sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Istambul - já com um pezinho em casa



Saímos das Maldivas e percorri mentalmente o percurso a fazer até casa: barco para Malé, voo para Kochi, Voo para Delhi, noite em Delhi, voo para Istambul, noite em Istambul, voo para Lx, muitas escalas, muitos taxis e muitas horinhas em aviões....ufa! Fiquei cansada só de pensar.

Valeu-nos o dia inteiro por Istambul para partir a viagem ao meio e conhecer uma cidade que há muito tempo nos seduzia.

Tinha havido um tiroteio no aeroporto 2 dias antes da nossa chegada e com a crescente onda de ataques terroristas que assolam a Turquia admito que não cheguei tão confortável quanto isso.  Tentei não pensar muito no assunto mas só descansei mais quando passei as portas do aeroporto para fora e dei de caras com uma cidade pacífica e descontraída.

A Turkish airways tem um óptimo serviço para quem como nós faz escalas prolongadas entre 2 voos da companhia: oferece á nossa escolha a noite num hotel do aeroporto ou uma tour pela cidade com ida e volta ao aeroporto incluindo almoço  e entradas nos monumentos que estivessem contemplados na tour.  Feitas as contas a tour compensa largamente.

Foi desta forma que conhecemos alguma coisinha em Istambul. Largámos as mochilas no aeroporto e aproveitámos a boleia até ao centro da cidade, vimos alguns dos ex-libris de Istambul e  quando nos fartámos abdicámos da boleia de volta ao aeroporto e ficámos por nossa conta. Sem tours, sem multidões e sem horários.

Visitámos, á pala da tour da Turkish, a igreja da divina sabedoria Aya Sofya que é actualmente um museu famoso pela sua cupula gigante e pelos maravilhosos mosaicos.

Também demos um saltinho á famosa Mesquita Azul, costruida mais de mil anos depois da Aya Sofya.

A mesquita tem este nome graças aos azulejos em tons de azul que revestem paredes. É de facto imponente e sem duvida uma da principais atracções da cidade. Não esquecer que é uma mesquita e como tal há que saber escolher a roupa na hora de visitar. caso contrário oferecem-nos uma bata gigante com lenço para a cabeça incluido que consegue tapar-nos do dedo do pé ao fio do cabelo...

Arrisco mesmo a dizer que foi o kit mais completo que alguma vez me ofereceram para entrar numa mesquita. Fiquei absolutamente tapada. E o controlo destes costumes de decência á entrada foram bastante rigorosos.  Aliás não nos largam enquanto não vestimos a trapagem toda.

Ainda ás custas da Turkish fomos ver a cisterna de Istambul que servia para armazenar água e abastecer a cidade.

Actualmente armazena somente um pouco de água para efeitos turísticos. Sobre essas àguas foi erguido um caminho de palafitas que nos permite passear por toda a cisterna.

O espaço está muito pouco iluminado de modo a preservar seu ambiente misterioso e sombrio. Sente-se a humidade e uma aura de quietude, ao mesmo tempo que ouvimos as vozes ecoando sob os tectos abobados. É uma visita curta que não nos rouba muito tempo e que vale muito a pena.

Sobrou-nos ainda tempo para um final de dia nas margens do Bósforo e um jantar num restaurante tipicamente turco, onde pudemos degustar uma refeição tradicionalmente sentados no chão afundados em almofadas.

Ficou muito por ver. Istambul é uma cidade fenomenal onde está bem presente a mistura cultural própria da sua localização geográfica entre a Europa e a Asia. Está presente nos aspectos religiosos, na arquitectura e também na gastronomia, que a bem dizer é estupenda.

Consta que a vida nocturna é também muito animada mas não ficámos para ver. tínhamos de apanhar a bagagem nos cacifos do aeroporto para tentar dormir umas 4 horinhas até ao voo seguinte.

Já estávamos com um pezinho na Europa, ou seja, um pezinho em casa. 
Foram tres semanas cheias de locais lindos, de experiencias interessantes e de momentos em família. Mas neste ultimo dia a nossa cabeça ja estava em casa e nos que la estavam.

É maravilhoso poder viajar...mas sem duvida o melhor é voltar.


Maldivas - 16 anos depois o paraíso ainda existe.



Queríamos muito voltar ás Maldivas.

Tinha sido o nosso destino de Lua de mel há precisamente 16 anos atrás e nessa altura tínhamos dito que voltaríamos 10 anos depois. Não devemos fazer planos para a vida, pois segundo se diz a vida tem melhores planos para nós. E assim foi. Por força das circunstâncias não voltámos os dois áquele paraiso ao fim de 10 anos de casados conforme nos tínhamos prometido. Demorámos mais 6 anos. Mas o regresso foi muito melhor pois pudemos ir os 4.

