segunda-feira, 4 de julho de 2022
Kauai - O Hawaii nu e cru
Em boa hora decidimos vir a Kauai. A ilha luxuriante, é a mais velha ilha do arquipelago Hawaiano e sem duvida que a idade é um posto. Cheia de um verde exuberante e praias magnificas, Kauai é um ponto de passagem obrigatorio para quem procura encontrar o Hawaii mais intocado e mais puro.
A nossa estadia foi muito curta mas ainda assim não invalidou que nos apaixonássemos pela pequena ilha.
Alojámo-nos perto de Lihue, a principal cidade da ilha e feitas as diligencias com alojamento, carro e afins, largámos a bagagem e fizemo-nos logo á estrada. A ilha tem basicamente uma estrada principal que liga a zona oeste à zona norte da ilha. O norte é bem mais acidentado e por isso a estrada nao permite sequer circundar a ilha. Ainda assim o carro é essencial nem que seja para fazer essa estrada para a frente e para trás.
No primeiro dia optámos por ver as Wailua falls, as bonitas cataratas que enfeitam o Wailua river e que se tornaram numa emblematica imagem da ilha e principal atração de Kauai.
Trata-se de uma dupla queda de agua, como que duas cascatas gemeas que caem paralelamente numa bonita piscina natural. Essa piscina fica varios metros abaixo do nivel da estrada e é
totalmente rodeada por vegetação densa o que faz parecer que a água mergulha num pequeno buraco no chao perdido nesse verde.
O local é de dificil acesso e descer até lá é algo que leva bastante tempo, motivo pelo qual muitos optam por admirar da estrada. Infelizmente com o pouco tempo que tinhamos foi isso que fizemos também.
Claro que a nosso ver, os trilhos no Hawaii sao uma atracção a não perder pois são um imenso parque de diversões para quem gosta de trekking. E a oferta é tão vasta que se torna dificil escolher em qual investir um par de horas. Quanto a nós, sem duvida queriamos fazer uns trilhos em Kauai mas tinhamos optado por fazer esse passeio no dia seguinte no maravilhoso Waimea canyon.
Assim sendo seguimos caminho pelo Wailua state park,deliciando-nos com as maravilhosas vistas do rio ao longo da estrada e invejando aqueles que desciam prazenteiramente as suas aguas de kayak.
Rematámos depois o dia em Poipu beach, onde chegámos através de uma linda estrada engolida por um tunel perfeito de árvores.
No dia seguinte fomos então para o outro lado da ilha para o imponente Waimea canyon. A paisagem
é de tirar o folego e mal podiamos esperar para fazer uns trilhos.
O dia tinha acordado cinzentão e ,como a manha já ia avançada e prometia chuva, optámos por fazer um trail mais curtinho antes de almoço. Poderiamos depois ocupar a tarde com um mais longo quando abrisse um pouco mais o tempo.
na beira da estrada vimos umas placas a indicar o Kukui Trail, que concluimos ser um trail curto de uns meros 2.5km e que nos traria rapidamente de volta.
Fomos por isso leves e ligeiros: nada de equipamento apropriado. Nem
agua levámos. Afinal o trail era tao curto que nem valia a pena.
Bebemos agua antes e beberiamos depois. 2.5km afinal de contas
nao era mesmo nada. Claro que só podia dar disparate. Percebemos depois que não
eram 2,5km e sim 2,5 milhas... para lá. E outras 2,5 para cá.
Começámos o trilho. Poucos
metros á frente começámos a descer. E assim continuámos mais um tempo. Iamos na
conversa e tão distraídos na nossa galhofa que ninguem achou estranho que para
serem 2,5km já teriamos de estar a voltar. mas o trilho descia e descia, não
requeria esforço e era um passeio tao agradável que sem dar conta fomos
continuando. Mas tudo o que desce tem de subir, certo? A certo ponto, quando finalmente nos caiu essa ficha achámos que algo estava errado e que não seria boa ideia continuar a avançar já que estavamos sem agua. Optámos assim por interromper o passeio e voltar
para trás. Tinhamos muito, mesmo muito para subir. E nao bastando, a prometida
chuvar esolveu não aparecer. Em vez disso as nuvens dissiparam-se e surgiu o
sol, quente e abrasador que, impiedoso, nos fustigou toda a santa subida sem
misericordia.
