segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Beijing...ou o tal sitio que fica ao lado da Grande Muralha da China

Ni hao!!! Acabámos de chegar de uma viagem á China! Ainda estamos com as emoções ao rubro e vou aproveitar a pedalada para tentar resumidamente falar desta maravilhosa experiência, já que não pudemos ir dando novidades via facebook por este estar interdito por lá.


Aproveitámos uma óptima promoção da Fly Emirates que vimos há uns meses atrás e comprámos passagens de Lisboa para Pequim com regresso por Hong Kong. O voo faria escala no Dubai o que me permitiu também esticar o stop-over para 4 dias pelos Emirados sem qualquer custo adicional ;).

A ideia era , para não variar, aproveitar o tempo da melhor forma tentando conhecer um pouco de cidade,  visitar o interior da China (que era a grande curiosidade) e rematar com uns dias de descanso na praia para que as miúdas recuperassem o fôlego e pudessem dizer-nos que tinham gostado das férias mesmo depois de as termos esfalfado de um lado para o outro...

Milagrosamente conseguimos empacotar tudo em três mochilas e lá voámos para Pequim num voo que durou o que nos pareceu uma eternidade: 7 horas até ao Dubai, escala e mais 7 horas até ao destino final.

Que dizer de Pequim além de que detestei? A cidade é desinteressante e infelizmente submersa num smog horrendo que em poucos minutos deixa a nossa garganta irritada e todos os chineses a puxar escarretas á nossa volta. :/ Um ambiente não muito agradável, lá está.

Salvo um ou outro centro comercial com lojas de luxo, as lojas que ladeiam as avenidas também não despertam qualquer interesse e nem nas avenidas principais deixamos de ter a sensação de estar numa grande loja do chinês.

O turista ocidental é uma ave rara no meio de tantos orientais e por isso muitas vezes assediado para tirar fotografias e selfies com os locais, como se de um monumento se tratasse.

A comida foi outro ponto fraco. Nas nossas passagens pelo sudeste asiático sempre adorámos quase tudo o que nos punham á frente e na China simplesmente não nos conseguimos habituar.
Já não podíamos ver dumplings cozidos e noodles afogados em caldos. E principalmente já não podíamos com o cheiro de todos aqueles cozinhados a vapor.


Inicialmente pensávamos que não acertávamos na ementa já que muitas vezes não percebíamos patavina do que dizia, mas depois chegámos  á infeliz conclusão que era mesmo tudo mau. Ou pelo menos mau para o nosso gosto.

Salvou-se um pato á pequim comido num restaurante típico ( ma-ra-vi-lho-so).

De resto a alimentação tornou-se uma dificuldade para as crianças pois muita da oferta era condimentada e picante.

Pode resumir-se que a gastronomia foi uma experiência á parte: basicamente os papás passaram fome e as miúdas tornaram-se amigas chegadas do Kentucky fried chicken... (aaahhhhh...nada como mostrar ás nossas filhas as maravilhas da gastronomia dos países que visitamos...)

Por fim houve ainda a grande dificuldade em nos fazermos entender,  já que  o Inglês é uma lingua estranha inclusivamente nos hoteis. Mas isso, tenho de admitir, fez com que toda esta experiência fosse ainda mais interessante .

Mas nem tudo são pontos fracos. Um ponto a favor foi sem dúvida a consciencialização da população face á poluição. Felizmente vêm-se medidas para reduzir o smog e todas as motorizadas são eléctricas e silenciosas.

As pessoas são simpáticas e de sorriso fácil e, mesmo quando nos põem os seus filhinhos ao colo para mais um retrato falando sem que percebamos nada, não conseguimos deixar de retribuir um sorriso.

Dá vontade de sorrir e até mesmo e rir, já que os ditos filhinhos quando bebés não usam fralda. Vestem calças com uma abertura no...rabiosque não vá a vontade apertar.  Assim em qualquer sitio o "piqueno" se agacha e se alivia sem necessidade de gastos em fraldas descartáveis que muito pesam nos orçamentos familiares.

Adicionalmente, o ambiente agradece, já que uma fraldinha dessas demorar uns míseros 500 anos a desaparecer da face da terra. Se avaliarmos a densidade populacional por aquelas bandas parece-me que se poupa ao nosso planetinha azul muitos aninhos de trabalho.

Mas enfim...resumindo: visitaria novamente? Sim, claro. Sem dúvida! E porquê? Porque AMEI a Grande muralha da China e a Cidade Proíbida. E esses dois ex-libris da cidade de Pequim valem sem dúvida toda a viagem. São definitivamente dois pontos fortes de peso. Recomendo e muito pois são colossais! 