Como já foi dito no blog, tentamos rematar as nossas ferias com uns dias de praia para finalmente relaxar depois da grande azáfama que são sempre as nossas viagens. As Maldivas surgiram logo como uma opção a considerar devido á sua proximidade. fizemos algumas buscas na net e comprámos voos extremamente baratos a partir de Cochim. Mas não se iludam com os preços dos voos ( que são de facto apetecíveis) pois os preços das estadias são estupidamente caros.

E se vos aparecer em algum lado um hotel com uns preços mais tentadores, desconfiem. Pesquisem bem a sua localização pois o mais provável é ser em alguma ilhota desterrada num atol qualquer mais remoto. 

Nesses casos, dada a sua localização, os acessos são feitos por hidroavião...pago á parte, obvious, e com preços estupidamente caros também :P.

Não bastando os preços exorbitantes da estadia, a alimentação tem de ser feita no resort por preços absurdos pois não há grandes possibilidades de sair do hotel para jantar. 

Cada resort está instalado numa ilhota privada que não é mais que um punhado de areia e como tal fica-se limitado ao hotel para todas as refeições.

Na maioria dos casos o hotel oferece vários  restaurantes e vários tipos de pacotes de refeições.



Mas enfim... se de facto houver um dinheirinho para estes mimos vale a pena aproveitar. A vida é para ser vivida e se há alguém que merece o esforço do nosso trabalho somos nós mesmos e a nossa família. Não é nada fácil e requer restrições e empenho no resto do ano. 

Mas vale sempre a pena quando depois vemos que conseguimos ter momentos destes. Nada como gozar uns dias para ganhar fôlego para a labuta de mais um ano inteiro de trabalho. E já agora para juntar mais qualquer coisita para o próximo ano...assim espero :) 

Enfim...tenho que admitir que me soube pela vida poder parar por uns dias antes da interminável epopeia de voos até Portugal. E ainda me soube melhor ser apaparicada num resort de 5 estrelas nas Maldivas... :P

Não há de facto muito para fazer por aquelas bandas. E á semelhança da nossa primeira viagem, ao final de 3 dias já soprava...

Mas entre muito snorkeling, algum yoga, uns passeios pela capital Malé e algumas actividades num instantinho passaram os 5 diazinhos de paraíso com que nos presenteámos.

De facto por vezes aborreci-me por lá. Tenho pouca paciência para passar tardes infinitas a estorricar ao sol. Mas assim que pus um pé fora da ilha fiquei com umas saudades daquele mar que só de pensar já doi. Fiquei ainda com mais saudades da disponibilidade que tivemos uns para os outros. Dos serões, das brincadeiras no mar e das conversas que tínhamos quando  éramos só nós 4. 

No dia a dia isso perde-se. Temos horários para tudo, muitas obrigações, muito para fazer, muito para pensar. Desligamo-nos do que é mais importante. 

Todos os Verões reparo o quanto adoro os momentos simples em família. E todos os invernos reparo que caio no mesmo erro de não os ter tanto quanto gostaria o resto do ano.

Tento por uns tempos nadar á tona mas inevitavelmente afundo-me entre almoços para o colégio, apoio nos trabalhos de casa ou contas para pagar. 
Somos livres mas não somos. Falta-nos esta liberdade de tempo. E Falta-nos tempo uns para os outros. 

E quando me vejo em sitios como as Maldivas e tenho todo o tempo do mundo já nem sei estar sem as correrias. Ao fim de 3 dias quero sair dali, e assim que saio levo um ano a querer voltar. Por mais 5 dias. Para me fartar ao fim de 3...






quarta-feira, 15 de junho de 2016

Kerala- Na serenidade das Backwaters

Os dois dias seguintes foram passados em Kerala, um estado no extremo sudoeste do país diferente de tudo o resto que vimos na India. Esta região ainda é pouco visitada pelos turistas ocidentais mas tem vindo a ganhar mais notoriedade pelo que cada vez mais pessoas chegam á região para visitar a sua principal atracção: as backwaters. 
As backwaters é um conjunto de canais naturais e artificiais , rios e lagos que se ligam entre si formando um complexo labirinto de mais de 900km de extensão. 

Actualmente é possível percorrer esses canais comodamente instalado nos barcos típicos da região: os kettuvallam. 

