segunda-feira, 12 de maio de 2014

Krabi

Aterrámos em Krabi depois de um curto voo a partir de Bangkok , certamente o voo mais sacudido da historia da Air Asia.

Perante os olhares questionadores da minha filha mais velha ( que sai á sua mãezinha e também não adora de andar de avião) fiz o voo agarrada com unhas e dentes aos braços do meu assento.

Desta vez o meu Anjo da Guarda nem teve mãos a medir com tantos pedidos que lhe fiz. Deu direito a súplicas, pactos para quando aterrássemos sãos e salvos e ainda, não fosse ele estar na dúvida, algumas negociações para os tempos vindouros desta vida ou de uma próxima qualquer.

Felizmente não me desiludiu e lá chegámos ao aeroporto da província de Krabi, nos arredores de Krabi Town, uma cidade algo desinteressante algures na costa oeste da zona sul da Tailândia de onde partimos rapidamente em direção às lindas praias da região.

A estrada que liga a orla costeira ao aeroporto é ladeada de penhascos verdejantes. Já tinha saudades desta paisagem da Tailândia. Numa nossa anterior passagem por Phuket tínhamos tido oportunidade de andar de kayak nas grutas cavadas pelo mar em rochas calcárias como estas que pontilham o mar na linda baía de Phang Nga.


Desta vez ficámos perto de Ao Nang, a mais movimentada praia de Krabi. Queríamos estar perto das ilhas Phi Phi outra vez e poder visitar de barco não só essas mas outras ilhas idílicas adjacentes. No entanto não fazíamos questão (mesmo nenhuma) de ficar no centro caótico de Ao Nang, pelo que optámos por uma zona mais pacata nos arredores.

O primeiro dia foi só para praia e sol. Muito protector solar em todos, desta vez em especial nos adultos. Tinhamos feito a profilaxia da malária aquando da nossa passagem pelo Camboja e o medicamento tomado pelos adultos tornava a nossa pele fotossensível. Felizmente o efeito secundário do medicamento adequado às crianças era “apenas” o eventual aparecimento de manchas nos dentes … :PPP

A praia era linda de águas quentes, areia fina mas estava minada de… caranguejos! Caranguejos aos milhares! Pequenos, é certo…mas aos milhares!
Devia ter calculado: Krabi, ou seja Crab, claro está!

Eram tantos que havia zonas que tapavam o areal parecendo que o chão se movimentava. 

Mas depois, á medida que avançávamos ao seu encontro, afundavam-se em pequenos furinhos que faziam na areia molhada. E só quando o sossego voltava, espreitavam cá para fora atirando toda a areia em excesso á volta do seu pequeno esconderijo e ficando este pequeno furo todo ornamentado de pequenas bolinhas. E o areal cheio destas lindas obras de arte.


Nos dias seguintes, e como já era descanso a mais para o nosso gosto, aproveitámos para conhecer os arredores.

Não quisemos deixar de ir a Ao Nang nem que fosse apenas para conhecer. Sabíamos que seria em tudo semelhante ás zonas mais turísticas de Phuket. Nomeadamente parecido a Patong, uma estância balnear onde proliferam bares ensurdecedores e prostituição. E, efetivamente, era mais do mesmo.

Mais um vilarejo excessivamente turístico, cheio de lojecas pejadas de bugigangas sem valor e contrafação em barda, muitos bares de música a soar alto e muita prostituição. Desinteressante.

Na verdade o exlibris de Ao Nang é mesmo o ferry para as ilhas Phi Phi. Ou seja, o ferry para sair de lá ;)

São essas ilhas que levam os turistas a Phuket ou Krabi. E, naturalmente, também nós fomos conhecer esses paraísos idilicos onde não tínhamos conseguido ir da primeira vez graças a um mar agitado e desmancha-prazeres que nos impediu de ancorar.

Koh Phi Phi é um arquipelago de 6 ilhas das quais Phi Phi Don e Phi Phi Leh são dos mais afamados destinos de praia do país.

Phi Phi Don é a maior ilha do arquipelago e também a única com infra-estruturas. 

Phi Phi Leh é um anel semi aberto formado por imponentes penhascos que emergem em pleno mar de Andaman e onde se esconde  uma pequena enseada chamada Maya Bay. 

Este local tornou-se famoso ter servido de cenário ao filme “A Praia” interpretado por Leonardo Di Caprio. 

A baía é de facto linda.
Uma praia de areia branca e águas claras rodeada de penhascos a toda a sua volta, tal como guardiões a proteger a enseada frágil  do mar revolto que a circunda.

Actualmente, desde a chegada do filme aos cinemas, Maya Bay deixou de ser um segredo bem guardado e passou a ser lugar de paragem obrigatória para multidões de turistas ávidos por praias paradisíacas…

Os barcos chegam ás dezenas e vão até ao areal. O cheiro a combustível é bastante e os turistas disparando selfies por todo o lado tiram o encanto ao local. O paraíso outrora secreto deixou de o ser.

Mas que fazer? Nós também gostámos de lá ir… :/

E "A Praia" mesmo assim, pejada de gente, não deixa de valer a pena uma visitinha. 

Não ficámos por lá muito tempo e optámos por manter o barco ao largo das ilhas junto a um banco de coral onde nos deliciámos (aí sim) a fazer snorkeling de óptima qualidade.

Foi também aí, ao largo das ilhas Phi Phi que tive o meu primeiro encontro imediato com um escorpião. O sacaninha estava escondido no meu colete salva-vidas e resolveu dar-me uma valente ferroada numa mão.

Basicamente esteve no meu colete o tempo todo enquanto andei a fazer snorkeling e quando o resolvi despir para poder nadar um bocado pus a mão mesmo em cima do desgraçado. 

Que susto!...e que dor horrorosa! Desatei a nadar  para o barco com uma aflição tal que todos pensaram que tinha sido atacada por um tubarão...ou dois ou um cardume (?) deles...
Afinal o cenário era de filme, mesmo... :P

Valeu-me o hospital de Phi Phi Don onde levei uma injecção na mão a fim de aliviar as dores que segundo os locais demoram 24 (!!!) horas a passar.

E foram mesmo 24 horas certinhas. 24 horas de dor, de mão inchada e de revivals da ferroada. 

Ainda hoje fico de cabelos em pé quando recordo.Mas o que mais me arrepia é pensar que experimentei este colete primeiro á minha filha mais nova e só o passei para mim depois de ver que lhe estava grande…Cruzes Credo!…Ca meeeedooooo…. :/

Foi com este final grandioso que acabou a nossa viagem pelo sudeste Asiático. Muitas experiências boas que queremos repetir…excepto a do escorpião que dispensamos. Mesmo.




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