segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Nova Delhi - o primeiro contacto com a India


Namastê!!!! 


Acabadinhos de chegar de uma viagem maravilhosa pela India! Tenho tanta coisa para contar que mal podia esperar por desatar a escrever sobre estes dias! Mas não é fácil resumir tudo o que vimos ou sentimos a uma cronicazeca por muitas palavras ou fotos que tenha. Mas vou tentar dar o melhor:

No dia 7 de Agosto pusemo-nos a caminho. 

Cravámos uma boleia para o aeroporto de Lisboa e com as mochilas ás costas partimos para mais umas ferias onde o lazer e cultura se encontrassem.

Este ano optámos pela India. Sempre fora um destino que queríamos muito conhecer mas pensámos que talvez fosse melhor as miúdas crescerem um pouco mais antes de ir. Mais idade seria óptimo para melhor compreenderem a cultura e assim tirarem um maior partido da experiência em vez de simplesmente se limitarem em ficar chocadas com as diferenças culturais com que se iriam deparar.

E então fomos adiando. Um ano e outro. Este ano elas já estavam com 10 e 12 mas ainda assim pensámos adiar um pouco mais. 

Mas foi então que ficámos um dia em casa a pesquisar bilhetes para as férias e num impulso comprámos as passagens. Assim sem mais....E pronto. Resolveu-se o dilema da espera num instante. 

Nada como gastar as poupanças do ano para nos obrigarmos a ir...nao se pode desperdiçar o esforço feito por tanto tempo, não é?

Enfim...o disparate estava feito e por isso já não havia nada a fazer.

Entretanto fomos aos poucos estudando o percurso que queríamos fazer, tentando encaixar tudo o que queríamos ver, ou pelo menos tudo aquilo que mais queríamos, no pouco tempo que tínhamos de ferias. 

E estudámos bastante. Mais até do que devíamos pois na verdade não vale a pena planearmos muito nada na vida pois tudo se altera quando menos esperamos. 
E assim foi.

Depois de vários meses de planos, de alterações, de mais planos; quando tudo ja estava finalmente decidido, eis que tivemos de alterar tudo á ultima da hora. 

Tínhamos planeado uma breve passagem por Kathmandu mas, na véspera de comprar os voos internos a partir de Varanasi deu- se o sismo do Nepal e tivemos de repensar todo o roteiro. 

Foi algo que nos angustiou muito pois era um local que gostaríamos muito de ter podido visitar como era antes de uma desgraça desta dimensão.

Além das perdas humanas ( que são sempre o maior prejuizo que pode haver), a derrocada dos monumentos foi sem duvida uma enorme perda para a humanidade.

E com isto a nossa primeira reacção foi achar que podíamos manter a viagem para Kathmandu e em vez da visita turística que tínhamos planeado, esticar um pouco a estadia por lá para podermos integrar algum programa de voluntariado. E teria sido de facto uma boa opção, caso não estivéssemos a viajar com as crianças.

Naturalmente com elas tudo muda. Não teríamos nunca a mesma disponibilidade enquanto voluntários e por outro lado não queríamos de todo sujeita-las ás doenças que entretanto surgiram no decorrer da catástrofe.

E então, com umas mudançazinhas aqui e ali, lá alterámos as coisas e aterrámos na madrugada de dia 8 de Agosto em Delhi.

E que dizer de Delhi? Delhi derruba-nos de imediato. 

Se temos a presunção de que já vimos muito mundo e que por termos passado por vários países estamos preparados para ver a Índia, então não há nada como chegar a Delhi para ver o quanto estávamos redondamente enganados. 

Imensamente enganados. Ignorantes mesmo. 

Delhi é um murro no estômago. A miséria salta á vista de imediato. Aliás é o que sobressai mais. Muita pobreza como já tinha visto em locais como o Camboja mas de forma muito mais chocante. De forma decadente. 

A imensidão de pessoas a dormir na rua não pode deixar ninguém indiferente.

São pessoas como nós que estão ali no chão dormindo junto ao lixo de vários dias que se amontoa nas bermas das estradas. Ali, no mesmo local onde as vacas defecam ou outras pessoas urinam sem qualquer pudor.

Dormem pelo chão com a indiferença de quem já não se importa de viver assim no meio do lixo. Ou com o hábito acomodado de quem sempre viveu dessa maneira.

Faz-nos questionar muita coisa. Pomos muitos assuntos em causa.

Onde está a dignidade a que todo o ser humano deveria ter direito?
Delhi é deprimente.

As ruas são muito poluídas,o trânsito é caótico e as pessoas extremamente miseráveis. 