Estas embarcações eram antigamente utilizadas no transporte de arroz e outros bens e foram actualmente convertidos em barcos casa que permitem inclusivamente pernoitar dando tempo aos turistas de se embrenharem um pouco mais profundamente nas backwaters de Kerala.
Foi mesmo isso que fizemos...obvious!

Aterrámos em Kochi e seguimos directos a Alleppey. Alleppey ou Aleppuzza como é conhecida, entre os locais, é um pequeno vilarejo  junto ao mar arábico de onde partem os Kettuvallams.


Para grande pena nossa não tivemos tempo para uma visita a Kochi. Um dia que fosse já teria sido uma mais valia mas as nossas ferias têm os dias sempre tao contadinhos que já não nos sobrava mais diazinho nenhum.

Graças á travessia de Vasco da Gama, toda a cidade de Cochim transpira Portugal e descobrimentos tendo inclusivamente se tornado a primeira capital portuguesa na India. Porém , e por muito que possa parecer sacrilégio da nossa parte abdicar de um tão afamado capitulo da nossa historia, demos numa de maus patriotas e, bypassámos Kochi.

Seguimos então estrada fora conduzidos pelo motorista mais acelerado que já vimos na India, e na vida. 
Um indivíduo muito agitado, diria até que certamente hiperactivo, com sérias dificuldades em ficar calado, quieto, ou simplesmente concentrado em qualquer coisa. 

Sempre em passo acelerado vários metros á nossa frente enquanto nós quase corríamos para o acompanhar. Só de ver o trajecto a pé até ao carro já fiquei com medo da viagem. E tinha motivos  para isso.


Voltamos ás estradas indianas felizmente sem vacas pois desta vez poderíamos ter sido brindados com uma delas pára-brisas dentro, tal era a bisga que levávamos com o nosso frenético motorista.

O Luis perdeu o pio. Pôs o seu ar mais  descontraído mas quem o conhece sabe que ia borradinho de  medo. Eu ia colada ao banco de trás entre as duas miúdas e fomos literalmente sacudidas a viagem toda ao sabor das guinadas das ultrapassagens feitas de esticao. Umas vezes esborrachava uma contra o vidro, outras vezes quase que caía ao colo da outra.

A nossa faixa de rodagem era mais ou menos imaginária.  Qualquer coisa entre a da esquerda e a da direita com uma rodinha de cada lado, ao mesmo tempo que os carros se cruzavam connosco pelos dois lados e não necessariamente nas direções certas.
E tudo isto enquanto o dito senhor cantava jingles de anúncios de uma qualquer cerveja indiana. 
Resumindo: Acho que sustive a respiração até Allepey.

Findo o nosso trajecto de carro respirámos fundo e embarcámos no nosso barco casa, um kettuvalam Muito simples mas muito arranjadinho com dois quartos modestos e uma zona de estar no convés.
Embrenhamo-nos pelos canais fora numa viagem cheia de serenidade, pouca velocidade e pouco ruído observando a vida nas margens e  acenando ao cruzar com outras embarcações.

Ao cair da noite ancorámos junto a um ilhéu, baixámos as redes mosquiteiras e saboreámos uma refeição simples a bordo, iluminados apenas pela luz ténue do barco.

O serão foi passado em família longe da tv e de outras tecnologias  entre jogos de mímica e gargalhadas. 

Sem duvida uma noite memorável que ficará para sempre na memória de todos.

Ao nascer do sol arrancámos preguiçosamente mais uma vez. Desaguámos num lago e atravessámos até á margem oposta onde se situava a pequena localidade de Kumarakom. Atracámos no pequeno porto do simpático Kumarakom Lake Resort, o hotel que nos albergou a seguir.

Entre passeios de bicicleta, aulas de yoga, piscina, pesca e tudo o mais rapidamente chegou a hora de partir de Kumarakom e de Kerala. Voámos de Kochi para uns merecidos dias de praia depois de tanta correria na India. Maldives here we go!

sábado, 28 de maio de 2016

Mumbai: a grande metrópole

domingo, 24 de abril de 2016

Jaisalmer - a cidade dourada do deserto

Chegamos a Jaisalmer debaixo de um calor infernal. O tipico calor do deserto: seco e intenso. A golden city,como é conhecida a cidade, lembra um castelo de areia dourada graças ao basalto amarelo com que o forte foi construido e a fama da sua beleza ja  chegou além fronteiras. Jaisalmer tem vindo a ser cada vez mais procurada por ocidentais. Quer seja por causa dos monumentos bem preservados que alberga dentro das suas muralhas, quer pelos safaris de camelo pelas dunas do deserto Thar ou simplesmente pelo seu ambiente descontraído. 

