forma resumida basicamente após o fim da ocupação francesa o Vietname ficou separado em 2 regiões diferentes: o Norte comunista e o Sul. Porém o Norte começou a tentar reconquistar o sul. Para isso contou com o  apoio da China e da Rússia, mas também de vietnamitas comunistas do sul que criaram uma frente guerrilheira, também conhecidos por Vietcong. Estes guerrilheiros instalaram -se em Cu Chi vivendo vidas simples de agricultores até ao momento da guerra. 
Os túneis de Cu Chi, foram escavados pelos vietcongs, e era uma complexa e apertada rede de túneis  por onde escapavam sempre que precisavam. Aí viviam e refugiavam-se enquanto combatiam o exército americano que veio entretanto apoiar o Vietname do sul. Estes tuneis, junto com um vasto leque de armadilhas engenhosas e maquiavélicas foram as principais armas dos Vietcong durante a guerra. 
Sim, também tiveram bastante de maquiavélico, atacando os soldados americanos muitas vezes sem os matar para poder prolongar o seu sofrimento. Fizemos a visita a todo o espaço e tenho a dizer que os túneis são deveras impressionantes. Só o Luis e a Margarida se aventuraram a percorrer alguns metros. A entrada é claustrofobica, desce vários metros sob a rocha , o ar torna-se pesado e sentimos que não se pode respirar. Os túneis maiores permite-nos andar agachados mas os mais apertados permite apenas rastejar e ainda assim somente os vietcongs da época com uma fraca alimentação e os seus parcos 45 kg lá cabiam. É deveras assombroso ver as tocas onde se enfiavam. 





A guerra terminou com a reunificação do Vietname ás mãos do Norte comunista mas Ainda hoje é visível a antipatia entre os povos das duas regiões. 
Ao  final do dia aproveitámos para ver toda a zona do mercado central que para não variar tem um mercado nocturno e zonas de street food bastante convidativas. 
Optámos por não ir ao delta do Mekong pois o percurso era longo e demorado e pelo que percebemos não deveria ser muito diferente de outras zonas onde já estivemos antes. Ficou por aqui a nossa visita á antiga Saigão e também ao Vietname . Amanhã partimos para Koh Samui, Tailândia para uns dias merecidos de praia.