terça-feira, 29 de agosto de 2017

Macau - Já cheira a Lisboa

Tal como foi divulgado por todo o Mundo, Macau foi fustigado pelo Tufão Hato de intensidade 10 que deixou um rasto de destruição bem como várias vítimas. Não bastando a imensa desgraca, passados poucos dias um segundo tufão nível 8 abateu-se novamente sobre a região. Foi graças a este segundo que ficámos retidos em Bangkok, com o nosso voo a ser cancelado como ja se esperava. 


Tínhamos o nosso voo de regresso a casa a sair de Hong Kong e vimos o caso mesmo mal parado. 
Felizmente á tarde o tufão foi perdendo força e finalmente deu tréguas baixando de nível de intensidade oito para o nivel três. E Assim depois de muitas horas no aeroporto lá conseguimos embarcar no primeiro voo da Air Macau. 
Tenho que referir que andar de avião é apenas algo que tolero para poder chegar a um destino. Consigo pensar em mil e uma coisas ao mínimo solavanco de turbulência. E sim, tenho uma imaginação fértil. Mas posso afirmar com orgulho que já consigo evitar agarrar-me com unhas e dentes aos braços do meu assento. E acho até que se olharem para mim durante a turbulência até pareço calma e civilizada. Mas não se iludam 😳. É só fachada.
 Claro que saber que ia no primeiro voo para Macau após a passagem do tufão Pakhar não ajudou á festa. 
Derreti a bateria do telemóvel a acompanhar o rasto do tufão nos sites oficiais de meteorologia e geofísica de Hongkong e Macau, melguei uma colega de faculdade que lá vive e vi todas as notícias que pude. E entrei aterrorizada á mesma.
Mas contrariamente ao esperado o voo correu bem. Não sacudiu mais que outro voo qualquer.
Porém á chegada fomos brindados por uma nuvem densa que parecia não ter fim e que escondeu as luzes da cidade quase até tocar o chão o que já foi o suficiente para rezar a todos os santinhos. Quando finalmente a cidade se tornou visível apareceram as rajadas de vento só para dar mais uma emoção extra... 
Aterrámos debaixo de uma enxurrada sem direito a manga de ligação ao aeroporto (ninguém merece!) e posso dizer que nos dois metros que separaram as escadas do autocarro ficámos que nem uns pintos e a Rita Ainda deu uns passos para o lado com a ventosga. 
Felizmente no dia seguinte o tempo estava mais simpático e pudémos conhecer a cidade. 
Isto com direito a chuvadas potentes de quando em vez. 
Escusado será dizer que Macau estava uma desgraca. Árvores partidas ao meio como palitos ou arrancadas pela raiz , vidros partidos e levados das fachadas envidraçadas dos hotéis, cercas de chapa retorcidas enfim...dava dó. 

Foi uma pena não podermos ver Macau em todo o seu esplendor. Esperávamos encontrar uma Las Vegas oriental cheia de espectáculos luminosos e em vez disso vimos uma cidade meia apagada. Foram tomadas  estas medidas de poupança energetica depois de se  ter ficado sem água e luz por bastante tempo após o tufão Hato. 
A população Ainda a recuperar do susto tentava limpar as ruas e recomeçar o seu dia a dia mas a catástrofe Ainda era muito visível. 
Ainda assim fomos aos principais pontos turísticos da península correndo as ruas onde se pode Ainda ver a passagem dos portugueses. Não deixa de ter a sua piada ler os letreiros do aeroporto ou os nomes das ruas em Português. Vagueando nas ruas de calçada portuguesa encontramos edifícios coloniais e por momentos abstraímo-nos das lojas chinesas em redor e sentimos que estamos num qualquer largo lisboeta. 


Conseguimos inclusivamente comer o belo do pastel de nata e beber uma super bock. Claro que precisámos de uma cicerone para nos levar aos locais certos. E tivemos a sorte de encontrar uma portuguesa muito simpática que se revelou a pessoa certa para descobrir os melhores spots portugueses. Caso contrário os pasteis de nata teriam sido um fiasco já que se assemelham mais a pudim mandarim dentro de massa folhada. Mesmo.


Á tarde enfiamo-nos  nos centros comerciais dos hotéis e casinos de Taipa. Até porque o nosso hotel também era lá. Depois de termos estado em Las Vegas é inevitável estabelecer comparações. Muito embora em menor número os Casinos que lá existem são igualmente gigantes e monstruosos. Aliás tão  grandes que nos perdemos dentro de um e tivemos certas dúvidas se sairíamos de lá algum dia. Tipo o Asterix nas pirâmides. 


