Namastê!!!!
Acabadinhos de chegar de uma viagem maravilhosa pela India! Tenho tanta coisa para contar que mal podia esperar por desatar a escrever sobre estes dias! Mas não é fácil resumir tudo o que vimos ou sentimos a uma cronicazeca por muitas palavras ou fotos que tenha. Mas vou tentar dar o melhor:
No dia 7 de Agosto pusemo-nos a caminho.
Cravámos uma boleia para o aeroporto de Lisboa e com as mochilas ás costas partimos para mais umas ferias onde o lazer e cultura se encontrassem.
Este ano optámos pela India. Sempre fora um destino que queríamos muito conhecer mas pensámos que talvez fosse melhor as miúdas crescerem um pouco mais antes de ir. Mais idade seria óptimo para melhor compreenderem a cultura e assim tirarem um maior partido da experiência em vez de simplesmente se limitarem em ficar chocadas com as diferenças culturais com que se iriam deparar.
E então fomos adiando. Um ano e outro. Este ano elas já estavam com 10 e 12 mas ainda assim pensámos adiar um pouco mais.
Mas foi então que ficámos um dia em casa a pesquisar bilhetes para as férias e num impulso comprámos as passagens. Assim sem mais....E pronto. Resolveu-se o dilema da espera num instante.
Mas foi então que ficámos um dia em casa a pesquisar bilhetes para as férias e num impulso comprámos as passagens. Assim sem mais....E pronto. Resolveu-se o dilema da espera num instante.
Nada como gastar as poupanças do ano para nos obrigarmos a ir...nao se pode desperdiçar o esforço feito por tanto tempo, não é?
Enfim...o disparate estava feito e por isso já não havia nada a fazer.
Entretanto fomos aos poucos estudando o percurso que queríamos fazer, tentando encaixar tudo o que queríamos ver, ou pelo menos tudo aquilo que mais queríamos, no pouco tempo que tínhamos de ferias.
E estudámos bastante. Mais até do que devíamos pois na verdade não vale a pena planearmos muito nada na vida pois tudo se altera quando menos esperamos.
E assim foi.
E estudámos bastante. Mais até do que devíamos pois na verdade não vale a pena planearmos muito nada na vida pois tudo se altera quando menos esperamos.
E assim foi.
Depois de vários meses de planos, de alterações, de mais planos; quando tudo ja estava finalmente decidido, eis que tivemos de alterar tudo á ultima da hora.
Tínhamos planeado uma breve passagem por Kathmandu mas, na véspera de comprar os voos internos a partir de Varanasi deu- se o sismo do Nepal e tivemos de repensar todo o roteiro.
Foi algo que nos angustiou muito pois era um local que gostaríamos muito de ter podido visitar como era antes de uma desgraça desta dimensão.
Além das perdas humanas ( que são sempre o maior prejuizo que pode haver), a derrocada dos monumentos foi sem duvida uma enorme perda para a humanidade.
Além das perdas humanas ( que são sempre o maior prejuizo que pode haver), a derrocada dos monumentos foi sem duvida uma enorme perda para a humanidade.
E com isto a nossa primeira reacção foi achar que podíamos manter a viagem para Kathmandu e em vez da visita turística que tínhamos planeado, esticar um pouco a estadia por lá para podermos integrar algum programa de voluntariado. E teria sido de facto uma boa opção, caso não estivéssemos a viajar com as crianças.
Naturalmente com elas tudo muda. Não teríamos nunca a mesma disponibilidade enquanto voluntários e por outro lado não queríamos de todo sujeita-las ás doenças que entretanto surgiram no decorrer da catástrofe.
E então, com umas mudançazinhas aqui e ali, lá alterámos as coisas e aterrámos na madrugada de dia 8 de Agosto em Delhi.
E que dizer de Delhi? Delhi derruba-nos de imediato.
Se temos a presunção de que já vimos muito mundo e que por termos passado por vários países estamos preparados para ver a Índia, então não há nada como chegar a Delhi para ver o quanto estávamos redondamente enganados.
Imensamente enganados. Ignorantes mesmo.
Delhi é um murro no estômago. A miséria salta á vista de imediato. Aliás é o que sobressai mais. Muita pobreza como já tinha visto em locais como o Camboja mas de forma muito mais chocante. De forma decadente.
A imensidão de pessoas a dormir na rua não pode deixar ninguém indiferente.
São pessoas como nós que estão ali no chão dormindo junto ao lixo de vários dias que se amontoa nas bermas das estradas. Ali, no mesmo local onde as vacas defecam ou outras pessoas urinam sem qualquer pudor.
Dormem pelo chão com a indiferença de quem já não se importa de viver assim no meio do lixo. Ou com o hábito acomodado de quem sempre viveu dessa maneira.
Faz-nos questionar muita coisa. Pomos muitos assuntos em causa.
Onde está a dignidade a que todo o ser humano deveria ter direito?
Delhi é deprimente.
As ruas são muito poluídas,o trânsito é caótico e as pessoas extremamente miseráveis.
E muito embora já tenha visto muitos locais com trânsito infernal nada se compara ás ruas do centro de Delhi onde estávamos alojados.
O som das buzinas, os homens que fazem das ruas a sua casa de banho pública, os tiros que ouvimos durante a noite, as poucas mulheres nas ruas, a barata que tínhamos no quarto e tantas outras coisas negativas, pesaram em nós mais do que os encantos que vimos na cidade.
No entanto não podemos deixar de adorar as principais atrações turisticas.
Mas enfim, ficámos pelo menos mais apresentáveis para entrar na mesquita de forma respeitadora.
Também visitámos a Índia Gate onde nos fizeram pinturas de hena e onde nos encantámos a ver miúdos a refrescarem-se numa fonte próxima de forma tão descontraída que nos riamos só de ver.
E adorámos em particular o mausoleu de Huyuman que é sem duvida encantador assim como o templo do Lotus.
Infelizmente por ser o dia da independência não pudemos visitar o Red fort.
Mas penso que tirando os principais monumentos da cidade não conseguimos encontrar nenhum encanto em Delhi.
Mal podiamos esperar sair de lá. Felizmente a estadia foi curta e rapidamente partimos para Varanasi.

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