segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Ho Chi Minh city - Saigão e o lado cultural do Vietname

Bem... que dizer de Ho Chi Minh? Ao contrário do expectável nós gostámos da cidade.  Das duas uma : ou entrámos por uma zona mais moderna e cosmopolita e por isso a primeira impressão até foi boa ou vínhamos com uma expectativa baixa e acabámos por nos surpreender positivamente . 
A verdade é que a cidade é bem mais ocidentalizada que Hanoi, com avenidas largas e organizadas e pontilhada por alguns edifícios de traça europeia, resultado da ocupação francesa. Claro que a confusão está sempre presente com motas  aos milhares, enchendo as ruas e Ainda circulando pelo passeio se necessário. Ainda assim achámos uma cidade bastante agradável para andar a pé. 

Quando chegámos optámos por correr o centro , apreciando a  catedral de Notre Dâme, construída pelos franceses em 1863, a antiga estação dos correios e o palácio da reunificação. Deixámos o museu da Guerra para o final da tarde para que pudéssemos despender de um par de horas por lá. Esta visita ao museu é como um mergulho no passado recente do país e permite um conhecimento mais profundo sobre a história de uma das guerras mais sangrentas do mundo. 


Á entrada pode logo ver-se algumas das máquinas de guerra utilizadas pelos Estados Unidos: helicópteros, caças, tanques de guerra e toda uma parafernália de artilharia pesada, nomeadamente um grande helicóptero chinook utilizado para transporte de soldados e armamento. 
Mais á frente existe uma representação da prisão de Cao Dao que se situava numa ilha com o mesmo nome a sul do país. Pode ver-se uma vasta coleção de cartazes onde se mostra as condições e torturas infligidas aos prisioneiros de guerra durante a mesma. As imagens são chocantes. Mas mais chocante Ainda são as salas no primeiro piso, repletas de fotos das atrocidades cometidas pelos americanos durante a guerra. Imagens sangrentas dos resultados dos ataques,  imagens de soldados ostentando troféus das suas missões sanguinárias, tais como os crânios das próprias vítimas. Imagens das torturas feitas aos rebeldes, a crianças, a todo e qualquer um. 


Imagens dos ataques químicos ( o chamado agente laranja) com que devastaram a região deixando um impacto horrível na população da época e nas gerações seguintes.  Ainda hoje o Vietname sofre os resultados da exposição a esse agente químico, tendo um número de nascimentos de pessoas com deficiência severa bastante elevado. 
Resumindo: o museu é um arrepiante conjunto de fotos que nos envergonha enquanto seres humanos. Como é que se deixou isto acontecer?
Claro que sendo este museu património do governo do Vietname, naturalmente mostra acima de tudo um lado da moeda. Mas Ainda assim nada justifica as torturas sórdidas, macabras e com requintes de malvadez infligidas pelos americanos. Chegam a tomar contornos maquiavélicos e é impressionante como as mentes de jovens soldados se transformaram em mentes de psicopatas aquando em contexto de guerra, depois de instigados. Acabei por sair a meio pois não fui capaz de prolongar mais a visita ao museu. 


Apesar de eu ser daquelas pessoas que acha q devemos ver este tipo de museus para que não se esqueça o que aconteceu e se possa manter consciente a necessidade de evitar estes conflitos no futuro, a verdade é que muitas vezes acabo por ser a primeira a não querer ir. Tenho de admitir que me incomoda bastante visitar locais onde tenha existido ou seja retratado um grande sofrimento. Alguns simplesmente não vou, como é o caso dos campos de concentração. Outros, quando vou só me apetece sair rapidamente.  E este museu não foi excepção. A visita acabou por ser mais curta do que o esperado. 
No dia seguinte fomos ver os Túneis de Cu Chi. A outra face da moeda. 
Cu Chi tinha uma localização estratégica dada a sua proximidade com Saigão, com o rio e com a fronteira do Camboja. Para se compreender o contexto e de uma forma resumida basicamente após o fim da ocupação francesa o Vietname ficou separado em 2 regiões diferentes: o Norte comunista e o Sul. Porém o Norte começou a tentar reconquistar o sul. Para isso contou com o  apoio da China e da Rússia, mas também de vietnamitas comunistas do sul que criaram uma frente guerrilheira, também conhecidos por Vietcong. Estes guerrilheiros instalaram -se em Cu Chi vivendo vidas simples de agricultores até ao momento da guerra. 
Os túneis de Cu Chi, foram escavados pelos vietcongs, e era uma complexa e apertada rede de túneis  por onde escapavam sempre que precisavam. Aí viviam e refugiavam-se enquanto combatiam o exército americano que veio entretanto apoiar o Vietname do sul. Estes tuneis, junto com um vasto leque de armadilhas engenhosas e maquiavélicas foram as principais armas dos Vietcong durante a guerra. 
Sim, também tiveram bastante de maquiavélico, atacando os soldados americanos muitas vezes sem os matar para poder prolongar o seu sofrimento. Fizemos a visita a todo o espaço e tenho a dizer que os túneis são deveras impressionantes. Só o Luis e a Margarida se aventuraram a percorrer alguns metros. A entrada é claustrofobica, desce vários metros sob a rocha , o ar torna-se pesado e sentimos que não se pode respirar. Os túneis maiores permite-nos andar agachados mas os mais apertados permite apenas rastejar e ainda assim somente os vietcongs da época com uma fraca alimentação e os seus parcos 45 kg lá cabiam. É deveras assombroso ver as tocas onde se enfiavam. 





A guerra terminou com a reunificação do Vietname ás mãos do Norte comunista mas Ainda hoje é visível a antipatia entre os povos das duas regiões. 
Ao  final do dia aproveitámos para ver toda a zona do mercado central que para não variar tem um mercado nocturno e zonas de street food bastante convidativas. 
Optámos por não ir ao delta do Mekong pois o percurso era longo e demorado e pelo que percebemos não deveria ser muito diferente de outras zonas onde já estivemos antes. Ficou por aqui a nossa visita á antiga Saigão e também ao Vietname . Amanhã partimos para Koh Samui, Tailândia para uns dias merecidos de praia. 

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