sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Istambul - já com um pezinho em casa



Saímos das Maldivas e percorri mentalmente o percurso a fazer até casa: barco para Malé, voo para Kochi, Voo para Delhi, noite em Delhi, voo para Istambul, noite em Istambul, voo para Lx, muitas escalas, muitos taxis e muitas horinhas em aviões....ufa! Fiquei cansada só de pensar.

Valeu-nos o dia inteiro por Istambul para partir a viagem ao meio e conhecer uma cidade que há muito tempo nos seduzia.

Tinha havido um tiroteio no aeroporto 2 dias antes da nossa chegada e com a crescente onda de ataques terroristas que assolam a Turquia admito que não cheguei tão confortável quanto isso.  Tentei não pensar muito no assunto mas só descansei mais quando passei as portas do aeroporto para fora e dei de caras com uma cidade pacífica e descontraída.

A Turkish airways tem um óptimo serviço para quem como nós faz escalas prolongadas entre 2 voos da companhia: oferece á nossa escolha a noite num hotel do aeroporto ou uma tour pela cidade com ida e volta ao aeroporto incluindo almoço  e entradas nos monumentos que estivessem contemplados na tour.  Feitas as contas a tour compensa largamente.

Foi desta forma que conhecemos alguma coisinha em Istambul. Largámos as mochilas no aeroporto e aproveitámos a boleia até ao centro da cidade, vimos alguns dos ex-libris de Istambul e  quando nos fartámos abdicámos da boleia de volta ao aeroporto e ficámos por nossa conta. Sem tours, sem multidões e sem horários.

Visitámos, á pala da tour da Turkish, a igreja da divina sabedoria Aya Sofya que é actualmente um museu famoso pela sua cupula gigante e pelos maravilhosos mosaicos.

Também demos um saltinho á famosa Mesquita Azul, costruida mais de mil anos depois da Aya Sofya.

A mesquita tem este nome graças aos azulejos em tons de azul que revestem paredes. É de facto imponente e sem duvida uma da principais atracções da cidade. Não esquecer que é uma mesquita e como tal há que saber escolher a roupa na hora de visitar. caso contrário oferecem-nos uma bata gigante com lenço para a cabeça incluido que consegue tapar-nos do dedo do pé ao fio do cabelo...

Arrisco mesmo a dizer que foi o kit mais completo que alguma vez me ofereceram para entrar numa mesquita. Fiquei absolutamente tapada. E o controlo destes costumes de decência á entrada foram bastante rigorosos.  Aliás não nos largam enquanto não vestimos a trapagem toda.

Ainda ás custas da Turkish fomos ver a cisterna de Istambul que servia para armazenar água e abastecer a cidade.

Actualmente armazena somente um pouco de água para efeitos turísticos. Sobre essas àguas foi erguido um caminho de palafitas que nos permite passear por toda a cisterna.

O espaço está muito pouco iluminado de modo a preservar seu ambiente misterioso e sombrio. Sente-se a humidade e uma aura de quietude, ao mesmo tempo que ouvimos as vozes ecoando sob os tectos abobados. É uma visita curta que não nos rouba muito tempo e que vale muito a pena.

Sobrou-nos ainda tempo para um final de dia nas margens do Bósforo e um jantar num restaurante tipicamente turco, onde pudemos degustar uma refeição tradicionalmente sentados no chão afundados em almofadas.

Ficou muito por ver. Istambul é uma cidade fenomenal onde está bem presente a mistura cultural própria da sua localização geográfica entre a Europa e a Asia. Está presente nos aspectos religiosos, na arquitectura e também na gastronomia, que a bem dizer é estupenda.

Consta que a vida nocturna é também muito animada mas não ficámos para ver. tínhamos de apanhar a bagagem nos cacifos do aeroporto para tentar dormir umas 4 horinhas até ao voo seguinte.

Já estávamos com um pezinho na Europa, ou seja, um pezinho em casa. 
Foram tres semanas cheias de locais lindos, de experiencias interessantes e de momentos em família. Mas neste ultimo dia a nossa cabeça ja estava em casa e nos que la estavam.

É maravilhoso poder viajar...mas sem duvida o melhor é voltar.