E muito embora já tenha visto muitos locais com trânsito infernal nada se compara ás ruas do centro de Delhi onde estávamos alojados. 

O som das buzinas, os homens que fazem das ruas a sua casa de banho pública, os tiros que ouvimos durante a noite, as poucas mulheres nas ruas, a barata que tínhamos no quarto e tantas outras coisas negativas, pesaram em nós mais do que os encantos que vimos na cidade. 

No entanto não podemos deixar de adorar as principais atrações turisticas. 

Visitamos a Jama Mashid que está em plena old Delhi, e que se destaca entre ruelas estreitas e caóticas. Entrámos descalços e cobrimos o corpo com uma linda bata vermelha com o aspecto de quem já vestiu metade da India e arredores. Acho que so de olhar para a vestimenta ja estávamos com micoses e comichões pelo corpo.

Mas enfim, ficámos pelo menos mais apresentáveis para entrar na mesquita de forma respeitadora.

Também visitámos a Índia Gate onde nos fizeram pinturas de hena e onde nos encantámos a ver miúdos a refrescarem-se numa fonte próxima de forma tão descontraída  que nos riamos só de ver.

E adorámos em particular o mausoleu de Huyuman que é sem duvida encantador assim como o templo do Lotus.
Infelizmente por ser o dia da independência não pudemos visitar o Red fort.

Mas penso que tirando os principais monumentos da cidade não conseguimos encontrar nenhum encanto em Delhi.

Mal podiamos esperar sair de lá. Felizmente a estadia foi curta e rapidamente partimos para Varanasi.

sábado, 29 de agosto de 2015

Dubai - o poder do dinheiro

Chegámos ao Dubai debaixo de um calor abrasador. Um calor horroroso como nunca tínhamos sentido. Tão abrasador que a água do mar estava quente e se nos queríamos arrefecer um pouco tínhamos de ir para a piscina que estava com uma temperatura mais baixa propositadamente. Tão abrasador que entravamos a correr nos sítios refrigerados so pelo prazer de fugir uns segundos da rua.

Já sabiamos que seria assim pois todos nos tinham recomendado para fugir ao calor do mês de Agosto. Mas que fazer? só podemos tirar uns dias por esta altura e se formos evitar uns locais por causa do calor, outros por causa das chuvadas, ainda não tinhamos conseguido conhecer nada do que queríamos.

Por isso: coração ao alto e lá fomos enfrentar a caloraça do deserto em pleno agosto.
O Dubai impressiona pelo imponência. Pelos edificios modernos, pelo poder economico e pelo consumismo que o move.

Não podemos dizer que tenhamos adorado o Dubai. Certamente não iriamos de propósito mas penso que aproveitar uma escala tal como fizemos é claramente  muito positivo.

É um local impressionante sem duvida. Um local que todos deveriam poder ver para que possam ter uma noção do que o dinheiro pode fazer num país onde se sonha alto e de forma extravagante.

Constroem-se as torres mais altas do mundo, plantam-se jardins luxuriantes em pleno deserto ou fazem-se ilhas no meio do oceano onde antes so havia água.
Sonha-se muito, mas mesmo muito alto. E realizam-se as obras do tamanho desses sonhos ou maiores.


E é por isso um local feito de extravagancia e exuberância. Mas, a nosso ver,  falta-lhe identidade.

Não conseguimos deixar de sentir que estamos dentro de um grande parque temático ou de um centro comercial megalómano. Um mundo perfeito criado para satisfazer uma sociedade de consumo.

Tem excelentes hotéis, com serviços excepcionais a  preços muito em conta graças á crise financeira que atravessa nos dias de hoje, e isso faz com que se torne um destino turístico apetecível, mas infelizmente para quem procura conhecer um pais na sua essencia certamente sairá muito desiludido.

Claro que esta é apenas a nossa opinião e não somos mais que ninguém. Cada qual tem direito a ter a sua com base na sua experiência.

Nós passamos 5 dias por lá. Alugámos carro e corremos tudo de lés a lés, fazendo inclusivamente uma vizinha a Abu Dhabi. E não nos fascinou.

Fomos aos gigantes centros comerciais, a Djerba, aos mais famosos parques aquáticos, aos ícones todos do pais e mais algum e ainda assim não morremos de amores.

Mas Ficámos satisfeitos de ter passado lá estes dias de descanso e sermos apaparicados num hotel de 5 estrelas onde fomos recebidos como reis.

Soube-nos pela vida ter um pouco de luxo depois da experiência do comboio na China onde nem uma casa de banho de jeito tínhamos.

