Chegámos a Xi'an já de noite e fomos directos para o hotel. Ficámos um bocadinho desiludidos com a viagem. Não era suposto irmos super-ultra-mega rápido? Tipo velocidade do som ou da luz ou qualquer coisa assim? Bullet train, they said... E depois atingimos apenas uns míseros 246 km por hora segundo o placar luminoso que nos puseram á frente dos olhos....really????
Pronto...ok...até foi depressinha e é claro que bem mais rápido que os 2 comboios anteriores, afinal reduzimos para 4 horas a viagem de uma noite...mas ainda assim estávamos á espera de uma experiência a alta velocidade e mais radical. Ou pelo menos tão depressa quanto a nossa inconsciência sobre o assunto permite :) Não deixou no entanto de ser mais uma boa experiência em familia. Afinal esta foi a nossa estreia no TGV.
No dia seguinte resolvemos visitar o complexo dos afamados guerreiros de terracota a cerca de meia hora de distancia da cidade de Xi'an.
Este é sem duvida outro dos ex-libris da China e o principal ponto de interesse da cidade. Foi também o que nos fez passar por lá, assim como a muitos outros turistas.
O exército dos guerreiros de terracota é sem sombra de duvida uma das maiores descobertas arqueológicas do mundo.
E esta impressionante descoberta deu-se por acaso quando, algures no ano de 1974, os aldeãos da zona decidiram fazer um poço para combater uma particular época de seca.
Este exército é composto por um largo conjunto ( cerca de 7000) estátuas em terracota que representam os soldados e cavalos de um exercito, em tamanho real, o qual se estima estar naquele local para guardar o túmulo de um imperador da dinastia Qin até agora nunca descoberto.
Esta imensidão de estátuas está dividida entre três poços: o primeiro alberga 72 estátuas, o segundo 1300 e o ultimo o impressionante numero de cerca de 6000, dos quais apenas 2000 estão expostos.
Este museu é um work in progress. Enquanto passamos ao redor da imensidão de estátuas, umas inteiras outras em cacos, observamos os arqueólogos a trabalhar construindo autênticos puzzles.
Tanto que já foi feito e tanto ainda por fazer.
Cá fora vendem-se estatuetas grandes e pequenas entre muitos outros recuerdos. Tiram-se fotos junto a replicas de tamanho real enquanto a chuva desaba impiedosamente sobre as cabeças de quem passa.
Embrulhámos mais umas estátuas, apanhámos o autocarro que nos devolveria ao centro de Xi'an e aproveitámos a tarde para ver a cidade.
Xi'an é uma cidade muito bonita. O centro fica mais uma vez dentro de uma muralha antiga. Desta vez a muralha é bastante larga o que possibilita passeios no seu topo ao redor da cidade. É possível inclusivamente fazê-lo de bicicleta a qual pode ser alugada no topo da própria muralha. É um passeio muito agradável, e tentámos fazer na manhã seguinte quando o sol já espreitava.
Infelizmente tivemos de descer pouco tempo depois de comprar o bilhete para visitar a muralha pois o Luis teve um ligeiro episódio de cólica renal e por isso optámos por regressar ao hotel para que pudesse aliviar a dor com uma bolsa de gel quente que já trazíamos nas mochilas para esse efeito.
Esta cólica renal tinha dado um arzinho da sua graça um mês antes de viajarmos.
Depois de várias eco-grafias confirmou-se uma pedra num rim, mas o Luis optou por mesmo assim fazer a viagem. Por este motivo trouxemos um pequeno arsenal de dispositivos anti-colica, anti-pedra e anti-stress-por-causa-da-colica-e-da-pedra: emplastros, bolsas de gel, comprimidos sos e tudo o resto que nos fizesse sentir seguros caso se desse um momento de crise.
Claro que levámos a viagem sempre um pouco ensombrados pela dita pedra mas felizmente só houve uma cólica nesse dia e por pouco tempo. Ufa! Enfim... depois de tanto trabalho é bom que o raio da pedra seja preciosa...
Foi uma pena não termos percorrido as muralhas ao redor de Xian. Pudemos ainda ter uma noção dos telhados cinzentos antigos, de pontas reviradas e das ruelas escondidas que se vêem de cima.
Antes disso porém pudemos visitar o Big Goose Pagoda, um pagode situado na zona mais moderna da cidade construído para albergar os sutras budistas quando estes foram trazidos da India.
Chegar lá deu direito a uma voltinha de tuk tuk numa motoreta tão velha e tão lenta que acabou por morrer a meio do caminho e tivemos de terminar a viagem a pé...
O tuk tuk é uma alternativa pitoresca para ver a cidade. Muito mais radical que o TGV mesmo que com menos velocidade.Além disso sai sempre baratinho quanto mais não seja porque ficamos a meio do percurso.
E ainda podemos empurrar a mota para um final de trajecto ainda mais emocionante...
Junto ao monumento apinhavam-se muitos turistas asiáticos que mais uma vez adoraram tirar-nos fotos.
Acho mesmo que fomos mais fotografados do que o próprio pagode, modéstias á parte.
Tiraram fotos ás miúdas, a mim e ao Luis, juntos ou separados.
Punham-se ao lado, com ares de amigos chegados e com direito a mão no ombro ou filhos ao nosso colo.
Acho mesmo que fomos mais fotografados do que o próprio pagode, modéstias á parte.
Tiraram fotos ás miúdas, a mim e ao Luis, juntos ou separados.
Punham-se ao lado, com ares de amigos chegados e com direito a mão no ombro ou filhos ao nosso colo.
Não consegui deixar de estabelecer comparações com as fotos dos casamentos em que os noivos estão estáticos de sorriso amarelo em riste e só mudam os convidados.
Não há melhor comparação. E ali estávamos nós: os noivos....
Não há melhor comparação. E ali estávamos nós: os noivos....
Nessa noite visitámos ainda o mercado nocturno do quarteirão islâmico. Trata-se de mais um dos muitos mercados nocturnos que proliferam por toda a Ásia, desta feita oferecido pela comunidade islâmica da cidade.
E é giro ver as diferenças. As mulheres chinesas de cabeça coberta com um hijab, as comidas asiáticas com laivos árabes, as sementes de girassol vendidas no olho da própria flor, os frutos secos vendidos a peso e muitas outras coisas diferenciam este mercado nocturno de outros espalhados pelo oriente e faz valer a pena uma visita.
Adorámos esta cidade por tanto que nos oferece: o estonteante exercito de guerreiros de terracota qual estátuas mudas guardando um túmulo, que de tão bem guardado ainda nunca ninguém o descobriu; as ruas modernas cheias de lojas cosmopolitas e centros comerciais de luxo lado a lado com as galerias chinesas; a historia que rodeia a cidade em forma de muralha de pedra que se confunde na penumbra cinzenta; o mercado islâmico fervilhando de gente com cheiros, luzes e vida; as fotos que nos pediram para tirar e o hábito da população em sacar o telemovel para tudo, nem que seja para nos explicar o melhor caminho para qualquer lado pelo google maps.
Gostámos muito. Queriamos lá passar mais um dia mas não havia tempo a perder. Afinal também estávamos desejosos do dia a seguir. :)
Montanhas, arrozais, passeios de bicicleta...mais um dia e chegaríamos a Yangshuo :)
E a expectativa era alta...
E a expectativa era alta...




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