Findos os nossos dias de deserto e de cidade dourada, fizemo-nos á estrada de volta a Jodhpur para apanhar um voo para Mumbai.
Tinha muita curiosidade em conhecer a grande metrópole indiana que é também uma das maiores cidades do mundo. Queriamos ver ao vivo e a cores o palco do filme Slumdog millionaire. Um filme que adoro pela mestria do argumento e que ao mesmo tempo me perturba pelo retrato fiel dos contrastes sociais.
Mumbai é sem dúvida muito mais cosmopolita que qualquer outra cidade do país. Uma cidade gigante e cheia de gente.
O trânsito é compacto em todo o lado, como se todo o dia fosse hora de ponta, e a sua população supera a população do nosso pequeno rectangulo.
E isto considerando apenas a cidade propriamente dita pois se tivermos em consideração os arrabaldes, ou seja a Grande Mumbai então estamos a falar de muita malta mesmo...Qualquer coisita como uma população equivalente a dois Portugaizinhos.
Outra grande diferença que reparámos logo foi a ausência de tuc tuc ou bicicletas nas principais artérias da cidade. Depois de tanta vaca, motas, motoretas, tuc tuc e riquexos, até estranhámos quando nos deparámos com estradas só com carros... Que coisa tão esquisita!
Claro que quando falamos de carros estamos a referir-nos a carros parados na estrada. Isto porque com tanta gente, claro está ,trânsito é infernal e é fácil passarmos muito... muito.... muuuuuuito tempo no trânsito.
Em compensação andámos também muito a pé. Principalmente por Colaba, o centro da cidade, vagueando nas ruas junto ao hotel Taj Mahal palace que desembocam na imponente porta da Índia.
Adorámos em particular ver o dhobi ghat, as lavandarias a céu aberto que são também as maiores lavandarias ao ar livre do mundo. O cenário é peculiar: a azáfama dos homens a lavar a roupa, os estendais infinitos e os tanques que se alinham ordeiramente, oferecem-nos imagens diferentes de tudo o que já vimos até aqui.
A estação Vitoria também vale uma visita. Tem uma arquitectura muito interessante que lhe valeu o titulo de patrimonio da unesco. Naturalmente não conseguimos dissociar este cenário do filme Slumdog Millionaire pois respira-se cenas do filme assim que se entra. As pessoas que se cruzam naquela estação são aos milhares. É mais um daqueles momentos em que tentamos imaginar tudo o que este edificio já testemunhou. Vale a pena parar 5 minutos a observar quem passa como se fossemos parte daquela estação e testemunhássemos nós também o tempo e a vida que por ali passa.
Uma boa parte da nossa experiência passou pela nossa estadia no hotel Leela.
Dada a nossa curta passagem por Mumbai tinha reservado este hotel por ser proximo do aeroporto. E escolhemos em particular por ter uma piscina maravilhosa que funcionaria de compensação ás miudas ao final do dia depois de muito andarem a pé debaixo de um calor abrasador.
Azar dos azares: depois de vários mails trocados, no ultimo mail de confirmação da estadia enviado pelo hotel na véspera de chegarmos, eis que aparece uma nota de rodapé a indicar que a piscina se encontra em manutenção.
Horror! Não queria acreditar! Depois de voltarmos do calor infernal do deserto e de ter garantido ás miúdas uns dias com finais de tarde na piscina e bla bla bla nem sabia como lhes dizer que havia uma alteração de planos deste calibre!
E danada que eu fiquei de só me ter sido informado na véspera de chegarmos...Não se faz pois n?
Caldinho entornado, claro! Tuga que é tuga não se fica com estas coisas e é claro que fomos ao hotel armar o barraco á boa moda portuguesa!
Afinal de contas foi o Vasco da Gama que descobriu o caminho marítimo para a Índia. Respeitinho, sim???
E poucas palavras depois, quando já estava a pensar rodar a anca de mão á cinta o pessoal do hotel, extremamente cordial e profissional desarmou-me.
Não sou dada a peixeiradas mas admito que até tive pena de ter acabado a discussão tão rápido.
Contactaram o hotel do lado e ofereceram-se para nos levar e buscar numa das viaturas do hotel: um bmw série 5 branco esplendoroso que ficava a anos luz do táxi sarrabeco com forro de tejadilho ás flores, (tipo toalha de mesa versão plástica) em que nós tínhamos chegado ao hotel.
Mais: fizeram-nos o upgrade do quarto em dois escalões e demos por nós numa suite maravilhosa em vez do quarto simples que tinhamos planeado para os 4.
E então ao fim do dia lá fomos nós laurear a pevide ao hotel do lado pavoneando-nos de bmw branco e motorista Mumbai fora.
Mas como a lei de murphy não brinca em serviço, o nosso super fashion chauffeur enganou- se no hotel e levou- nos para outro. Resultado: ficámos encalhados no trânsito qualquer coisa como 1 hora, para chegar ao hotel errado e ter de voltar para trás. Por fim chegámos á piscina do hotel certo já de noite. Mas de bmw branco série 5 e chauffeur. :)
Quando regressamos ao nosso hotel depois desta proeza tínhamos toda a equipa de managers do hotel á nossa espera desfazendo- se em mil desculpas. Mas há males que vêm por bem: ganhámos jantarinho para toda a família no restaurante buffet do hotel (que se não foi dos mais bem servidos que vi anda certamente lá perto), transporte para no dia a seguir visitarmos o centro da cidade e transfer de volta para o aeroporto no final da estadia. Já para não falar de brindes do hotel para toda a familia e postais assinados por toda a gerência possível e imaginária.
E com isto só temos a dizer bem do hotel. Na verdade posso afirmar de forma segura que é dos hotéis com melhor serviço em que já estivemos. Com uma equipa excepcionalmente prestável, sem dúvida. Estávamos a ser tão apaparicados que até nos custou sair de lá.
Mas daí partíamos para Kerala onde iríamos experimentar passar uma noite num barco casa típico da região. E mais uma vez mal podíamos esperar.
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sábado, 28 de maio de 2016
Mumbai: a grande metrópole
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