Quando ao final do dia encontramos finalmente o acesso ao hotel caímos redondos na cama. No dia seguinte acordámos cedo para a epopeia até portugal: shuttle, ferry,avião, escala, novamente avião e uber para rematar. 
E sim já estamos em casa com o nosso Belchior. Gratos por tudo ter corrido bem e por termos tido a oportunidade de conhecer mais um pedacinho do Mundo. Pelo tempo passado em família cheio de momentos divertidos que vão ficar para sempre na nossa memória. E acima de tudo gratos por chegar a casa para junto de quem nos é mais importante. 


sábado, 26 de agosto de 2017

Koh Samui - Muay Thai e pouco descanso

Como é habitual rematamos a nossa viagem com uns dias de descanso , de papo para o ar na praia antes de voltarmos a casa. Este ano queríamos muito ir a El Nido nas Filipinas, um destino que desejamos há muito conhecer e que se tornava viável dada a proximidade do Vietname e de Hong Kong de onde partiria o nosso voo principal.  
Sabíamos que existia nas Filipinas um grupo terrorista, o Abu Sayyaf simpatizante do Daesh muito embora numa zona completamente diferente e muito distante geograficamente de El Nido. Mas este ano, o presidente das Filipinas Rodrigo Duterte decretou a lei marcial para acabar de vez com a onda criminosa que abala o país. Isto levou a um aumento dos confrontos entre militares e militantes islamicos e fez com que os EUA emitissem em Maio deste ano, um comunicado para que se evitasse viajar para a região. Claro que os confrontos são em Mindanao e nós queríamos ir para Palawan que é bastante afastado e segundo as autoridades muito seguro também. Mas depois de ouvir falar de alguns confrontos em Puerto Princesa, já em Palawan, pusemos definitivamente a ideia de parte e desmarcamos tudo. Muita gente continua a viajar para El Nido e garante que é seguro mas eu gosto de ir de férias para relaxar e não para estar em sobressalto a pensar que pode acontecer alguma coisa. Por isso acabámos á última da hora por desmarcar o que já estava marcado nas Filipinas e alterar a nossa praia para  Koh Samui, na Tailândia.


 Esta é a nossa terceira vez na Tailândia mas nunca tínhamos estado em Koh Samui e para dizer a verdade a Tailândia é um sítio onde gostamos sempre de voltar e um dos países que mais gostamos no sudeste asiático. A Tailândia já tem tudo o que se espera de um bom destino turístico: Bons resorts, Bons restaurantes e muitas actividades para todos os gostos. Mas não só. Mais que um destino de praia a Tailândia tem toda uma vertente cultural para conhecer. 


Em Koh Samui aproveitámos para relaxar nas piscinas do hotel e na praia. Não tivemos grande sorte com a praia que apesar de linda tínhamos água pelas canelas numa grande extensão. Isto na maré cheia 😩 porque quando vazava a maré o mar simplesmente desaparecia. Recuava mesmo muito. Mas Ainda assim a praia era linda. Pelo menos dava para olhar e babar. 😂 Alugar uma moto é sempre uma opção. Claro que também o fizemos pois tínhamos combinado ir a Pier Nathan visitar uns amigos que por coincidência estavam em Koh Samui na mesma altura. Mas tenho de confessar que não me senti tão confortável com a experiência como em Ninh Binh no Vietname. Em Tam Coc o trânsito é calmo e todos andam devagar. Na Tailândia nem por isso. Todos aceleram e não bastando conduz-se á direita. Ou seja: devia estar completamente parvinha de todo quando decidi aceitar que alugássemos duas motas. Sim, otária mesmo. 


O trânsito nas localidades é confuso . Todos se atravessam á nossa frente vindos de onde calha e Ainda por cima do lado errado da estrada. Hello???? 
Por isso quando atravessamos zonas como Bophut ou Chaweng só estamos desejosos que a localidade acabe de vez para ter algum sossego. Mas depois fora delas conduz-se muito rápido. Todos nos ultrapassam encostados como se estivessem prestes a roubar-nos o espelho retrovisor. E isto aplica-se a motas carros ou camiões e com uma velocidadezinha bastante razoável. Felizmente existiam bermas na estrada toda que rapidamente passaram a ser a minha faixa de rodagem. Saravá irmão.Adiante: a verdade é que graças á motoreta lá demos a volta á ilha, e ainda fomos almoçar no local com a vista mais bonita de Koh Samui: o jungle club. Claro que para lá chegar tivemos de fazer uma estrada horripilante, extremamente íngreme selva acima . Estrada essa que para dizer a verdade nem sei como consegui subir e descer sem me esbandalhar de mota por ali abaixo. Mas Ainda assim depois de rogar inúmeras pragas pelo caminho chegámos lá e achámos que a vista merece todo e qualquer esforço. Simplesmente maravilhosa. 




Não bastando Ainda acabámos por ficar com a bendita Mota durante o resto da estadia em Koh samui para mais facilmente nos deslocarmos entre o hotel e as localidades mais próximas : Lamai e Chaweng. 
Isso permitiu também que intercalássemos a lanzeira da praia (que me aborrece um pouco) com algumas actividades e passeios. 
Uma das opções que arranjámos foi frequentar aulas de Muay Thai numa academia próxima. Foi uma experiência maravilhosa. Já tinha alguma curiosidade neste desporto mas poder experimentar a praticá-lo aqui, onde é a sua origem, com um professor local e numa academia tailandesa foi deveras maravilhoso e sem dúvida o ponto alto da estadia na ilha. 


