terça-feira, 5 de julho de 2022
Maui - Waiting for Lane.
A nossa estadia em Maui foi no minimo diferente e ficámos longe de fazer tudo o que tinhamos previsto.
Não fosse andarmos a precisar de uma animação extra, no dia seguinte á nossa chegada houve um alerta de furacão e ficou todo o estado hawaiiano em alerta maximo.
O furacão Lane prometia ser apenas e tão só o maior e mais forte furacao dos ultimos tempos a fustigar o pacifico. Poderoso, massivo, destruidor e tudo aquilo que um furacão categoria 5 pode ser.
Claro que com uma noticia destas tudo se modifica.
O aeroporto fechou de imediato e todo o espaço exterior do hotel foi desmantelado.
Os corredores que eram abertos para o exterior foram apetrechados com sacos de areia para evitar enchentes, o mobiliario de exterior dos jardins foi armazenado e o das varandas foi todo recolhido e colocado no interior dos quartos. E, naturalmente, no meio de toda estas precauções, os hospedes foram também aconselhados a permanecer nos quartos.
Por 3 dias esperámos Lane, o furacão. E eis que o Lane teimava em nao aparecer. A cada hora desviava rotas e fazia umas voltinhas extra so para esperarmos mais um pouco sob tensao e dar aquela animada.
Enquanto isso não acontecia e entre momentos de alerta tentávamos descontrair levando a nossa estadia da forma mais normal possivel: com umas corridas á beira mar, mergulhos no mar, observar tartarugas na praia ou até apaziguar a alma numa aula de yoga no jardim.
por vezes aventurávamo-nos até um shopping mall que havia proximo onde conseguiamos ir rapidamente buscar comida nos momentos de espera mas sem nos alongarmos muito nas horas. Queriamos sempre voltar rapidamente pois as noticias na televisao eram assustadoras,os papeis com as directrizes que nos faziam chegar mostravam medidas para o apocalipse e o nosso telemovel despertáva-nos com uma sirene arrepiante capaz de acordar um morto (mortinho mesmo há muito tempo).
Pudémos usufruir das piscinas de toalhinha no chao mas com direito a copinho de vinho á mesma. A vida ainda assim era boa em Maui. Mesmo com o ceu a enegrecer e os ventos a tornarem-se mais fortes. Ainda assim era boa essa vidinha.
Felizmente Wakea, Deus havaiano da chuva foi misericordioso e fez com que o furacão Lane desviasse pacifico dentro e nada nos aconteceu. Apanhámos inclusivamente o voo previsto sem qualquer atraso e sem muitos abanões graças a Deus e a Wakea.
Por sorte, no primeiro dia, antes desta triste noticia se dar tivemos tempo de conhecer alguma coisa da ilha e priorizámos fazer a famosa road to Hana. E ainda bem que foi essa a prioridade pois foi mesmo a unica coisa que fizémos.
Se tivessemos deixado isso para o segundo dia, sairiamos de Maui sem vem a principal atracção da ilha e seria uma grande perda.
A road to Hana nada mais é que uma estrada que parte da pequena localidade de Paia até á ainda mais pequena localidade de Hana e que é absolutamente deslumbrante e linda de morrer.
Sao 83 km mergulhados num jardim encantado e ladeados da vegetação mais verde, mais densa e mais luxuriante. Sempre sob uma chuva miudinha que torna o caminho ainda mais mistico e contribui para manter a sua vida e beleza.
Aqui e ali pequenas cascatas convidam a paragens para fotos trazendo um congestionamento ao percurso. Mas não faz mal. Ninguem tem pressa. Todos fazem o mesmo: avançam lentamente ao ritmo dos seus olhares observadores, sem pressa de chegar ao fim daquele jardim botânico a ceu aberto.
No fim do percurso podemos ainda visitar a linda Pailoa Bay. Eu estava particularmente curiosa com esta enseada.
É uma praia nao muito grande mas bem diferente do que já tinha visto pois tem a particularidade de no lugar da areia ter pedras roladas pretas.
Estas lindas pedras reluzentes quais berlindes pretos trazem um visual á praia absolutamente diferente.
A juntar a isso maravilhou-nos ainda o som da rebentação com as ondas a chocalhar as pedras á beira mar.
Vale muito a pena este passeio. E vale muito a pena chegar até Pailoa bay. E sim a baía é linda. E o som das pedrinhas a rolar na praia é tudo.