Maldivas - 16 anos depois o paraíso ainda existe.



Queríamos muito voltar ás Maldivas.

Tinha sido o nosso destino de Lua de mel há precisamente 16 anos atrás e nessa altura tínhamos dito que voltaríamos 10 anos depois. Não devemos fazer planos para a vida, pois segundo se diz a vida tem melhores planos para nós. E assim foi. Por força das circunstâncias não voltámos os dois áquele paraiso ao fim de 10 anos de casados conforme nos tínhamos prometido. Demorámos mais 6 anos. Mas o regresso foi muito melhor pois pudemos ir os 4.

Como já foi dito no blog, tentamos rematar as nossas ferias com uns dias de praia para finalmente relaxar depois da grande azáfama que são sempre as nossas viagens. As Maldivas surgiram logo como uma opção a considerar devido á sua proximidade. fizemos algumas buscas na net e comprámos voos extremamente baratos a partir de Cochim. Mas não se iludam com os preços dos voos ( que são de facto apetecíveis) pois os preços das estadias são estupidamente caros.

E se vos aparecer em algum lado um hotel com uns preços mais tentadores, desconfiem. Pesquisem bem a sua localização pois o mais provável é ser em alguma ilhota desterrada num atol qualquer mais remoto. 

Nesses casos, dada a sua localização, os acessos são feitos por hidroavião...pago á parte, obvious, e com preços estupidamente caros também :P.

Não bastando os preços exorbitantes da estadia, a alimentação tem de ser feita no resort por preços absurdos pois não há grandes possibilidades de sair do hotel para jantar. 

Cada resort está instalado numa ilhota privada que não é mais que um punhado de areia e como tal fica-se limitado ao hotel para todas as refeições.

Na maioria dos casos o hotel oferece vários  restaurantes e vários tipos de pacotes de refeições.



Mas enfim... se de facto houver um dinheirinho para estes mimos vale a pena aproveitar. A vida é para ser vivida e se há alguém que merece o esforço do nosso trabalho somos nós mesmos e a nossa família. Não é nada fácil e requer restrições e empenho no resto do ano. 

Mas vale sempre a pena quando depois vemos que conseguimos ter momentos destes. Nada como gozar uns dias para ganhar fôlego para a labuta de mais um ano inteiro de trabalho. E já agora para juntar mais qualquer coisita para o próximo ano...assim espero :) 

Enfim...tenho que admitir que me soube pela vida poder parar por uns dias antes da interminável epopeia de voos até Portugal. E ainda me soube melhor ser apaparicada num resort de 5 estrelas nas Maldivas... :P

Não há de facto muito para fazer por aquelas bandas. E á semelhança da nossa primeira viagem, ao final de 3 dias já soprava...

Mas entre muito snorkeling, algum yoga, uns passeios pela capital Malé e algumas actividades num instantinho passaram os 5 diazinhos de paraíso com que nos presenteámos.

De facto por vezes aborreci-me por lá. Tenho pouca paciência para passar tardes infinitas a estorricar ao sol. Mas assim que pus um pé fora da ilha fiquei com umas saudades daquele mar que só de pensar já doi. Fiquei ainda com mais saudades da disponibilidade que tivemos uns para os outros. Dos serões, das brincadeiras no mar e das conversas que tínhamos quando  éramos só nós 4. 

No dia a dia isso perde-se. Temos horários para tudo, muitas obrigações, muito para fazer, muito para pensar. Desligamo-nos do que é mais importante. 

Todos os Verões reparo o quanto adoro os momentos simples em família. E todos os invernos reparo que caio no mesmo erro de não os ter tanto quanto gostaria o resto do ano.

Tento por uns tempos nadar á tona mas inevitavelmente afundo-me entre almoços para o colégio, apoio nos trabalhos de casa ou contas para pagar. 
Somos livres mas não somos. Falta-nos esta liberdade de tempo. E Falta-nos tempo uns para os outros. 

E quando me vejo em sitios como as Maldivas e tenho todo o tempo do mundo já nem sei estar sem as correrias. Ao fim de 3 dias quero sair dali, e assim que saio levo um ano a querer voltar. Por mais 5 dias. Para me fartar ao fim de 3...