Entretanto conversa puxa conversa e soubemos que o filho do instrutor iria combater no dia seguinte no estádio de Muay Thai de Chaweng. Acabámos por ir ver o combate mesmo em vésperas de ir embora com a promessa de só pagarmos 2 bilhetes de adulto (para mim e para o Luis). A Rita não enquanto criança  não pagou  e a Margarida entrou á revelia como familiar do lutador... ( aliás é parecidissima. Principalmente nos olhos em bico). 
Definitivamente o que adorei na aula não gostei no combate. Não é mesmo a minha praia ver 2 homens a espancarem-se num ringue. Para mais  que o filho jogava no último combate e tivemos de ver outros 5 antes. 
Não bastando assistimos ao KO de um chinês ás mãos de um australiano. Para a nossa estreia na plateia não foi mau 😳😬. Ficou esparramado no chão após uma cotovelada com direito a pirueta e tudo por parte do adversário e  saiu de maca enquanto o outro rejubilava em saltos frenéticos.... ☹️ Mas saiu do estádio pelo seu próprio pézinho, fresco e fofo como se nada fosse. 
Quando finalmente o filho do instrutor subiu para o ringue percebemos que o adversário era duas vezes o seu tamanho. Muito embora o miúdo fosse um bom lutador acabou por perder ás mãos do gigantone. Toda a família saiu triste e o puto de braço ao peito. Enfim... not really my thing.
Mas valeu pela experiência de assistir a algo tão emblemático da Tailândia como são os campeonatos de Muay Thai. Tinha curiosidade, vi e está bonzinho assim. Não é preciso mais, muito obrigadinha. 
No meio disto tudo o melhor são as aulas. São mesmo top. Dispensa-se o resto. 
E Acabaram assim os nossos dias em Koh Samui. Quanto aos dias na Tailândia vamos ainda ver se acabaram ou não; novo alerta de tufão em Macau para onde seguiríamos. Resultado? Voo cancelado, obviamente. Pelo menos 1 dia inteiro enfiados no aeroporto de Bangkok já cá canta 😬. 


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Ho Chi Minh city - Saigão e o lado cultural do Vietname

Bem... que dizer de Ho Chi Minh? Ao contrário do expectável nós gostámos da cidade.  Das duas uma : ou entrámos por uma zona mais moderna e cosmopolita e por isso a primeira impressão até foi boa ou vínhamos com uma expectativa baixa e acabámos por nos surpreender positivamente . 
A verdade é que a cidade é bem mais ocidentalizada que Hanoi, com avenidas largas e organizadas e pontilhada por alguns edifícios de traça europeia, resultado da ocupação francesa. Claro que a confusão está sempre presente com motas  aos milhares, enchendo as ruas e Ainda circulando pelo passeio se necessário. Ainda assim achámos uma cidade bastante agradável para andar a pé. 

Quando chegámos optámos por correr o centro , apreciando a  catedral de Notre Dâme, construída pelos franceses em 1863, a antiga estação dos correios e o palácio da reunificação. Deixámos o museu da Guerra para o final da tarde para que pudéssemos despender de um par de horas por lá. Esta visita ao museu é como um mergulho no passado recente do país e permite um conhecimento mais profundo sobre a história de uma das guerras mais sangrentas do mundo. 


Á entrada pode logo ver-se algumas das máquinas de guerra utilizadas pelos Estados Unidos: helicópteros, caças, tanques de guerra e toda uma parafernália de artilharia pesada, nomeadamente um grande helicóptero chinook utilizado para transporte de soldados e armamento. 
Mais á frente existe uma representação da prisão de Cao Dao que se situava numa ilha com o mesmo nome a sul do país. Pode ver-se uma vasta coleção de cartazes onde se mostra as condições e torturas infligidas aos prisioneiros de guerra durante a mesma. As imagens são chocantes. Mas mais chocante Ainda são as salas no primeiro piso, repletas de fotos das atrocidades cometidas pelos americanos durante a guerra. Imagens sangrentas dos resultados dos ataques,  imagens de soldados ostentando troféus das suas missões sanguinárias, tais como os crânios das próprias vítimas. Imagens das torturas feitas aos rebeldes, a crianças, a todo e qualquer um. 


Imagens dos ataques químicos ( o chamado agente laranja) com que devastaram a região deixando um impacto horrível na população da época e nas gerações seguintes.  Ainda hoje o Vietname sofre os resultados da exposição a esse agente químico, tendo um número de nascimentos de pessoas com deficiência severa bastante elevado. 
Resumindo: o museu é um arrepiante conjunto de fotos que nos envergonha enquanto seres humanos. Como é que se deixou isto acontecer?
Claro que sendo este museu património do governo do Vietname, naturalmente mostra acima de tudo um lado da moeda. Mas Ainda assim nada justifica as torturas sórdidas, macabras e com requintes de malvadez infligidas pelos americanos. Chegam a tomar contornos maquiavélicos e é impressionante como as mentes de jovens soldados se transformaram em mentes de psicopatas aquando em contexto de guerra, depois de instigados. Acabei por sair a meio pois não fui capaz de prolongar mais a visita ao museu. 