Foi um dia pleno este que tivemos em Maui antes de ficarmos encurralados no hotel. Gostavamos de ter tido mais tempo para deambular pela ilha e conhecer os seus recantos.
Porém sao só estas as memorias que temos de lá. Pouco mas bom. Pouca coisa vista mas tudo lindo.E Bom porque acabou bem.
Finalizámos a viagem ao Havaii aqui e voltámos para Sao Francisco. Mas voltámos pouco tempo depois por termos gostado tanto e querermos logo repetir.
Infelizmente da segunda vez fomos apenas a Oahu e por isso nao valeu haha.
Queremos repetir ainda mais uma e outra vez porque adorámos a leveza de vida, os trilhos, a vibe surfista do north shore e os poke bowls ou açaí all over de place.
Diz-se que a energia do Hawaii é poderosa. Diz-se que é um portal, que detem os chakras do nosso planeta e que é um dos locais mais espitituas da Terra.
Nao sei se é isso tudo. Ou se é muito mais.
Mas sei uma coisa:
Há mesmo qualquer coisa de magico naquelas ilhas do pacifico.
segunda-feira, 4 de julho de 2022
Kauai - O Hawaii nu e cru
Em boa hora decidimos vir a Kauai. A ilha luxuriante, é a mais velha ilha do arquipelago Hawaiano e sem duvida que a idade é um posto. Cheia de um verde exuberante e praias magnificas, Kauai é um ponto de passagem obrigatorio para quem procura encontrar o Hawaii mais intocado e mais puro.
A nossa estadia foi muito curta mas ainda assim não invalidou que nos apaixonássemos pela pequena ilha.
Alojámo-nos perto de Lihue, a principal cidade da ilha e feitas as diligencias com alojamento, carro e afins, largámos a bagagem e fizemo-nos logo á estrada. A ilha tem basicamente uma estrada principal que liga a zona oeste à zona norte da ilha. O norte é bem mais acidentado e por isso a estrada nao permite sequer circundar a ilha. Ainda assim o carro é essencial nem que seja para fazer essa estrada para a frente e para trás.
No primeiro dia optámos por ver as Wailua falls, as bonitas cataratas que enfeitam o Wailua river e que se tornaram numa emblematica imagem da ilha e principal atração de Kauai.
Trata-se de uma dupla queda de agua, como que duas cascatas gemeas que caem paralelamente numa bonita piscina natural. Essa piscina fica varios metros abaixo do nivel da estrada e é
totalmente rodeada por vegetação densa o que faz parecer que a água mergulha num pequeno buraco no chao perdido nesse verde.
O local é de dificil acesso e descer até lá é algo que leva bastante tempo, motivo pelo qual muitos optam por admirar da estrada. Infelizmente com o pouco tempo que tinhamos foi isso que fizemos também.
Claro que a nosso ver, os trilhos no Hawaii sao uma atracção a não perder pois são um imenso parque de diversões para quem gosta de trekking. E a oferta é tão vasta que se torna dificil escolher em qual investir um par de horas. Quanto a nós, sem duvida queriamos fazer uns trilhos em Kauai mas tinhamos optado por fazer esse passeio no dia seguinte no maravilhoso Waimea canyon.
Assim sendo seguimos caminho pelo Wailua state park,deliciando-nos com as maravilhosas vistas do rio ao longo da estrada e invejando aqueles que desciam prazenteiramente as suas aguas de kayak.
Rematámos depois o dia em Poipu beach, onde chegámos através de uma linda estrada engolida por um tunel perfeito de árvores.
No dia seguinte fomos então para o outro lado da ilha para o imponente Waimea canyon. A paisagem
é de tirar o folego e mal podiamos esperar para fazer uns trilhos.
O dia tinha acordado cinzentão e ,como a manha já ia avançada e prometia chuva, optámos por fazer um trail mais curtinho antes de almoço. Poderiamos depois ocupar a tarde com um mais longo quando abrisse um pouco mais o tempo.
na beira da estrada vimos umas placas a indicar o Kukui Trail, que concluimos ser um trail curto de uns meros 2.5km e que nos traria rapidamente de volta.
Fomos por isso leves e ligeiros: nada de equipamento apropriado. Nem
agua levámos. Afinal o trail era tao curto que nem valia a pena.
Bebemos agua antes e beberiamos depois. 2.5km afinal de contas
nao era mesmo nada. Claro que só podia dar disparate. Percebemos depois que não
eram 2,5km e sim 2,5 milhas... para lá. E outras 2,5 para cá.