Ficámos alojados num hotel muito agradável. Um espaço familiar gerido por um casal muito simpático. Ela italiana, ele  um rapaz do deserto oriundo de Jaisalmer. Uma dupla de bom gosto que soube criar o 1st gate hotel com um mix das duas culturas:  o exotismo da India com o conforto e exigências ocidentais. 

No topo do edifício foi criado um restaurante/bar com espaço de lounge capaz de fazer frente a qualquer rooftop europeu. Um espaço cozy e simpático, de onde se pode usufruir de uma vista privilegiada para as muralhas da cidade, confortavelmente instalados entre as almofadas dos bancos construídos no próprio muro do terraço.

No nosso primeiro dia visitamos as ruas estreitas do centro histórico da cidade. Entrámos na zona muralhada e deixámo-nos perder nas ruelas estreitas. Espreitámos os havelis ou casas senhoriais, vimos as bancas de pacheminas e estatuetas, encantámo-nos com as lojinhas pitorescas e vagueámos pelos becos e ruas contornando as vacas que dormiam sob o calor. 

Ao por do sol partimos até ao lago Gadisar que ficava a poucos km da zona historica onde estavamos. O lago era muito bonito. Segundo consta trata-se de um lago artificial construido para fornecer água á cidade e arredores. Actualmente é uma zona fresca e sobranceira que se torna um refugio para quem procura um pouco de ar fresco no meio do calor abrasador.

Á sua volta foram construídas bonitas mansões ou havelis bem como templos e santuários. No meio do lago, como que boiando nas suas águas calmas, pequenas construções emergem. São  actualmente utilizadas para albergar grupos de 3 ou 4 musicos que animam os turistas que passam. E, naturalmente, para compor o quadro, não poderiam faltar as escadarias até ás margens do lago, onde mais uma vez se multiplicam as tão fotogénicas cenas do dia-a-dia indiano. Algumas mulheres banham-se molhando os seus saris coloridos enquanto as crianças se divertem alimentando cardumes imensos de peixe gato. 


Ficamos ali. 
Deixamos nos envolver pelo ambiente como se fizéssemos parte do mesmo quadro. Como se também nós pertencêssemos às mesmas rotinas  e à mesma vida. Alimentamos os peixes nas escadarias, ouvimos os musicos tocar deixando o som que vem do meio do lago embalar o momento. Por fim espreitamos os templos á beira do lago de onde saem os sons hipnotizadores dos mantras. Ouve-se a sua repetição ininterrupta nas vozes dos homens que os entoam. O Luis é convidado a entrar e acompanhar a cerimónia. Volta fascinado com a energia que se sente. 
Jaisalmer é assim.

No dia seguinte rumamos ao deserto. As miúdas estavam excitadissimas com o seu primeiro passeio de camelo.

A cerca de 6 km de Jaisalmer fizémos uma pequena visita a Bada Bagh, um complexo de Chatris ou monumentos funerários de Maharajas que é sem duvida muito interessante.

Seguimos depois até uns parcos km da faixa de segurança da fronteira com o Paquistão.

O passeio de camelo foi curto mas memorável terminando no meio das dunas, ao por do sol. E no fundo ainda bem que foi curto pois penso que o meu esqueleto não aguentaria ser sacudido mais uns minutos pelos solavancos desengonçados do dromedário. 

O vento foi levantando a areia fina do deserto e está foi- se colando aos nossos corpos transpirados e fazendo um toque abrasivo e desagradável. E assim,  desgrenhados pelo vento e com a pele qual lixas de areia seguimos para um pouco convidativo show de dança e de música supostamente regional. 

As dançarinas estavam admiravelmente vestidas com saias longas escuras completamente decoradas com brilhantes e lantejoulas de cores que reluziam a cada movimento. Infelizmente dançaram pouco e o resto do tempo era preenchido por músicas entoadas ( ou antes guinchadas) em hindi que as pessoas á volta aplaudiam mas das quais nos, como únicos ocidentais presentes, não percebíamos patavina.

Acabamos por fugir sorrateiramente a meio do espectáculo e ainda mantenho a esperança que não tenham dado pela nossa falta nem tenham reparado nas quatro cadeiras que ficaram subitamente vazias... Na fila da frente.

Salvou- se a refeição servida que era de facto excepcional mas confirmei mais uma vez o quanto devo continuar a não ir a isto tipo de eventos organizados para turista. Definitivamente não tenho paciência, nunca tive, nunca vamos ter e certamente depois desta vamos continuar a manter- nos fiéis aos nossos princípios.