Apesar de eu ser daquelas pessoas que acha q devemos ver este tipo de museus para que não se esqueça o que aconteceu e se possa manter consciente a necessidade de evitar estes conflitos no futuro, a verdade é que muitas vezes acabo por ser a primeira a não querer ir. Tenho de admitir que me incomoda bastante visitar locais onde tenha existido ou seja retratado um grande sofrimento. Alguns simplesmente não vou, como é o caso dos campos de concentração. Outros, quando vou só me apetece sair rapidamente.  E este museu não foi excepção. A visita acabou por ser mais curta do que o esperado. 
No dia seguinte fomos ver os Túneis de Cu Chi. A outra face da moeda. 
Cu Chi tinha uma localização estratégica dada a sua proximidade com Saigão, com o rio e com a fronteira do Camboja. Para se compreender o contexto e de uma forma resumida basicamente após o fim da ocupação francesa o Vietname ficou separado em 2 regiões diferentes: o Norte comunista e o Sul. Porém o Norte começou a tentar reconquistar o sul. Para isso contou com o  apoio da China e da Rússia, mas também de vietnamitas comunistas do sul que criaram uma frente guerrilheira, também conhecidos por Vietcong. Estes guerrilheiros instalaram -se em Cu Chi vivendo vidas simples de agricultores até ao momento da guerra. 
Os túneis de Cu Chi, foram escavados pelos vietcongs, e era uma complexa e apertada rede de túneis  por onde escapavam sempre que precisavam. Aí viviam e refugiavam-se enquanto combatiam o exército americano que veio entretanto apoiar o Vietname do sul. Estes tuneis, junto com um vasto leque de armadilhas engenhosas e maquiavélicas foram as principais armas dos Vietcong durante a guerra. 
Sim, também tiveram bastante de maquiavélico, atacando os soldados americanos muitas vezes sem os matar para poder prolongar o seu sofrimento. Fizemos a visita a todo o espaço e tenho a dizer que os túneis são deveras impressionantes. Só o Luis e a Margarida se aventuraram a percorrer alguns metros. A entrada é claustrofobica, desce vários metros sob a rocha , o ar torna-se pesado e sentimos que não se pode respirar. Os túneis maiores permite-nos andar agachados mas os mais apertados permite apenas rastejar e ainda assim somente os vietcongs da época com uma fraca alimentação e os seus parcos 45 kg lá cabiam. É deveras assombroso ver as tocas onde se enfiavam. 





A guerra terminou com a reunificação do Vietname ás mãos do Norte comunista mas Ainda hoje é visível a antipatia entre os povos das duas regiões. 
Ao  final do dia aproveitámos para ver toda a zona do mercado central que para não variar tem um mercado nocturno e zonas de street food bastante convidativas. 
Optámos por não ir ao delta do Mekong pois o percurso era longo e demorado e pelo que percebemos não deveria ser muito diferente de outras zonas onde já estivemos antes. Ficou por aqui a nossa visita á antiga Saigão e também ao Vietname . Amanhã partimos para Koh Samui, Tailândia para uns dias merecidos de praia. 

sábado, 19 de agosto de 2017

Hoi An - a cidade antiga

Aterrámos no aeroporto de Da Nang e em meia hora estávamos em Hoi An. 
A cidade antiga de Hoi An é um vilarejo encantador que fascina qualquer um. 
Um aglomerado de antigas casas de fachada amarela que está convenientemente instalado nas margens do rio Thu Bon. Esta cidade tornou-se em tempos um importante porto comercial onde paravam muitos barcos durante as suas rotas para a China e o Japão. 


Por este motivo é possível encontrar-se nos seus antigos edifícios um misto de arquitectura vietnamita e chinesa mas também japonesa o que é Ainda visível na zona mais antiga da cidade. 
Hoje em dia são os turistas quem mais enche as ruas de Hoi An. Não sendo mais um porto com grande importância do sudeste asiático como outrora, tem agora grande interesse turístico pela excelente preservação da sua arquitectura e merece um paragem pelo centro do Vietname. 


Outra paragem que  sem dúvida valerá muito a pena é a antiga capital de Hué. Queria muito conhecer mas não consegui arrastar as miúdas para mais umas horas de carro. E muito menos despender de mais um dia de férias. 
Mas fiquei muito satisfeita por ter optado por Hoi An em vez de Hué para esta paragem muito embora tenha sido difícil a escolha.Hué seria uma visita mais cultural enquanto  Hoi An é excelente mais descontraido. Ideal para circular a pé e de bicicleta , já que a zona antiga está interdita a veículos motorizados. Não querendo mostrar desinteresse pela parte cultural do país , a verdade é que a nossa vontade era mesmo descontrair e Hoi An é um local prazenteiro onde nos conseguimos abstrair perfeitamente do caos asiático. Por outro lado todo o old quarter está adaptado ao turismo, cheio de mercados, bares e restaurantes pitorescos que já conseguem muito bem agradar os exigentes padrões ocidentais. 


Quanto a nós ficámos alojados junto ao centro numas villas com piscina pela quantia de 27€ com pequeno almoço. Not bad. Como não podia deixar de ser pegámos novamente nas bicicletas do hotel e corremos a zona de lés a lés. Ao aproximar do mercado torna-se impossível pedalar pois a confusão é imensa. Cruzam-se motos dos comerciantes com viajantes  que passam de bicicleta enquanto outros turistas compram souvenirs. Já para não Falar dos grupos imensos de chineses que param subitamente no meio da estrada só para conseguirem filmar  do melhor ângulo. Ia abalroando um chinês mas juro que foi sem querer.Em todo o caso é bom largar as bicicletas antes e fazer o mercado a pé. Adoro mercados e gosto de passear através deles com calma. Acho que se apreende muito da vivência de um povo através dos seus mercados. Gostei de ver as frutas e as suas vendedoras de chapéu cônico e gosto de ver as pessoas da terra a comprar e perceber que não estão ali só para o turista ver. Só me incomoda a bicharada presa em gaiolas. Patos, e galinhas enjauladas é uma constante por aqui e se não passarmos rápido é muito provável que se assista a uma chacina in loco.