E o interessante desta viagem foram os contrastes que se proporcionaram.

Chegar a locais remotos da china e sentir que temos uma situação financeira privilegiada nos nosso pais, o qual ainda assim atravessa uma crise económica grave. E dias depois aterrar no Dubai e sentir o quanto somos pobres face ao luxo que nos rodeia.

num dia o comboio nocturno em Datong, no outro o hotel de luxo no Dubai. 

Foi bom as miudas perceberem que podiram tirar o máximo partido de cada uma das experiencias. Divertiram-se tanto no parque aquático megalómano como no chocalhar do comboio. Souberam estar no hotel de 5 estrelas com a mesma alegria que no de 2.
Tiraram partido das ferias como um todo. E ainda que, felizmente no nosso caso tudo se resume apenas a umas ferias , ainda assim conseguiram estar felizes nas duas situações.










Hong Kong - regresso á azáfama


E neste regresso ás grandes cidades, apos a vida rural de Yangshuo temos muito pouco a dizer.
Não que a cidade não o mereça, de todo.
Só que Hong Kong foi um flop para nós. Saiu-nos tudo furado. 

Ás vezes as vagens pregam-nos destas partidas. Por muito que se tente planear alguma coisa, as coisas correm como têm de correr. E em Hong Kong não fizemos simplesmente nada do que queríamos.

A nossa passagem foi tão breve que não nos deu tempo de ir a Macau, que era o que mais queríamos ver (Fica o pretexto para voltar aquelas bandas...)
Também não conseguimos ver a ilha de Lantau e o seu Big Buddha.

Ou seja, tivemos pouco mais de um dia  e meio e limitámo-nos a deambular pela cidade e pelas suas avenidas gigantes. Ainda fizemos uma incursãozinha a Hong Kong Island passando pela Clock Tower e pela Avenue of Stars. E por fim registámos a nossa breve passagem com a bela da foto da praxe em frente á estátua do Bruce Lee com o Victoria Harbour como pano de fundo. 

Mas foi tudo muito mal visto sem duvida e talvez por isso não morremos de amores por Hong Kong. Mas claro que foi tudo culpa nossa,  pois não demos oportunidade para a cidade se mostrar convenientemente.

Esta é uma daquelas cidades já tão desenvolvida que penso que não nos conquista assim em dia e meio. É um daqueles locais que é preciso viver, conhecer os cantinhos e secret places para nos deslumbrarmos. E nós infelizmente não lhe demos esse tempo. E foi uma pena.  

Mas daquilo que vimos fizemos a nossa precária opinião de que é uma cidade do futuro. Ou pelo menos é  mais ou menos aquilo em que imagino que todas as grandes metrópoles se transformarão um dia.

Está tudo ligado pela rede de metro. E quando digo tudo é mesmo tudo. A rede de metro está ligada aos principais edificios e centros comerciais e facilmente se vive entre o metro e o centro comercial quase sem precisar de pôr os pés na rua.

Isto é ainda mais perceptivel em Hong Kong Island onde prolifera a construção mais moderna. Em determinada ocasião tivemos de entrar propositadamente num centro comercial para encontrar um simples café pois não encontrávamos nenhum cá fora. Pode parecer exagerado...mas foi mesmo o que aconteceu.

E do centro comercial entra-se no metro, sai-se na estaçao pretendida e seguimos pelos acessos do metro que atravessam quase todo o quarteirao com varias portas para nos levar á rua mais proxima do hotel.





E Quanto a hoteis, são obviamente mais caros! A solução para conseguir um preço mais em conta passa, naturalmente, por ficar mais afastado do centro. Foi o que fizemos. Optámos por um hotel afastado, com um quarto minusculo e  uma casa debanho que parecia uma cabine telefónica de tão pequenina. Mas tinha uma vista soberba que compensou tudo isso. 

Em vésperas de partir comprámos uma dose generosa de sushi e saboreámo-lo á janela enquanto assistiamos, como vizinhos cuscovilheiros, aos gestos fluidos de quem praticava tai-chi no terraço em frente. 
E ali ficámos enquanto o sol se pôs e as luzes da cidade se acenderam.

No dia a seguir rumávamos ao Dubai para uns merecidos dias de descanso depois de tanta correria entre a China e Hong kong. As miudas já ansiavam por uns dias em modo resort. E muito embora eu soubesse que ao final de dois dias iria aborrecer-me, estes dias de praia no final das nossas andanças sabem sempre bem antes de chegar a casa.

Por isso: Praia here we go! .....Só que elas não sabiam ainda que iriam ter de suportar 42 graus...á sombra!