Começámos o trilho. Poucos
metros á frente começámos a descer. E assim continuámos mais um tempo. Iamos na
conversa e tão distraídos na nossa galhofa que ninguem achou estranho que para
serem 2,5km já teriamos de estar a voltar. mas o trilho descia e descia, não
requeria esforço e era um passeio tao agradável que sem dar conta fomos
continuando. Mas tudo o que desce tem de subir, certo? A certo ponto, quando finalmente nos caiu essa ficha achámos que algo estava errado e que não seria boa ideia continuar a avançar já que estavamos sem agua. Optámos assim por interromper o passeio e voltar
para trás. Tinhamos muito, mesmo muito para subir. E nao bastando, a prometida
chuvar esolveu não aparecer. Em vez disso as nuvens dissiparam-se e surgiu o
sol, quente e abrasador que, impiedoso, nos fustigou toda a santa subida sem
misericordia.
Nao tardou para que se começasse a ouvir os queixumes e lamentos das miudas.
e uns passos á frente a situação piorou e ja se arrastavam e desfaleciam sob o sol quente hawaiiano.
Com isto demorámos uma eternidade
para chegar ao carro, arranstando as miudas de sombra em sombra e pedindo agua a
quem passava.
o cenário era de filme e já nos sentiamos sobreviventes do "flight of the
phoenix" a morrer á sede no deserto de Gobi.
O Luis , que corria ultratrails e estava mais que habituado a estas andanças, arrancou á frente
para buscar a água e ficámos as tres a fazer o percurso a par e passo.
A sua ausencia foi bastante curta mas ainda assim longa o suficiente para se dar uma situação caricata.
Enquanto as miudas , um pouco mais recompostas subiam a passo
lento o trail, eis que avistamos lá em baixo um homem...nu.
E a bem dizer, devia de facto vir mais leve pois subia o kukui trail rapidamente atrás de nós.
Também nao me pareceu que tivesse muita sede. Devia ter muita agua...nos bolsos.
Ora bem: eu até achava que tinha uma mentalidade aberta. E na verdade nem tenho nada contra os naturistas tao pouco.
Sei porém que devo ter muito
a evoluir ate ter toda esta aceitação pelo corpo que tem quem anda nu por aí...
Ainda não cheguei a esse nivel de evolução, la está.
E ao confrontar-me com a situação de ter de cruzar com um homem nu num trilho fininho, estreitinho e apertadinho, achei que se calhar não tenho essa abertura de
mentalidade toda e sou muito mais bota de elastico do que pensava.
Mas, ainda assim, em minha defesa queria só elucidar que o trilho era de facto fininho. E estreitinho. E ainda apertadinho.
Dqueles fininhos, estreitinhos e apertadinhos que se não nos desviarmos bem para a berma corremos serios riscos de cruzar com o outro e tocar-lhe em qualquer coisa ...( cruzes canhoto)
Ora dada a energia e leveza do senhor, e o nosso ar de sobreviventes do deserto de Gobi, não foi dificil ele aproximar-se para nos ultrapassar.E sabe Deus o que tentámos acelerar o passo com os resquicios de energia que tinhamos.
La nos desviámos o mais que pudémos, espremidas na berma para lhe dar todo o espaço necessario.
"Boa tarde e tal", olhar
para baixo, evitar risadinhas parvas e todo o procedimento que se deve ter quando se cruza um desconhecido nu num trilho apertado do hawaii.
E numa daquelas fracçoes de segundo desconfortávais que subitamente parecem uma eternidade eis que o Sr teve uns laivos de iluminação e achou por bem parar a pedir direcções.
Really? E lá tinhamos ar de quem sabia onde estava?
O trilho é so um, ok? ou vais para cima ou vais para baixo...(suspiro)!
La despachamos o homem rapidamente, chegou o Luis com a agua e rematámos o trail com uma experiencia daquelas que nos envergonha contar: seja pela situação bizarra, seja pela nossa irresponsabilidade de nao levar agua, seja pela inexperiencia em calcular correctamente a distancia, ou pela nossa preparação fisica da treta.
Enfim...o Kukui trail revelou-se uma aventura e já não
houve nenhum trail da parte da tarde.
Trouxemos esta experiencia do canyon
e ficou algum arrependimento por nao termos tirado partido á seria dos melhores
trilhos que ele oferece. Os trilhos no hawaii não sao para brincadeiras e
merecem o devido respeito e atenção.Fica a promessa de voltar. Com a devida
quantidade de água.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