Á noite , como por toda a Ásia a cidade ganha vida. Ainda mais, pois de dia já é a loucura. Acendem-se lanternas chinesas á porta das pequenas casas amarelas e toda a vila ganha cor. O ambiente é de animação. 
Vendem-se espetadinhas na rua, cozinhadas ao momento lembrando as espetadas satay da Tailândia que o Luis tanto adora. Ouve-se música nos restaurantes e surgem os mercados nocturnos. Adorámos Hoi An e sem dúvida contribuiu para contrabalançar o que menos tinha gostado no Vietname até agora. Mas amanhã partimos para Ho Chi Minh e como diz o meu amigo Arnaut Hanoi ao pé da antiga Saigão parece Singapura. O caos no seu estado mais puro.Mas sem dúvida  alguma vamos trazer mais algumas cenas marcantes na bagagem. Mal posso esperar para ver a Ásia no seu pior. 



sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Tam Coc - o Vietname que ansiávamos

Finalmente 4 horas de carro depois chegámos a Tam Coc na província de Ninh Binh. Tam Coc foi uma lufada de ar fresco na nossa viagem. Um vilarejo pacato e prazenteiro cheio de pessoas sorridentes e simpáticas e inserido numa paisagem de cortar a respiração.
A toda a volta imponentes penhascos semelhantes ao que vimos em Halong, só que só invés de emergirem do mar surgem no meio dos arrozais á semelhança do que vimos na nossa viagem a Yangshuo na China.
Acordámos cedo e pegámos nas bicicletas que o hotel tinha de cortesia para os seus hóspedes. Começamos por atravessar a pequena localidade para depois virar para os trilhos no meio dos campos de arroz. Ali sem o barulho da estrada, onde o silêncio se apodera de nós , a paisagem ganha uma imponência gigante. Sentimo-nos lá. Como se fizéssemos parte do quadro. Do todo.


 E, rapidamente saimos deste cenário poético e tudo se transforma numa cena de comédia:
Saimos do caminho para um outro menor. Segundo depois começa a chover e tudo se transforma num estreito trilho enlameado. Tentamos seguir umas vezes em cima da velha bicicleta pasteleira outras empurrando-a entre os charcos. O caminho estreita mais um pouco e subitamente percebemos-nos que está obstruído por 5 ou 6 vacas que preguiçam deitadas no caminho.  Enquanto o Luis tenta que levantar as vacas a Rita perde as havaianas algures numa poça barrenta. Quando olho para ela vem descalça de um pé e besuntada de lama até ao joelhos. Acha o chinelo, começa a rir , desequilibra-se e cai noutra poça de lodo, enquanto tenta sair deixa cair a bicicleta na lama e por fim tivemos de lavar os chinelos e a miúda na água dos arrozais. 


Definitivamente essa coisa das cenas poéticas não é para nós. 
Da parte da tarde optámos por alugar 2 motas pela módica quantia de 2,5€ por mota. Queríamos ir para uma zona mais afastada onde não chegaríamos facilmente de bicicleta. Além de que queríamos fazer uns quantos km á boa moda vietnamita e devolver umas buzinadelas a quem passa. A chamada vingança da buzinadela. 
Ao chegar ao nosso destino optamos por fazer um passeio de barcaça nos canais em torno dos penhascos. É um passeio muito famoso na região. Estávamos com vontade de bypassar este passeio pois nao tínhamos vontade de estar 2 horas enfiados num barco. Felizmente optamos por fazer. Tinha sido um grande, para não dizer um imenso disparate, não o fazer. Foi maravilhoso. A paisagem não tem descrição possivel. O silêncio e a paz do local são indescritíveis e não sei se consigo transmitir nas palavras a imensidão do lugar. 


Tentando descrever o cenário lembro-me acima de tudo de uma palavra: quietude. 
Seguimos ladeados por penhascos gigantes, navegando na água de tonalidade verde escura. Podia ver-se a sua transparência deixando antever a vegetação subaquática, como pinheiros submersos que espreitam á superfície de quando em vez. 


A pequena embarcação seguiu contra um dos penhascos como se fosse embater na imensa parede verde. Mas em vez disso entrou por uma estreita gruta recortada na rocha. 
E quando nos apercebemos estamos debaixo do imenso penhasco, dentro dele, num trajecto tão apertado que por vezes temos de nos baixar para não bater com a cabeça. E só ao fim de uns 250m acaba e saimos num local ainda mais silencioso. Mais calmo, onde as águas estão tão serenas que espelham as montanhas num retrato perfeito. E a seguir outras grutas imensas. E depois mais  recantos, mais verde e mais quietude. E sucedem-se até que saimos por fim no local de início do percurso. E voltamos ao hotel completamente extasiados. Foi um dia lindo e perfeito. Cheio de cenários lindos e de momentos em família. Um dia como já ansiávamos ter no Vietname. 


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Halong Bay - ou o postal do Vietname

Deus foi misericordioso e permitiu que pudéssemos passar a noite num comboio em condições. Pelos visto nem todos os comboios do Vietname são tresloucados. Desta vez tivemos um mais moderno que não tinha molas de carroça como o outro  e atrevo-me mesmo a dizer que fomos embalados de volta até Hanoi. 

