terça-feira, 28 de julho de 2020

Hawaii - A escala na Califórnia




Há uns dois anos atrás resolvemos dar uma trégua nas nossas viagens á asia e fugir de ferias para o lado oposto do globo. A nossa filha mais nova como boa fã de youtubers americanas que é, massacrava-nos insistentemente para ir ao tal destino híper cool que via na net. Toda e qualquer influencer daquelas bandas já la tinha estado e as imagens que via alimentavam ainda mais essa vontade.

Tentamos sempre decidir os destinos com o apoio das miúdas e por isso, quando perguntámos para onde sugeriam uma próxima viagem a Rita não hesitou e disparou de imediato: Hawaii!

Claro que o entusiasmo estendeu-se aos restantes membros da família em pouco tempo. Não somos difíceis de convencer, é um facto.
E afinal, quem é que não sonha lá ir? Quem?

Sem dúvida é uma viagem que está no imaginário de todos os adolescentes. De quaisquer adolescentes. Dos adolescentes de agora (graças ás redes sociais que lhes preenchem a vidinha) e dos mais antiguinhos dos quais fiz parte há um par de anos (não mais :P)... e enfim, até dos adolescentes mais graúdos como  somos agora no auge dos nossos 45 aninhos.

Pois é…Não fui exceção. E certamente muita gente não foi. Certo que não havia redes sociais nessa época que agora parece tão distante. Mas havia revistas de surf maravilhosas que nos faziam sonhar. E as suas imagens transportavam-nos diretamente para essas ilhas idílicas perdidas no pacifico norte, onde cada local tinha nomes tão vibrantes como Honolulu, Waikiki ou Maui.

Não que eu fosse surfista. Não era, nunca fui, e qualquer pretensão que possa ter tido um dia de o ser, rapidamente ficou excluída depois de duas ou três tentativas frustradas. Lá está: Não era a minha onda (salve o trocadilho).

Porém, como uma boa teenager que era, admirava muitas vezes as paginas dessas revistas para ver fotos do Kelly Slater ou do Sunny Garcia bem como outros surfistas dos áureos anos 90, a desbravar uma bela esquerda em Banzai Pipeline ou uma das ondas gigantes de Waimea Bay.
Além disso acreditava em pleno que existia todo um suposto estilo de vida de surfista que incluía uma vida 100% descontraída, longe dos dramas dos adolescentes comuns, em perfeita comunhão com a natureza e num estreito relacionamento de respeito com o mar.

E muito embora tenha vindo mais tarde a constatar que muitos dos surfistas do meu ideal imaginário não seguiam esse conceito de vida á risca a verdade é que mantinha em mente a secreta esperança de que no Hawaii isso acontecia certamente.

Tinha por isso todo aquele entusiasmo reprimido de adolescente sonhadora em ver ao vivo e a cores o tal cenário do qual que guardei na memória as imagens que retirei directamente das capas das revistas.

Ficou esta vontade guardada lá no fundinho. Foi sendo um destino sempre utrapassado pelas viagens á Asia, que constam sempre no topo da minha bucketlist das viagens a fazer. Não que mereça menos protagonismo. Mas como é sabido por todos os meus amigos, a Asia em geral tem um lugarzinho especial no meu coração.

Mas, numa tentativa de buscar algo diferente do habitual, e por entre promessas á miúda mais nova, eis que num dia de entusiamo súbito, comprámos uns bilhetes para Honolulu.

Feitos todos os estudos para melhor encaixar o percurso pretendia nos nossos parcos dias de férias, escolhemos os voos para o seguinte percurso:

Lisboa- Los Angeles – São Francisco – Honolulu – Kauai – Maui –São Francisco – Lisboa.

Isto porque queríamos muito ver São Francisco que tinha ficado em falta numa outra viagem que fizemos anteriormente pelos estados do Utah, Arizona e Califórnia com perninha ao Nevada para ver Las Vegas. (a ver se escrevo sobre esta num futuro próximo).

E vai daí empacotámos a tralha e saímos para uma das viagens mais longas que fizemos.

         

Aterrámos Los Angeles por uns dias. Gostamos de fazer umas pausas nas escalas. Não só serve de merecida interrupção a voos que se apresentam demasiado longos e aborrecidos, como inclusivamente permite ir conhecendo locais novos, algo que considero crucial e entusiasmante numa viagem. 
Neste caso resolvemos primeiro matar saudades de locais onde já estivéramos, como um “voltar a casa” antes da largada final para mares nunca dantes navegados.

Soube-nos lindamente as corridinhas matinais a admirar a o magnifico bairro de Beverly Hills e relaxar entre os passeios para um copo de vinho, nachos e guacamole.
Voltámos ao pier de Santa Mónica e ás suas ruas repletas de animação que tanto gostámos. E voltámos a ficar desiludidos com o frenético quarteirão de Hollywood que não é mais que isso: um quarteirão. Aliás , um quarteirão estupidamente turístico.

E feito isso subimos as colinas circundantes em busca do local perfeito para a foto o mais instagramável possível com as letras de Hollywood. Obviamente isto era um dos pontos altos para as nossas filhas que não estando mais em idade de cabide estavam então com os dois pés juntos na idade instagram.