Memorável foi também a visita ao palácio. Corri literalmente o edifício e vi tudo de rajada. Isto porque a Margarida, ainda acompanhada da sua gastroentrite, teve uma cólica potente logo que comprámos os bilhetes á entrada do palácio. A solução foi corrermos disparadas em buca da casa de banho mais proxima que era nada mais nada menos que... no ultimo piso do edificio.

Resumindo: corremos o palácio todo escada a cima passando por todas as salas de seguida para desembocarmos num pátio onde finalmente se viam os ditos" toilets". Vimos todas as salas de rajada pois era inevitável passar por todas elas para chegar á bendita casa de banho.

A cada lance de escadas  perguntavamos a alguém onde ficava a dita cuja e mandavam-nos subir mais um piso. O desespero já era tanto que não conseguimos pensar em disfrutar das salas do palácio.

Naquele momento só a casa de banho era o exlibris. E por momentos foi optimo quando finalmente a encontrámos no terraço.

E logo a seguir demos de caras com a encantadora visão das casas de banho publicas indianas.

E que visão, Deus meu: A sanita entupida, um cheiro nauseabundo e nada de água. Nem nas torneiras, nem no autoclismo. E só para ajudar ainda mais a festa: o maravilhoso púcaro de plástico que tanto acompanha os wc da India estava nada mais nada menos que dentro da própria sanita, mergulhado na....enfim (suspiro) ...voces percebem o quadro. E ainda assim ficam apenas com uma ligeira ideia da coisa...

E Agora que já vos criei uma imagem maravilhosa nas vossas memórias não entro em mais pormenores.

Rematemos: Adorámos Jaisalmer, o 1st Gate hotel e o deserto Thar. Adorámos os havelis,os Chatris, o lago e as ruelas. Adorei o pouco que vi do palácio. Estará sempre entre as melhores recordações de jaisalmer. O palácio e as cólicas da Margarida. 

terça-feira, 29 de março de 2016

The blue city of Jodhpur. O azul de Shiva e da chuva.

O trajecto até Jodhpur foi bastante difícil.

O Luis continuava adoentado, com o seu Delhi Belly que finalmente dava tréguas mas ainda assim persistia um pouco. Já tinha melhorado mas como ja se sentia um pouco melhor achou que podia aventurar-se com mais uns sumos de fruta suspeitos. Enfim...Adora dizer que é um "local man" e experimentar tudo o que os locais comem. Estas experiências já lhe valeram uns bons tempos passados nas mais diversas casas de banho do Mundo. Faz parte do roteiro dele, assim como os monumentos de cada país o fazem para outras pessoas. Mais umas experiências destas e já pode escrever um guia Lonely Planet sobre o assunto.

De resto nada como ir á India para perder uns kilos para o Verão.


Luis e as suas crises/teimosias á parte, o nosso problema agora era a Margarida. Nem percebi como pôde  ter ficado doente. Evitámos tudo: Gelo, café, chá (o que é um grande desperdício na India), todas as verduras cruas e a bebida Lassi que eu tanto queria experimentar mas que leva sempre agua e quase sempre da torneira. Para todo o lado eu levava toalhitas desinfectantes e a toda a hora limpava as mãos das miudas. Evitámos tocar na boca e nariz, o que, se fizerem a experiência por um só dia vão ver que é mesmo um grande feito. E, depois de tantas proezas, por alminha de quem é que a miúda apanhou uma gastro destas à mesma? 

Acho que no fundo quem anda á chuva molha-se e apanhar Delhi Belly na India é tão certo como o sol nascer todos os dias. Só não apanha quem não vai lá ou quem faz uma passagem mais curta. Há sempre alguma forma, seja um copo mal lavado ou um sumo de fruta adicionado com água da torneira. 

Começou com Delhi Belly á saída de Jaipur e a viagem prometeu logo ficar mais interessante (ironia!).  Uma viagem de poucos km na India é sempre qualquer coisa para várias horas e nós tínhamos cerca de 350km para fazer. Ou seja: 6 a 7 horas ninguém nos tirava na certa. 

Não bastando as vacas, as buzinas e os buracos que fazem parte de qualquer viagem de carro pelo país, tínhamos agora o factor "miúda aos vómitos"  para animar o percurso.

Como se pode imaginar foi um dia de martírio, cheio de paragens repentinas e por isso mais demorado do que o habitual. 

Chegámos a Jodhpur muito depois. A cidade é muito pitoresca, com um centro histórico giro e animado. As fachadas azuis das casas, em homenagem ao Deus Shiva, valeram-lhe o titulo de Blue City. 