Chegámos ás 5 e meia da manhã debaixo de chuva.como não tínhamos nada previamente marcado apanhámos um táxi para o centro onde tencionávamos arranjar transporte que nos levasse directo até Halong Bay. Tivemos azar com o taxista. Ainda não nos tinham tentado enganar no Vietname por isso foi a estreia. Tentou fazer-me acreditar que eu tinha dado por engano uma nota de 10.000 dongs em vez dos 200.000 acordados. Como andamos sempre numa luta para perceber bem as notas ( já que o dong é baixo e tudo funciona aos milhões) reparei com atenção na nota q lhe dei . Mas acredito que no meio de tantos milhões de dongs um turista mais distraído possa cair no esquema. Felizmente no nosso caso reparei que trocou a nota. 
Como bons tugas fiz cara feia e  discuti  logo com ele: what? I saw you! Deves pensar que eu ando a dormir. Adeusinho e um queijo! Bye bye!  E pronto. Não sei se foi de me ver danada ou pelo meu mix de inglês e português a verdade é que tudo se resolveu num instante.
Empandeirado o primeiro taxista fomos á procura de outro que, as 6 da manhã, quisesse começar o dia com 3 horas de viagem até Halong Bay. 
Lá apareceu um muito simpático, todo sorrisos mas que não falava cheta de inglês. Acho que nem reconhecia nem o som da língua. Mas apontava para as coisas no caminho e falava qq coisa na sua língua enquanto se ria sozinho. E o  Luis ria também e repetia o som como se soubesse exactamente do que ele estava a falar. E então riam os dois. Posso dizer que foi o mais perto que conseguimos ter de diálogo. Mas admito que visto de longe até parecia que se entendiam. Ora isto tinha tudo para correr mal. E correu. Devíamos ter percebido. Depois de dizer " Halong" várias vezes e de ele nos mostrar um número escrito na máquina de calcular para pagarmos , fechou-se o negócio e arrancamos. 


Ao final de 3 horas extenuantes, muitas bunizadelas, guinadas e para arranca fomos depositados em Halong. Só que, percebemos depois, não era Halong Bay e sim Halong city, uma cidade feia a nada mais que 20km de onde queríamos estar. Além de que viemos a saber depois pelo guia da lonely planet que é uma famosa cidade de pecado onde os hotéis providenciam "massagens" aos seus hóspedes. Um óptimo local para ficar perdido portanto. 
Ora como ninguém fala inglês longe das zonas turísticas tivemos de entrar num hotel e conversar com o recepcionista para nos ajudar. 
Lá nos encaminhou para o Porto. Só que em vez de nos enviar para o Porto de Bai chai , que é a zona turística de onde saem as tour repletas de ocidentais recambiou-nos para Tuan Chau, um outro Porto frequentado apenas por Vietnamitas.  

Resultado, acabamos por ingressar uma tour num barco velho repleto de locais.  E não haveria qualquer problema não fosse a afamada etiqueta  vietnamita. Ou a falta dela.
Levamos toda a tour com três criancinhas a gritar de forma estridente sem que mais ninguém no barco se incomodasse. Deve ser normal . Aos gritos da criançada sobrepunha-se uma música agitada a roçar o desafinado, enquanto os passageiros bebiam cerveja acompanhada de pevides cujas cascas cuspiam para o chão. Valeu-nos a paisagem que é de facto deslumbrante. Grandes penhascos a emergir da água, cobertos de vegetação luxuriante. O barco para em algumas grutas deslumbrantes que valem sem dúvida a paragem muito embora tenhamos de nos abstrair das escadarias pirolengas até á entrada (completamente despropositadas). Ainda assim a gruta é maravilhosa e merece que se saia do barco um instante. 




Quando o passeio ( finalmente) acabou enfiámo-nos num táxi para mais 4 horas. 
Estávamos de rastos depois do comboio nocturno, de 3 horas de táxi para lá uma tour de 3 horas de barco e mais 4 h para Ninh Binh. Precisávamos urgentemente de um hotel. E, pelo cheiro, de um banho também. 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

SaPa - o arroz e uma cabana.

Esqueçam tudo o que sabem sobre comboios. Sabem aqueles comboios melancólicos que deslizam nos carris embalando os passageiros num doce balançar que nos transportam a mil memórias de infância...bla bla bla...? Pois não é desses que estamos a falar. Há de facto esses comboios ... maravilhosos . E depois há os comboios do Vietname.  E sem dúvida há uma linha que os separa. Ah e tal vai ser uma boa opção dormir no comboio que até nos embala ... etc etc... 



Não. Aqui não se embala ninguem. Fomos literalmente sacudidos furiosa e violentamente toda a santa noitinha. Ora sacudia de forma brusca de um lado para o outro e se não afastássemos bem a cabeça do topo da cama iríamos as cabeçadas pela noite fora, ora sacudia de cima para baixo como se tivesse molas e sentíamos o corpo saltar do pseudo colchão, ou ainda ( sim ainda há a terceira opção) éramos sacudidos em todos os sentidos ao mesmo tempo como se estivéssemos em cima de um touro bravo em pleno rodeio.  
Não falando da música maravilhosa com que fomos acordados. A voz estridente de um qualquer Roberto Leal chinês que não deixa ninguém passar a estação. Como se fosse possível alguém dormir profundamente. 
Enfim... pensava eu que este comboio seria melhor que o da China. Oh santa ignorância.  Como eu estava estupidamente enganada!!!! Tínhamos ouvido falar muito bem de Sapa , das suas montanhas verdes repletas de socalcos de arroz. Existe de facto essa paisagem. Penso que não da forma grandiosa que estava á espera. Não é de todo uma paisagem de cortar a respiração. E para dizer a verdade não acho de todo que valha a viagem. Ainda por cima quando esta implica uma noite em claro num comboio destes. 