  
























Feitas essas diligências metemo-nosá estrada. Queríamos pelo caminho conhecer dois dos parques naturais mais bonitos dos estados unidos e do Mundo: Sequoia e Yosemite.
A imensidão dos parques dos Estados Unidos é absurda! Para o belo do tuga que habita neste país pequenino, em que todas os nossos “grandes” parques naturais estão a uma curta distância de qualquer zona habitada, as áreas destes parques deixam-nos perplexos.

A imensidão é mesmo qualquer coisa! O tempo que se despende no parque é sempre mais do que o esperado e ainda assim sempre menos fo que merece.  Desde o momento que entramos até chegar á floresta de sequoias podemos demorar bastante tempo. Mas ver estas árvores com mais de 80 m de altura vale cada segundinho do percurso.

Quando vislumbramos as primeiras sequoias gigantes não conseguimos conter um esgar de admiração. Estamos perante um dos seres vivos mais antigos do planeta, autênticos fosseis vivos. 


 


São árvores milenares que, quer pela sua altura ou diâmetro do tronco, deixam qualquer um boquiaberto.

Infelizmente durante anos foram dizimadas pela sua madeira e tiveram de ser feitos vários esforços no sentido de preservar a espécie. Hoje em dia, estão protegidas por lei nestes parques naturais que são autênticos museus vivos.

Todos sem excepção deveríamos visitar uma floresta de sequoias uma vez na vida que fosse.
Para que sentíssemos a sua imponência e a força majestosa que a natureza tem no seu estado mais puro.

Para nos podermos sentir pequeninos nem que seja por um momento. Talvez, se descêssemos á nossa humilde insignificância , nos fizesse respeitar um pouco mais o planeta em que vivemos.


                    

Mas lições de moral á parte já pela tardinha largámos do parque. Tínhamos uma viagem a fazer até á proximidade de Yosemite National Park para que pudéssemos visitar no dia seguinte.
Infelizmente o parque estava a ser assolado por um dos piores incêndios da sua história e não nos foi possível visitar.

O fogo de 2018 no Yosemite National park foi tão imenso que ficou na história pelos piores motivos. Foi tão grande que teve direito a ser baptizado. E este horror chamado Ferguson Fire assolou por um mês inteiro e as suas chamas devoraram cerca de 390km2. Inimaginável.

E foi desolador chegar á entrada do parque e constatar a tristeza nos olhos de quem vive próximo. O seu amor ao parque era tão óbvio que a cada palavra sentia-se a dor e o choque pelo que estava a acontecer.

Tivémos tanta pena de não ver Yosemite que prometemos voltar um dia para colmatar a falha.
Espero um dia poder ver o parque em todo o seu esplendor.

E assim, após uma noite mal dormida em Fresno (cidadezinha sem graça) lá chegámos a São Francisco (San Fran para os amigos).

Que dizer desta cidade senão que Adorei? Adorei!

É uma cidade giríssima, com uma geografia única, cheia de recantos simpáticos e repleta de vida e personalidade.

Não fizemos necessariamente os percursos mais turísticos. Acho que com o tempo perdemos o interesse em andar a correr atrás de toda e qualquer atração e entrar na azáfama louca de tirar um retrato em cada spot só pela obrigação desenfreada de fazer o top 10 de cada local. Obviamente tal como ninguém vai a Paris sem ver a torre Eiffel, ha sempre atrações cruciais a não perder mas hoje em dia deixamos fluir muito mais a nossa estadia para dar espaço para as surpresas aparecerem. E acima de tudo, eu em particular, aprendi a deixar de me sentir culpada de não ver isto ou aquilo. 


                                    
E por isso não vimos algumas das principais atracções. So what?

A golden gate estava coberta de nevoeiro e só lhe víamos as “partes baixas” e por isso nem
nos demos ao trabalho de atravessar. Também não fomos ver Alcatraz. Não tratámos do bilhete antecipadamente. Em todo o caso também não tivemos  pena de não ver.

Não sou muito adepta de ir a sítios muito sofridos. Sei que há determinadas zonas históricas que devemos sempre ir para não esquecer a desgraça que lá se passou. Para que as próximas gerações tenham sempre em mente os grandes erros da humanidade e não o repitam mais. 

Porém, e contraditoriamente, gosto de trazer das ferias um sentimento de paz. Não apeteceu ir a locais com uma energia pesada ou negativa pelo que até me soube bem dispensar este tipo de atracções turísticas.

Acho que já tinha feito este comentário no post de Ho Chi Mihn, onde saímos a meio de uma visita ao museu de Guerra :/  .

Mas sim andámos de electrico rua acima e rua abaixo, pendurados meio dentro e meio fora da carruagem  como manda a sapatilha. Também vimos as painted ladies, as casinhas coloridas com a traça típica da cidade e ainda tivemos tempo de descer a florida lombard street com as suas curvas e
contracurvas tão emblemáticas.

     


Visitámos o pier 39 e os seus leões marinhos, majestosamente espojados ao sol e que tirando o cheirinho a pexum vale sem duvida uma visita. E sem duvida passeámos muito pela cidade.
Perdemo-nos nas ruas entre muita subida e muita descida. Apreciámos as esplanadas na baixa  e vimos as ruas encherem-se de gente em china town.

E sim, viemos a amar a cidade. Viemos de barriguinha cheia para o pouco tempo que tínhamos, que no fundo foi só uma escala.

E apesar de adorar a cidade mal podíamos esperar para lhe voltar as costas. No dia seguinte as emoções estavam ao rubro. O voo partia cedo para Honolulu, capital de Oahu, no estado do Hawaii. E mal podíamos esperar.














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