Ficámos alojados num hotel maravilhoso. Talvez o que mais gostei na nossa viagem á India: o maravilhoso hotel Raas (http://raasjodhpur.com). Trata-se de um hotel de charme com um ambiente carismático que funciona num haveli ( ou casa senhorial ) recuperado, onde foi feita uma intervenção com muito bom gosto, respeitando sempre a traça original, os materiais e cores da região. 

Só não entendemos muito bem o porquê de os funcionários virem de propósito ao nosso quarto para nos oferecerem  kits de tampões para os ouvidos. 
Não entendemos nessa altura mas compreendemos mais tarde, mais propriamente ás 5 da manhã quando acordei ao som dos cânticos religiosos que vinham de uma mesquita que estava nada mais nada menos que nas traseiras do nosso hotel e que debitava o som suficientemente alto para se fazer ouvir na outra ponta da cidade.

Claro que ás 5 da manhã já não consegui encontrar onde tinha posto os benditos kits de tampões e acabei ficar até de manhã a rogar pragas á nossa parca inteligência em não dar a devida importância á tão generosa oferta dos funcionários :P.
Mas ainda assim adorámos o hotel e repetiríamos sem duvida, pois a localização, a piscina e o serviço eram excelentes. Tivemos pena de não usufruir mais das suas óptimas condições mas além da falta de tempo e do estado de saúde da Margarida ainda fomos bafejados pela "sorte"de uma chuvada de caixão á cova.
Já andávamos há uma semana a enganar a chuva e em plena época de monções já levávamos com uma semana de viagem sem ser atingidos por uma pinga que fosse. 
Em Jodhpur pudemos finalmente sentir a monção de perto.
Posso mesmo dizer que foi uma das maiores chuvadas que presenciei.

Estávamos enfiados numa loja de antiguidades no centro histórico da cidade a comprar uma estatueta de Ganesha para remover os obstáculos da nossa vida em Portugal quando subitamente o céu enegreceu. 

O vento começou a soprar forte e a chuva abateu-se com tanta força que em poucos segundos as ruas tinham-se tornado rios lamacentos.
Sem que déssemos conta ficámos retidos na loja sem perceber como e quando iriamos conseguir sair dali. A certeza que tínhamos é que um pezinho fora da loja garantia-nos uma molha até aos ossos. Nada de grave não fosse estarmos munidos de máquinas fotográficas e outros apetrechos turísticos. 

Conseguimos por fim acenar a um tuk tuk que passou mais proximo e que a custo lá conseguiu subir a estrada, ou neste caso o rio, abrindo leques de água á sua passagem. 

Entre o chocalhar causado pelos buracos na estrada escondidos pela água e as molhas que apanhávamos sempre que cruzávamos com outro veículo, lá conseguimos chegar ao hotel menos encharcados do que esperávamos. Not bad at all.

Delhi belly, Monção e cânticos religiosos ás 5 da manhã são recuerdos que trazemos de Jodhpur. E como os Deuses deviam estar mesmo loucos, foi também em Jodhpur que me tentaram roubar a mala.
Era fim de dia e voltávamos ao hotel por uma rua mal iluminada ( não há como as evitar em Jodhpur) e eis que passa uma motorizada tentando dar um puxão. Como eu trazia a mala a tiracolo não conseguiu levar nada mas não deixei de  lhe gritar uns nomes feios em bom português...e  vou pensar que ele entendeu perfeitamente.

A nossa passagem por Jodhpur não ficaria completa sem passar pelo forte. A cidade fica no sopé de um monte imponente e no topo desse monte o forte cresce como um prolongamento da rocha. Construido com recurso ao mesmo tipo de pedra, ocupa todo o topo do penhasco fundindo-se com este sem que se consiga distinguir onde começa a muralha e acaba a montanha. Jodhpur está literalmente a seus pés, estendendo-se a perder de vista como um mar de casinhas pontilhadas de azul. Uma vista deslumbrante para rematar a nossa estadia naquela cidade. Depois da cidade rosa e da azul  mal podíamos esperar por conhecer a cidade dourada: Jaisalmer.


domingo, 10 de janeiro de 2016

Jaipur - a cidade rosa...assim para o amarelo acinzentado.


No dia a seguir saímos para jaipur. Mais uma estopada de carro, de estradas esburacadas, buzinadelas e vacas no caminho. E mais buzinadelas e mais vacas.



Pelo caminho visitámos Fatehpur Sikri, uma cidade com cerca de 500 que se mantém em óptimo estado de conservação. Este local é património da unesco e local de paragem obrigatória para quem faz o trajecto Agra-Jaipur. Como tal nós também não deixámos de visitar. Posso dizer que vale mesmo a pena a paragem. 