Chegamos á estação de Lao Cai para nos enfiarmos de seguida numa van de 15 lugares ,partilhada com um bando de espanhóis ruidosos, que nos levaria montanha acima até á afamada Sapa. Quando lá chegámos a desilusão apoderou-se de nós. Era um vilarejo degradado, com ruas sujas e cheias de lixo, muitas obras caóticas a acontecer e completamente desinteressante. Por todo o lado lojecas a vender imitações da north face que, a bem dizer convencem mesmo os mais cépticos. Á porta penduram-se alguns casacos, mochilas e mais alguma cangalhada para atrair quem passa, mas tudo fica com uma leve camada de pó levantada pelos camiões e motas que passam a toda a hora transportando pedras das obras. ( e buzinando , claro). 


 Chegámos ao hotel, que não era mais que um aglomerado de bungalows em junco sobre um arrozal á volta de uma casa mãe. Foi o ponto alto da estadia. Bastante básico,  com uma decoração com têxteis da região, mas muito cómodo e com muito bom gosto. 


Os pequenos bungalows estavam estrategicamente colocados num socalco de arroz conseguindo oferecer-nos uma vista muito bonita sobre o vale. Largámos as coisas e fomos fazer o trekking mais aconselhado: um passeio á volta das aldeias das minorias étnicas da região. Começamos por descer para o vale por uma bifurcação 500m acima da nossa guesthouse. Ainda não tínhamos dado 3 passos e vimo-nos rodeados por umas 7 ou 8 mulheres de etnia H'mong vestidas a rigor com os seus trajes típicos. 



Muito risonhas, simpáticas e de gargalhada fácil foram tentando criar diálogo e ganhar empatia connosco para depois nos tentarem vender o seu artesanato. Porém não tentaram logo impingir nada e limitaram-se a andar connosco falando de si e das suas famílias enquanto tentavam saber mais sobre nós. Cada duas rodearam um de nós e quando dei por mim a Lili e a Mina já eram quase as minhas "melhores amigas". Por momentos pensamos que iríamos fazer o trekking todo rodeados pelas mulheres h'mong . De tal forma estávamos já incomodados que acabamos por ser nos a pedir que nos mostrassem logo o que queriam para que pudéssemos comprar e seguir viagem sem elas. Parece feio dito assim e sentimo-nos os piores do mundo mas acreditem que ao fim de vários km, a falar de tudo já N sabíamos o que falar ou fazer para simplesmente seguir caminho e apreciar a paisagem sem tropeçar nelas. E é exactamente isto que fazem com cada turista q cruzam. Vendem  vencendo pelo cansaço. Compramos para as despachar. E assim que o fizemos a Mina e a Lili esqueceram logo a nossa amizade profunda e trairam-me com o camone mais próximo. Nunca mais as vi. 




O trekking também tinha pouco para apreciar. O trilho aconselhado era a própria estrada que passava pelas aldeias, a qual tínhamos que partilhar com as motas que passavam. As aldeias não são mais que barracas de cimento e chapa ondulada onde se vende mais artesanato, essencialmente têxteis , feitos pelas mulheres.  Claro que é interessante ver as rotinas dos habitantes á medida que atravessamos as aldeias: as mulheres a espalhar o milho para secar ou as crianças a recolher as manadas de búfalos. 
Porém para isso há que nos abstrairmos de algumas coisas. Nomeadamente na quantidade de lixo na beira da estrada.
É uma pena pois este vale é a principal atração da região. Por toda a vila de Sapa rebenta nova construção de futuros hotéis mas nada se faz para preservar o que leva os turistas á zona. 
No dia seguinte acordamos num dia típico da rainy season. Chuva pesada e constante, céu encoberto e a certeza de que o sol não espreitará Sapa nos próximos dias. 
Mas não faz mal. Estamos de saída para mais uma noite maravilhosa no comboio vietnamita. Mal podemos esperar por saber que música encantadora nos acordará de manhã. Isto se conseguirmos dormir, claro. 





domingo, 13 de agosto de 2017

Hanoi

Finalmente chegámos a Hanoi. E digo finalmente pq a viagem demorou horrores. Primeiro demorou horrores a chegar o dia em que iríamos viajar , em que as férias chegaram desde que decidimos fazer esta viagem. Claro que comecei logo o countdown desde aí, óbvio. E por isso demorou horrroooooores. 
  depois porque a viagem levou como era de esperar horas e horas de avião até podermos deitar o esqueleto numa caminha de hotel. 😓
Começámos com uma breve escala em Londres, seguida de 11 horas até Hong Kong onde esperámos mais 6 horas para finalmente apanharmos um voo de mais duas horas até Hanoi. 
Durante essa escala mais longa optámos por largar as mochilas num cacifo do aeroporto para depois nos enfiarmos no AirPort express que nos levou até á estação de Hongkong nuns breves 24 minutos. Não são 25, Ok? São 24. Não confirmei no relógio mas vou acreditar que sim pois era isso que dizia nos imensos cartazes  espalhados aeroporto fora. E em Hong Kong acredito plenamente nestas picoínhices pois tudo está estudado ao minuto de certeza. Matámos saudades de Hongkong onde estivéramos há 3 anos durante a nossa viagem á China. 