A sumptuosidade da cidade proíbida não nos deixa indiferentes e enquanto deambulamos entre as várias galerias do complexo conseguimos, apesar dos milhares de turistas asiáticos,  imaginar como seria a vida dos imperadores das dinastias Qing e Ming algures no ano de 1400 e troca o passo.

Passámos uma manhã por lá e depois passeámos pela Wangfujing Dajie, a principal artéria da cidade. A principal atracção desta zona é o Donghuámén market, o local certo para todos os que querem provar, ou apenas conhecer as mais excêntricas iguarias chinesas.

Ali pode provar-se basicamente todo o tipo de bicharocos viscosos ou estaladiços, fritos, grelhados ou cozidos ao vapor. Enfim...a tentação dos mais atrevidos.

Não foi o nosso caso. Sempre gostei de provar as comidas de rua e confesso que ia mentalizada para trincar um insectozinho crocante. Qualquer coisa como um gafanhoto ou um grilo seria uma boa opção.

Mas quando chegámos fomos imediatamente abalroados por um cheiro tão nauseabundo que a minha coragem se esvaiu completamente.

Todos os cheiros se misturavam naquela ruela estreita. As bancas fumegantes lançavam no ar os odores intensos de escorpiões grelhados, passaros encartilhados e estorricados, tripas, rins e outras vísceras cozidas ao vapor, morcegos, cobras e toda uma infinidade de bicheza mal cheirosa... 

E assim lá caiu  por terra  a nossa parca valentia.

Saímos de lá de estômagos revoltos e fomos arejar para o palácio de verão que se mostrou um espaço agradável para fugir á poluição da cidade.


No dia a seguir visitámos a Grande Muralha da China. Optámos por Badáling, o troço mais turístico e também o mais restaurado. Não era a nossa opção favorita pois penso ser mais interessante visitar secções menos concorridas como Mùtiányu ou mesmo selvagens como Jiànkòu. Mas para nós foi a solução mais fácil, mais viável e acima de tudo mais perto, já que ficava a apenas 70 km. Deste modo seria possível visitar numa manhã e ainda ter tempo para visitar o complexo olímpico com o seu maravilhoso estádio ninho de pássaro antes de apanhar o comboio nocturno para Datong, nessa noite.

A opção de ir de comboio até á muralha ficou logo posta de lado. Quando chegámos á estação a bilheteira estava encerrada. depois de muitas tentativas para que alguém nos explicasse o que se passava e onde comprar os ditos bilhetes lá conseguimos saber que durante o Verão os bilhetes esgotam com facilidade e por isso todos os bilhetes para os comboios dessa manhã tinham sido vendidos.

Basicamente nós, ocidentais estamos feitos ao bife nas estações de comboio chinesas. Ninguem fala inglês, as informações escritas estão  em chinês e para piorar a venda de bilhetes pode ser feita online 20 dias antes...mas só num site chinês e em chinês( que infelizmente não é o meu forte).

Como todos andam munidos de smartphones para tudo e mais uma bota não me parece que haja dificuldade em compras online :/ e por isso sobram poucos bilhetes a ser vendidos na estação. Por isso as opções são:  dar cá um saltinho 20 dias antes (....hum...não me parece) , madrugar na estação e depois gritar e acotovelar o suficiente á boca da bilheteira e ainda assim correr o risco de não conseguir um bilhetinho...( ainda pensei nisto), ou contactar uma agencia chinesa para comprar na estação por nós pelo dobro do preço. Foi o que fizemos para os comboios nocturnos, mas infelizmente não para a visita á muralha.

Restou-nos apanhar um taxi e perder o amor aos Yuans.

Mas naturalmente a visita á muralha tem de ser feita uma vez na vida. Afinal de contas este é o verdadeiro must-see de Pequim. A vista é deslumbrante com a muralha de pedra serpenteando-se majestosamente por entre o verde das montanhas.

Mas acima de tudo é esmagador pensar que a muralha original começou a ser construída há mais de 2000 anos e  que ali ficou até aos dias de hoje a observar silenciosamente a passagem do tempo e da vida que se foi desenrolando á sua volta. 

Sentimos que temos de estar ali naquele momento. Chegou a altura de dar os nossos passos nas mesmas pedras por onde tantos já passaram em tão diferentes épocas da história. É o nosso momento de nos mostrarmos á muralha. É a nossa vez e é avassalador!

Nessa noite partimos no comboio nocturno para Datong. E tudo o que não gostámos de Pequim ficou de repente pequenino...