Nao tardou para que se começasse a ouvir os queixumes e lamentos das miudas.
e uns passos á frente a situação piorou e ja se arrastavam e desfaleciam sob o sol quente hawaiiano.
Com isto demorámos uma eternidade
para chegar ao carro, arranstando as miudas de sombra em sombra e pedindo agua a
quem passava.
o cenário era de filme e já nos sentiamos sobreviventes do "flight of the
phoenix" a morrer á sede no deserto de Gobi.
O Luis , que corria ultratrails e estava mais que habituado a estas andanças, arrancou á frente
para buscar a água e ficámos as tres a fazer o percurso a par e passo.
A sua ausencia foi bastante curta mas ainda assim longa o suficiente para se dar uma situação caricata.
Enquanto as miudas , um pouco mais recompostas subiam a passo
lento o trail, eis que avistamos lá em baixo um homem...nu.
E a bem dizer, devia de facto vir mais leve pois subia o kukui trail rapidamente atrás de nós.
Também nao me pareceu que tivesse muita sede. Devia ter muita agua...nos bolsos.
Ora bem: eu até achava que tinha uma mentalidade aberta. E na verdade nem tenho nada contra os naturistas tao pouco.
Sei porém que devo ter muito
a evoluir ate ter toda esta aceitação pelo corpo que tem quem anda nu por aí...
Ainda não cheguei a esse nivel de evolução, la está.
E ao confrontar-me com a situação de ter de cruzar com um homem nu num trilho fininho, estreitinho e apertadinho, achei que se calhar não tenho essa abertura de
mentalidade toda e sou muito mais bota de elastico do que pensava.
Mas, ainda assim, em minha defesa queria só elucidar que o trilho era de facto fininho. E estreitinho. E ainda apertadinho.
Dqueles fininhos, estreitinhos e apertadinhos que se não nos desviarmos bem para a berma corremos serios riscos de cruzar com o outro e tocar-lhe em qualquer coisa ...( cruzes canhoto)
Ora dada a energia e leveza do senhor, e o nosso ar de sobreviventes do deserto de Gobi, não foi dificil ele aproximar-se para nos ultrapassar.E sabe Deus o que tentámos acelerar o passo com os resquicios de energia que tinhamos.
La nos desviámos o mais que pudémos, espremidas na berma para lhe dar todo o espaço necessario.
"Boa tarde e tal", olhar
para baixo, evitar risadinhas parvas e todo o procedimento que se deve ter quando se cruza um desconhecido nu num trilho apertado do hawaii.
E numa daquelas fracçoes de segundo desconfortávais que subitamente parecem uma eternidade eis que o Sr teve uns laivos de iluminação e achou por bem parar a pedir direcções.
Really? E lá tinhamos ar de quem sabia onde estava?
O trilho é so um, ok? ou vais para cima ou vais para baixo...(suspiro)!
La despachamos o homem rapidamente, chegou o Luis com a agua e rematámos o trail com uma experiencia daquelas que nos envergonha contar: seja pela situação bizarra, seja pela nossa irresponsabilidade de nao levar agua, seja pela inexperiencia em calcular correctamente a distancia, ou pela nossa preparação fisica da treta.
Enfim...o Kukui trail revelou-se uma aventura e já não
houve nenhum trail da parte da tarde.
Trouxemos esta experiencia do canyon
e ficou algum arrependimento por nao termos tirado partido á seria dos melhores
trilhos que ele oferece. Os trilhos no hawaii não sao para brincadeiras e
merecem o devido respeito e atenção.Fica a promessa de voltar. Com a devida
quantidade de água.
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