Penso q já comentei isto antes mas é assim que imagino as cidades no futuro. Gigantes prédios futuristas a absorver os resquícios do que foi a cidade. Vive-se entre viadutos, estações de transportes  e centros comerciais e pouco se anda pelas ruas propriamente ditas. Quando o fazemos temos de olhar mesmo na vertical se quisermos ver o céu. Não vou dizer que não gosto da cidade. Não a adoro porque me assusta um pouco pensar que podemos viver todos assim um dia. Mas por outro lado deslumbra qualquer um pela imponência.


De volta ao aeroporto já ligeiramente atrasados fomos apanhar as malas e saimos apressados para o check in , o qual seria num extremo do terminal 1.
10 minutos a andar depois concluímos que afinal era no terminal 2. Atravessamos o aeroporto de uma ponta á outra já em passo acelerado. Entretanto para lá chegar  é preciso descer. Andar tudo para a direita até ao fundo do terminal. Procurar o elevador para afinal subir ao check in. E depois pelos vistos era tuuuuudo á esquerda. Com aquele nervoso miudinho de quem presente q vai perder o voo á porta do avião concluimos que com tantas voltas estávamos de novamente nos cacifos onde levantamos as malas. O nervoso passa a gargalhadas e por fim a alguma fúria. E depois ... subimos mais uma vez . O check in era novamente tuuuudo para a direita. Passamos a segurança, descemos tudo outra vez para apanhar o comboio que era no res do-chão. E finalmente saimos outra vê. No terminal 1. Enfim kilometros e kilometros depois , com uma das miúdas já coxa com uma bolha no pé caímos redondos no avião e só acordámos quando o avião tocou com as rodas em Hanoi. A Rita nem assim acordou. 
Tínhamos passado a noite em claro pois o voo foi todo durante o dia e quando bateu as 11 da noite em Portugal e o sono chegou por fim, estava o dia a amanhecer em terras do Oriente. 
Ainda assim tivemos forças para largar as coisas no hotel e embrenhar-nos na confusão do old quarter em Hanoi.Hanoi surpreendeu pela positiva. Talvez porque depois de uma viagem á Índia já não há caos que nos pareça demasiado avassalador. Na Índia a miséria e a poluição é de tal forma extrema que dificilmente conseguiremos encontrar algo que se assemelhe nas viagens que fazemos. E talvez por isso, chegamos agora a Hanoi e parece-nos subitamente limpo e seguro. Claro que cheio de trânsito como uma boa cidade asiática deve ser. Atravessar a rua requer toda uma ciencia. Estuda-se ao pormenor o milésimo de segundo entre o momento em que a manada de motas ( sim parece uma manada) pára ( quando pára) e a outra manada ainda não avançou. Já estamos pro nisto de conseguir atravessar as ruas sem ser atropelados ;)


Ficámos alojados no centro do old quarter mesmo junto ao Hoan Kiem lake, o lago no centro histórico. É aí que se pode ver o pequeno templo de Ngoc Son que repousa numa pequena ilha pousada na imensidão das águas. O old quarter é um sítio espectacular para passear. É o sítio onde tudo acontece. Á volta do lago as ruas estão fechadas ao trânsito e não falta animação. Vários restaurantes típicos ladeiam as ruas, cantores e bailarinos animam quem passa. Vendedoras tentam impingir-nos frutas e bolinhos cada vez que nos cruzamos. Sabe bem deambular de forma descontraída pela rua sem a preocupação de podermos ser abalroados por uma mota tresloucada. Por outro lado as famílias vietnamitas vêm até está zona com os seus vietzinhos para estes andarem de carrinhos eléctricos. (Sim que isto de conduzir á maluco é algo que se treina desde pequeno) e por isso há que estar sempre atento não vão os piquenos espetarem-se em nós. E desde já aviso que há muitos piquenos nestas andanças. É tipo hobbie nacional. 


Hover boards adaptadas com cadeirinhas ( haja imaginação )também são uma constante. E com muito mais bisga que os carrinhos. Be aware. 
Por todo lado lojas com a típica candonga. Que nestas coisas a malta não brinca em serviço.  Louis Vuitton, north face e ray ban estao presentes em cada esquina mas é a pirataria é extensível a todas as marcas, mais e menos requintadas.Relogios, óculos, sapatos Gucci, louboutin...  nada escapa á indústria da famosa cadonguice asiática. Durante a nossa curta estadia em Hanoi fomos Ainda ver o mausoléu do Ho Chi Minh e o templo da literatura que valem sem dúvida a visita, mas a  melhor recordação foi sem dúvida o jantar típico vietnamita num rooftop com vista para o lago ainda que ao som das buzinadelas da cidade. Ao fim da nossa curta estadia, largámos Hanoi de mochila às costas e apressámo-nos para a estação. Sapa espera-nos. E uma noite sacudida no comboio também.