sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Tam Coc - o Vietname que ansiávamos

Finalmente 4 horas de carro depois chegámos a Tam Coc na província de Ninh Binh. Tam Coc foi uma lufada de ar fresco na nossa viagem. Um vilarejo pacato e prazenteiro cheio de pessoas sorridentes e simpáticas e inserido numa paisagem de cortar a respiração.
A toda a volta imponentes penhascos semelhantes ao que vimos em Halong, só que só invés de emergirem do mar surgem no meio dos arrozais á semelhança do que vimos na nossa viagem a Yangshuo na China.
Acordámos cedo e pegámos nas bicicletas que o hotel tinha de cortesia para os seus hóspedes. Começamos por atravessar a pequena localidade para depois virar para os trilhos no meio dos campos de arroz. Ali sem o barulho da estrada, onde o silêncio se apodera de nós , a paisagem ganha uma imponência gigante. Sentimo-nos lá. Como se fizéssemos parte do quadro. Do todo.


 E, rapidamente saimos deste cenário poético e tudo se transforma numa cena de comédia:
Saimos do caminho para um outro menor. Segundo depois começa a chover e tudo se transforma num estreito trilho enlameado. Tentamos seguir umas vezes em cima da velha bicicleta pasteleira outras empurrando-a entre os charcos. O caminho estreita mais um pouco e subitamente percebemos-nos que está obstruído por 5 ou 6 vacas que preguiçam deitadas no caminho.  Enquanto o Luis tenta que levantar as vacas a Rita perde as havaianas algures numa poça barrenta. Quando olho para ela vem descalça de um pé e besuntada de lama até ao joelhos. Acha o chinelo, começa a rir , desequilibra-se e cai noutra poça de lodo, enquanto tenta sair deixa cair a bicicleta na lama e por fim tivemos de lavar os chinelos e a miúda na água dos arrozais. 


Definitivamente essa coisa das cenas poéticas não é para nós. 
Da parte da tarde optámos por alugar 2 motas pela módica quantia de 2,5€ por mota. Queríamos ir para uma zona mais afastada onde não chegaríamos facilmente de bicicleta. Além de que queríamos fazer uns quantos km á boa moda vietnamita e devolver umas buzinadelas a quem passa. A chamada vingança da buzinadela. 
Ao chegar ao nosso destino optamos por fazer um passeio de barcaça nos canais em torno dos penhascos. É um passeio muito famoso na região. Estávamos com vontade de bypassar este passeio pois nao tínhamos vontade de estar 2 horas enfiados num barco. Felizmente optamos por fazer. Tinha sido um grande, para não dizer um imenso disparate, não o fazer. Foi maravilhoso. A paisagem não tem descrição possivel. O silêncio e a paz do local são indescritíveis e não sei se consigo transmitir nas palavras a imensidão do lugar. 


Tentando descrever o cenário lembro-me acima de tudo de uma palavra: quietude. 
Seguimos ladeados por penhascos gigantes, navegando na água de tonalidade verde escura. Podia ver-se a sua transparência deixando antever a vegetação subaquática, como pinheiros submersos que espreitam á superfície de quando em vez. 


A pequena embarcação seguiu contra um dos penhascos como se fosse embater na imensa parede verde. Mas em vez disso entrou por uma estreita gruta recortada na rocha. 
E quando nos apercebemos estamos debaixo do imenso penhasco, dentro dele, num trajecto tão apertado que por vezes temos de nos baixar para não bater com a cabeça. E só ao fim de uns 250m acaba e saimos num local ainda mais silencioso. Mais calmo, onde as águas estão tão serenas que espelham as montanhas num retrato perfeito. E a seguir outras grutas imensas. E depois mais  recantos, mais verde e mais quietude. E sucedem-se até que saimos por fim no local de início do percurso. E voltamos ao hotel completamente extasiados. Foi um dia lindo e perfeito. Cheio de cenários lindos e de momentos em família. Um dia como já ansiávamos ter no Vietname. 


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