A cidade, idealizada pelo imperador Akbar, foi construída em arenito vermelho num estilo hindu e islâmico e chegou a ser capital Mongol. Infelizmente foi abandonada pouco tempo depois de erigida muito provavelmente por falta de água. 

Outra paragem que fizemos pelo caminho foi em Abhaneri, um pequeno vilarejo a cerca de 100 km de Jaipur.

Este local tornou-se popular graças ao seu enorme poço, conhecido por Chad Baori que servia para a recolha de água das chuvas e para eventos religiosos.

A construção destes baoris é muito singular, com vários níveis de degraus dispostos a todo o redor do tanque de forma geométrica. Vale sem duvida uma visita.

Chegados a jaipur, ficamos alojados num resort a 20 km da cidade. Um sítio contemporâneo de ar futurista com tanto de elegante como de gélido.Levamos algum tempo a sentirmo-nos bem neste espaço maravilhosamente construído mas tão pouco cozy.





Este resort era frequentado por familias abastadas de jaipur que claramente faziam do hotel um refugio de fim de semana para onde podiam fugir da cidade caótica e encherem-se de mimos e luxo.Tinham também o hábito de se apresentarem de pijama ao pequeno almoço o que até tinha a sua piada.
Talvez por não ser habitual hóspedes ocidentais, estivemos sempre um pouco desconfortáveis sob os olhares de soslaio.Enfim, digamos que a passagem por este hotel foi por si só uma experiência diferente.Mas no geral não gostámos e não repetiríamos.

Quanto á capital do Rajastao, Jaipur, tem um centro muito bonito, confuso e degradado como se espera de uma de qualquer outra cidade indiana, mas ainda assim bonito. O forte âmbar é imponente. Situa-se no alto de um monte e é possível visita- lo nas costas de um elefante. Estes, são ricamente ornamentados, pintados com tintas de cores á boa moda do país e dirigidos por um guia/ tratador vestido a rigor com trajes típicos. São também muito mais altos e majestosos que os elefantes que tínhamos visto na Tailândia e passeiam-se pelo forte lembrando os tempos idos do local e fazendo as delícias das crianças.

Para ver o forte por dentro precisamos comprar bilhete. Dirigimo-nos á bilheteira e eis que nos deparamos com mais uma situação caricata daquelas que só se vê na Índia.



Apenas um homem á caixa. É o único a vender bilhetes. Mas obrigam-nos a separar-nos em duas filas distintas: mulheres para um lado e homens para outro. Filas essas que ele vai atendendo alternadamente.



A minha fila andou mais depressa que a do Luis pois as mulheres eram em menor número ( o resto fica em casa mesmo...) e pensei ser possível comprar logo o bilhete dele. No entanto o funcionário, com cara de poucos amigos não me permitiu. Pensei que talvez houvesse diferença no bilhete. Mas não. Aliás o bilhete era apenas o Ticket do pagamento com o total do valor lá escrito. Não indicava mais nada. Pensei ter percebido mal mas reparei em várias mulheres que, como eu, esperavam pelos maridos que se mantinham na fila mais demorada. Surreal.

Tive de esperar mais 20 minutos para que o Luis fosse atendido na sua vez pelo mesmo funcionário. 
Definitivamente não entendi o propósito deste procedimento... Só consigo ver que o senhor deve gostar de ter o dobro do trabalho e reter multidões em filas.

A visita ao Palácio do Maharajá foi também uma experiencia para recordar. Sim é maravilhoso...mas o que me lembro melhor foi o tempo passado á porta da casa de banho. Passo a explicar:

O Luis já andava mal da barriga há uns dias. Tem a mania que pode comer tudo o que os locais comem e não lhe entra na cabeça que não está imune da mesma maneira. Depois de muitos alertas sobre a água da torneira e o gelo lembrou- se de achar que era tudo mariquices minhas, borrifou- se no assunto e emborcou uma bela de uma cola com gelo e limão num restaurante de Agra. Claro está que ficou de soltura, Deli belly, diarreia ou como quiserem chamar mais educadamente a uma Cag....eira de esguicho.

A visita ao palácio foi literalmente passada a caminho da casa de banho, voltando ao mesmo sitio a cada voltinha que dávamos por entre as salas do palácio.

Claro que não aprendeu nada e assim que se sentiu melhor voltou a arriscar com mais uns sumos suspeitos. Em todo o caso já desisti de dar ralhetes e começo a  achar que com tantos disparates acabará mesmo por ficar imune um dia.

O último dos monumentos que visitamos foi o templo dos macacos, já fora de jaipur mas relativamente próximo do hotel. A estrada até lá é ladeada de verde e é possível ver pavões  com alguma facilidade. Vimos uns quantos pelo caminho e são bichos encantadores, principalmente em liberdade no seu habitat natural, passeando as plumas coloridas a contrastar com tanto verde.


Quanto ao templo, podia ser bonito mas não é. Está imensamente sujo e apinhado de macacos. São ás centenas. Saltam por todo lado com as crias as costas e surgem dos sítios mais inesperados. A população oferece-lhes bananas que compram á entrada o que deixa o templo ainda mais sujo, com restos e cascas destes frutos pelo chão bem como moscas em barda! não falando no cheiro, claro. Numa palavra: Nauseabundo!


Mas achámos muito interessante sem dúvida. Temos que admitir que no meio da imundície este templo tem o seu quê de interessante e vale também uma visitinha...ainda q muito breve :)


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The day after we left to Jaipur. Again, Another car trip with plenty of bumpy roads, honks and cows. And more honks and more cows.

Along the way we visited Fatehpur Sikri, a city of around 500 years old which remains in excellent condition. This place is an UNESCO heritage site and everybody who travel on the  Agra-Jaipur route should stop over. I can say that it is worth the stop.

The city, created by Emperor Akbar, was built in red sandstone in Hindu and Islamic style and became Mongolian capital. Unfortunately it was abandoned shortly after probably because of the lack of water.

Another stop we made along the way was in Abhaneri, a small village about 100 km from Jaipur.

This village became popular thanks to its huge stepwell known for Chad Baori used to collect water from the rain and for religious events.

The construction of these baoris is very unique, with various levels of stairs disposed in a geometric shape around the well. Undoubtedly worth a visit.

We stayed in a resort 20 km from the city. A contemporary  and  futuristic hotel looking cold as ice. We took some time to feel confortable in this not so cozy place.

This resort was frequented by wealthy families of Jaipur that clearly made the hotel a weekend refuge where they could escape from the chaotic city and fill themselves with treats and luxury. they also used to  wear their pijamas at breakfast :/ .


Perhaps because is not usual western guests , we felt always a little uncomfortable under their gaze. Well lets say that our stay at this hotel was itself an experience. But we prefer not to repeat it.


The capital of Rajasthan, Jaipur, has a very beautiful, confused and degraded city center. Just like we expect from any other city center in India. The  amber fort is imposing. It is located at the top of a hill and you can visit- it on the back of an elephant. These elephants are richly ornamented, painted with colored inks and led by a guide dress in typical costumes. These animals are also much higher and majestic  than the ones we saw  in Thailand.


To see the inside the fort we need to buy a ticket. The ticket office was ridiculous.


There were only one man at the counter. He wass the only one selling tickets. But he forced us to go to separated lines: one for women and an other one for men. And he attends them alternately.



My queue walked faster than Luis´s because women were less and i thought it would be possible to buy his ticket when my turn came. However the official did not let me. I thought there might be difference on the ticket. But no. In fact the ticket were just the a receipt and did not indicate anything else like genre. I thought I misunderstood but I noticed several women who, like me, were waiting for their husbands who also stayed at the long queue. Surreal.

I had to wait another 20 minutes for Luis.

Definitely i did not understood the purpose of this procedure ... I maybe he likes to have twice the work and retain crowds.

The visit to the Maharaja's Palace was also an experience to remember. Yes it's wonderful ... but what I remember best was  the bathroom door. Let me explain:


Luis started to feel sick a few days ago. He always thinks that can eat whatever he wants and he doesnt want to know that he is not immune in the same way that locals are. After many warnings about tap water and ice he decided that i was being boring about that and he decided to drink a cola with ice and lemon. So, he had a huge Deli Belly and the visit to the palace was spent around the bathroom door.


Of course he didn't  learned anything with that experience and as soon as he felt better he decided to do it once again. Now I think that one day he will probably be immune to deli Belly just like locals are.


The last of the monuments we visited was the temple of the monkeys. It is out of Jaipur but very close to our hotel. The road to it is lined with green and you can see peacocks all around. We saw a few along the way and they looked so charming in freedom strolling their colorful feathers.


As for the temple: it could be beautiful but it is not. It is immensely dirty and crowded with monkeys. Hundreds of them. They jump all over the place and come from the most unexpected places. The population gives them bananas they buy at the entrance of the temple and this makes the place even more more dirty and full of flies.

But the monkey temple is very interesting anyway. Still worth a visit ...a very short one ;)